sábado, 4 de dezembro de 2010

Os novos blacks!

É inevitável, assim que começamos a escutar vem a imagem de um cantor negro, com seus ternos à Motown, corais de Igreja Batista, suingue, metais e tudo o mais. Não é de hoje que cantores brancos se aventuram no mundo do soul, não. Rod Stewart, David Bowie, Dusty Springfield, Darry Hall e Mick Jagger são alguns que já enveredaram por esse caminho. Cantores brancos, mas que nunca negaram a importância da música negra em suas formações.

E no próximo ano, o Brasil receberá o Soul Summer Festival, com datas em Florianópolis, Rio de Janeiro, Recife e São Paulo. Tudo bem, o evento está sendo vendido apenas como um show da talentosa e encrenqueira Amy Winehouse, que faz parte da nova safra de cantores brancos de soul. Além dela, o festival contará com Janelle Monae, que já é apontada como uma das grandes cantoras de soul da atualidade e Mayer Hawthorne.

Quem escuta Hawthorne pela primeira vez é capaz de criar a imagem do começo deste post.  Mas, para quem vê uma foto do artista, fica bem difícil ligar imagem e voz. Com seu visual Bun E. Carlos (baterista do Cheap Trick), Hawthorne mostra muita familiaridade com o estilo. Com um pé em Curtis Mayfield e, principalmente, Smokey Robinson, o cantor tem um trabalho lançado, A Strange Arrangement (2008).

Outra cantora branca que tem grande apelo soul é a inglesa Joss Stone. Com direito a apadrinhamento de Betty Wright, Joss chamou atenção logo no álbum de estréia: Soul Sessions (2003).

Falando de músicos brancos que tocam musica negra me lembrei do bom Rare Earth. O grupo foi o primeiro formado somente por brancos a fazer sucesso no selo Motown.  Antes deles os The Rustix, também formado apenas por brancos, tentaram, mas não emplacaram.

Bom, a música negra é riquíssima, nunca faltou, ou faltarão, artistas para prestarem justa homenagem ao estilo, seja rap, samba, soul, reggae e o que mais couber nesse rótulo.          

sábado, 23 de outubro de 2010

A vergonha do talento

Esse negocio de cantar não e coisa fácil. Tem muita gente que acorda de um dia para o outro e resolve simplesmente abrir a boca e cantar, achando que está no chuveiro, não é? Mas também existe o contrario, pessoas que possuem uma voz incrível, mas se sentem acanhadas e pouco confortáveis em cantar, seja qualquer coisa.

Três bons exemplos disso são: Nat King Cole, David Sylvian e George Benson. Cole e Benson são grandes expoentes do jazz, e isso nem precisa ser dito. Ambos sofreram basicamente o mesmo preconceito, é não é do racial que estou falando. Ate meados da década de 1940, King Cole relutou em cantar, dizendo que sua voz era extremamente rouca e que, provavelmente, era isso que as pessoas gostavam de escutar e não a voz em si.

O sinal de que o musico seguiria o caminho de cantor começou com a música The Christmas Song, em 1946. A gravação trazia o Nat King Cole Trio e um naipe de cordas o acompanhando. Nos anos seguintes vieram os sucessos que marcaram definitivamente a carreira do artista, e que fizeram com que ganhasse uma porção de críticas. Muitos diziam que Cole havia abandonado o jazz para se dedicar ao lado mais comercial da música, com suas baladas românticas e nada mais. Músicas como Mona Lisa (1949), Unforgettable  (1951),  When I Fall in Love  (1956) e Too Young (1951) não podem ser classificadas senão como pérolas, no mínimo.

E a verdade de que Cole nunca abandonou definitivamente o jazz, isso ninguém pode dizer. Com sua morte prematura, em 1965 aos 45 anos, fica a pergunta: qual o caminho que Cole seguiria? O jazz ou as baladas tão bem interpretadas por ele. Não importa, a música seria a vencedora. 

George Benson foi outro que começou no jazz e ao longo dos anos se tornou uma grande cantor, apesar de não se sentir confortável em cantar. Até meados da década de 1970, Benson era um exímio guitarrista, com um timbre perfeito e um estilo de composição invejável.   

Foi a partir do sucesso de Supership (1975) que Benson começou a deixar suas raízes no jazz para seguir o caminho milionário do pop. Isso foi até 1980, quando o disco Give Me The Night, produzido por Quincy Jones, ganhou o Grammy daquele ano. Isso elevou o status de Benson  e músicas como Turn Your Love Around (1981) e In Your Eyes (1983) invadiram as rádio FM.

Benson é tão exímio no que faz, seja cantando ou tocando, que não faz muito sentido ficar discutindo isso. O artista, hoje com 67 anos, continua a se expressar da maneira como sabe, e seu timbre, tanto de voz quanto de sua guitarra, ainda é digno de se escutar. 

Já David Sylvian não tem a sua raiz no jazz. Começou a carreira no Japan, em 1974. E depois de oito anos e grandes álbuns, como Quiet Life (1979), partiu para a parceria com o compositor Ryuichi Sakamoto. 

Sylvian nunca gostou muito de sua voz, preferindo suas letras ou composições. O ponto é que o cantor foi um das grandes referências para o movimento new romantic. E se escutarmos as grandes performances de Simon Le Bon, do Duran Duran, podemos ver muito de Sylvian lá. O compositor nunca se prendeu em estilos, já trabalhando com Robert Fripp, Holger Czukay e tantos outros. Seja com música eletrônica, experimental, art rock e o que mais lhe parecer viável.

Sylvian não tem o mesmo prestígio dos dois citados anteriormente. Mas, seja qual for dos três, são cantores de extrema competência e quase insuperáveis. Vale ouvir, em qualquer fase.
Boas Batidas! 

Too Young - Nat King Cole
Come In From The Cold - George Benson
Silver Moon - David Sylvian 

sábado, 9 de outubro de 2010

Palavra laureada

Independente de suas posições políticas, esquerda, direita, pra frente ou pra trás, a figura de Vargas Llosa sempre me causou profunda admiração. Seja pela escrita extremamente clara e rica em detalhes históricos, seja pelo realismo fantástico que pauta grande parte de seus livros.

Não estou falando do escritor que sempre debateu sobre as formas de governo da América-Latina, com recentes criticas aos governos de Lula e Hugo Chávez, por exemplo. Mas falo do profundo crítico da sociedade peruana, com seu incrível poder de percepção de todas as classes daquele país.  Desde o seu romance de estreia, Batismo de Fogo (título no Brasil), passando por A Casa verde, Conversa na Catedral, Tia Júlia e o Escrevinhador, A Guerra do Fim do Mundo ou Historia de Mayta, o que se vê é uma forma de narrativa forte e envolvente, onde os diálogos não necessitam de linearidade.

Aos 74 anos, o peruano é o mais novo Nobel de Literatura, prêmio anunciado na ultima quinta. Quanto ao confronto política/literatura, Vargas Llosa acredita que o Nobel foi mais por sua “obra literária” do que suas “idéias políticas”. O escritor lançou recentemente Sabres e Utopias, reunião de artigos sobre política, literatura e outros assuntos.

Foi a sexta vez que um latino americano recebe tal prêmio. Os outros foram Gabriela Mistral/Chile 1945; Miguel Angel Astúrias/Guatemala 1967; Pablo Neruda/Chile 1971; Gabriel Garcia Marquez/Colômbia 1982 e Otavio Paz/ México 1990.

Espero que o Brasil apareça um dia nessa lista. Ou, quem sabe, não poderiam criar uma categoria póstuma?, daí não faltariam concorrentes brasileiros. Machados, Aluísios, Barretos, Gracilianos, Jorges ou Rosas...  

terça-feira, 28 de setembro de 2010

89 em 97

Procurando algo para escutar no rádio, acabei sintonizando a 89 Fm. Não gosto da programação, e isso não tem nada a ver com o fato de não ser mais a Radio Rock, sendo que quem sustenta esse epíteto não é tão Rock assim, enfim.

O fato é que me lembrei que num dia, já bem distante, ligaram para minha casa, acho que foi num sábado, e falaram que dentro de alguns instantes eu participaria do Pressão Total, programa de perguntas e respostas da 89 Fm.  Naquela época, eu ainda era um moleque meio bobo e ficava escutando rock o dia todo. Juntava os trocadinhos para comprar minhas revistas “especializadas” e os CDs de minha preferência. Cada beleza no seu tempo.

Bom, estava valendo um mochila, um CD e uma camiseta. Eliminei um participante e fui pra próxima fase. No entanto eu não consegui, pois empaquei em duas perguntas: uma sobre o Papa e outra sobre aviões.
No fim, me sobrou a camiseta e o CD. O primeiro item já se deteriorou, depois de usá-lo em tantos shows, na escola, depois pra ir à padaria, jogar bola, dormir e, por último, o chão. Ashes to ashes...
    
Já o CD ainda tenho, mas dificilmente escuto. Start me Up, God Save The Queen, Pet Semetary, Candy ou (ah não, não!!!) Fear of The Dark deveriam ser ótimas músicas quando eu tinha meus 17 “años”, mas hoje parece que perderam um pouco de seu brilho.   

Tudo bem que elas já existiam antes de meus 17, e quando eu partir elas ainda tocarão em algum lugar, num ouvido saudoso ou, será (?), sedento por “novidades” .

Estou olhando agora mesmo para ele e pensando como muitas coisas nunca mudam, como quantos garotos irão entrar no mundo da música através desses sons e como tantos outros irão odiar essa músicas e dizerem que são todas velharias.

No fundo isso nunca vai mudar, penso eu. Sempre terá alguém que ira defender bravamente essas bandas como o grande, e último, sopro sonoro. Só acho engraçado esse negócio bobo e persistente de rádio rock. As pessoas fazem questão de defender as mesmas músicas, ano após ano, sem inovação.  

sábado, 25 de setembro de 2010

Um pouco de algo

Sabe quando você quer fazer algo, mas não sabe muito bem no que vai dar e quer ir até o fim mesmo assim, mesmo sem saber se terá fim? Pois é, isso é muito bom. O conflito de querer e a dúvida sobre tudo.  

Mas é assim  mesmo, nada de facilidades. As situações não se apresentam com respostas, mas sim com centenas de opções, sendo que todas podem dar certo ou não. Por que estou dizendo isso? Não sei ao certo.

Estava pensando na frase de Sartre, eternizada na música dos Engenehiros, "A dúvida é o preço da pureza." Então ser puro é viver na dúvida, sem nunca conhecer a centelha da possibilidade? E que possibilidades são essas que nos desvirtuam, nos despem da pureza?

Ah, não tenho respostas nem pra metade de minhas perguntas, e não consigo formular perguntas pra supostas respostas que possuo. Sem sentido?, totalmente.

Faz um tempinho que não escrevo as coisas que me propus aqui no blog, musica/literatura, mas ando sem a mínima vontade de falar dos outros. Ando, sim, falando de mim. Pegando as centenas de músicas e livros que surgem na minha memória e fazendo um mosaico de minha pessoa. Ainda não faz muito sentido, e sei que vai demorar pra surgir alguma forma nisso.

Como disse no início, quero ir, fazer, subir na escada mais alta e, lá no topo, gritar muito, pra que todos me ecutem, mas, antes de todos, pra que eu escute.
Estou aqui...   

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Livre

Dias desses estava lendo uma crônica do Vinícius chamada Da Solidão. O título, por si só, já expressa uma pontinha de angustia em quem quer que seja. Certa hora ele cita o nome do poeta  Hart Crane, que se jogou ao mar quando ia do México para os Estados Unidos.

Crane ficou lá, jogado no oceano, na total escuridão, vendo o navio ir embora e a morte se aproximar. E essa imagem ficou na minha cabeça desde então.

O poetinha conversa, em poucas linhas, sobre a solidão que acometeu alguns ilustres personagens da arte mundial. Poe, Toulouse-Lautrec, Dante, Rilke. E no fim continua a pergunta: qual a maior solidão?

Será a de Chico, em sua tristíssima Pedaço de Mim; ou quem sabe é a composição de Sérgio Bittencourt, Naquela Mesa, onde relata a saudade que sente de seu pai, o eterno Jacob do Bandolim?
Não importa. Solidão é algo tao forte que não é presico nem mesmo se estar só para sentí-la. Eu caí nisso por acaso, penso eu. Ontem, naquele dia frio e quase morto, como hoje, fez 20 anos que perdi algo muito valioso pra mim.

Depois de tantos anos me massacrando, penando, culpando (?), me matando, consegui, enfim, deixar isso pra trás. Cobri com terra e saudade. Não aquela saudade mortal, que normalmente é a mais sentida, mas aquela que trás a certeza de que, no momento certo e da maneira certa, as coisas foram muito bem. Tudo perfeito e em sincronia..felicidade.   

Quase no fim da crônica, Vinícius diz: não, a maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não da a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.   

Pois é. Hoje penso o quanto fui egoísta, até mesmo cruel, em não aceitar, simplesmente aceitar, que muitas coisas seguem seu proprio rumo independente de nossa existência, que é bobagem se matar e tornar-se algo amargo e duro. Isso de pensar que o mundo é culpado pela sua dor, que ela é a maior e mais a triste de todas, que o negócio é se fechar na sua dor, isso não tem sentido, não pra sempre. 

Se você chegou até aqui talvez pergunte que diabos, eu leitor, tenho com isso. Eu digo que nada. Este post foi meio pessoal demais. Somente pra ter a certeza de que, ao olhar pra trás, não ficarei em pedaços, mesmo sabendo que a mesa estará sempre vazia.

Digo isso sem um pingo de tristeza, que fique claro. Boa noite e Boas Batidas. 

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Ainda vivos

E este mês apresenta dois dinossauros em plena forma: Ron Wood e Lee “Scratch” Perry.

Wood, 63 anos, chega ao seu 8º disco solo, numa carreira que tem como ponto alto os dois primeiros  discos I´ve Got My Own Album To Do (1974) e Now Look (1975) e Gimme Some Neck (1979). Assim como os outros trabalhos, este último conta com a participação de nomes consagrados da musica, como os guitarristas Slash e Billy Gibbons e o cantor country Kris Kristofferson. O título do disco é I Feel Like Playing, e tem previsão de lançamento ainda neste mês.

Já “Scrath” Perry chega aos 74 anos com uma única vontade: não parar. Recem lançado, Revelation também traz boas participações, como Keith Richards, George Clinton ,Duncan & Green, Tim Hill e Alec Hay. Perry tem uma carreira monstruosa, que começou em 1972 e teve momentos marcantes em 73, com Cloak and Dagger e 78, com Roast Fish, Collie Weed & Cornbread. Na verdade, como se trata de uma lenda viva do Dub, com tanto tempo de carreira, isso de pautar seus pontos marcantes não serve muito.
Boas Batidas. 



quarta-feira, 1 de setembro de 2010

"Marujo Dub". Entrevista com João Barone

A agenda é corrida, e como. Quase três décadas na estrada e um fôlego inabalável. Sempre citado como referência quando o assunto é bateria e rock nacional, João Barone já virou peça fácil na boca de músicos dos mais variados estilos. Atualmente em turnê do disco Brasil Afora, 12º trabalho de estúdio dos Paralamas do Sucesso, o baterista concedeu uma rápida entrevista ao BS.

BS● Como anda a repercussão da turnê Brasil Afora?
Barone - Agenda cheia é o melhor sintoma, estamos fazendo muitos shows, depois de um ano na estrada, depois dos prêmios no final de 2009, adentramos 2010 à todo vapor.

BS● Quais as principais mudanças que você aponta desde o retorno da banda, em 2002, para agora?
Barone 
- Mais empolgação, mais entrega, mais vontade de tocar.

BS● Quando começou o seu interesse pela bateria os únicos bateristas brasileiros que chamaram sua atenção foram Robertinho Silva e Rubinho Barsotti, como foi
esse início?
Barone - Não, a lista é grande, tem o Serginho Herval, Milton Banana, Serginho Gomes...

BS● Dentre os trabalhos gravados por você, quais são os preferidos?
Barone - Todos! Pode parecer a velha regra, mas o Brasil Afora foi muito legal, da fase de criação, pré-produção e gravação, foi muito legal como há anos não acontecia.

BS● Como vocês montam o set list dos shows? Tem sempre aquelas que nunca faltam, mas não pinta aquele lance da surpresa?
Barone
 - Na verdade, a lista de músicas tenta juntar o novo e o consagrado, numa forma diferenciada dos shows anteriores, vamos tentando encadear as canções de uma forma legal, criando climas ao longo do show. Ao longo da turnê, depois que está tudo no trilho, procuramos variar um pouco a lista, tirando algo e colocando algum coringa...

BS● Qual a principal diferença no cenário do rock nacional de quando os Paralamas começaram para os dias de hoje? Gravação, divulgação, shows, está tudo mais fácil? 
Barone
 - Vivemos um mundo novo. Mas se engana quem penssa que é mais fácil, muito pelo contrário, tem muito mais gente - com muito bons trabalhos - disputando os 10 minutos de atenção mínimos necessários para despertar interesse nos dias de hoje, tarefa difícil em tempos de internet...

BS● Pensa em gravar mais algum material didático?
Barone - Não, essa seara não é a minha, não tenho muito que ensinar, minha música com Os Paralamas é a melhor expressão do meu trabalho.

BS● Sobre o The Silvas, existe a possibilidade de seguir com o projeto ou foi só uma coisa passageira? (Projeto de Surf Music formado por Barone junto com Liminha, Dé e Daniel Farias)
Barone - Quando der, a gente se reúne de novo, o lema da banda é "no stress".

BS● Depois de quase 30 anos, o que podemos esperar dos Paralamas?
Barone - Segundo Herbert, mais 30 anos!

BS● Cite três momentos marcantes de sua carreira.
Barone - Rádio Fluminense, Rock in Rio e a volta do Herbert aos shows... Pra citar só alguns...

BS● Acho que seu estilo Stewart Copeland foi até o Passo do Lui, depois ganhou uma sonoridade bem característica. Essa comparação te incomoda?
Barone - De forma alguma, já fiz inúmeras odes ao Mr Copeland por existir, eu o agradeço todos os dias, sem ele eu existiria, mas seria bem menos feliz.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Casa nova

Tarzan, Capitão América, Novos Titãs, Mandrake, Batman e Turma da Mônica. Em comum apenas a alcunha de personagens de quadrinhos, certo?

Em comum também é que todos esses citados e tantos outros podem ser encontrados, à partir de amanhã, na Gibiteca Municipal de São Bernardo do Campo (agora com o nome do desenhista e roteirista Eugênio Colonnese). Completando 11 anos e ganhando novo espaço, a Gibiteca possui acervo com cerca de 11.000 títulos.

Inaugurada em 1999 na Câmara de Cultura Antonino Assumpção, onde permaneceu até 2001, passou depois para o segundo andar da Biblioteca Monteiro Lobato onde ficou até este ano.

A nova sede é no Centro Livre de Artes Visuais, na Rua Tasman, 301, no Jardim do Mar.

A reabertura será às 19h. Quem tiver interesse, está feito o convite.

Mais informações no tel. 4336-8212

terça-feira, 20 de julho de 2010

Amigão

Sozinho, triste, sem nada de bom pra fazer, nem mesmo olhar no espelho; é, isso é caso de solidão. Mas não há motivo para se acabar, cortar os pulsos, beber uma ou duas garrafas da pior bebida. Apesar de já ser tarde, ainda da tempo de ligar ou comemorar com alguém, afinal hoje é Dia do Amigo.

Não tem muito que eu falar. Vasculhe na sua agenda telefones já esquecidos; escreva emails, longuíssimos ou extremamente enxutos; fale com a pessoa que está ao seu lado, sei lá, faça alguma coisa! Simples assim.

Ando sem muita coisa pra dizer, então vai aí uma saudação a amizade, com uma musica de Marcos Valle para Tom Jobim e as boas e inestimáveis palavras de Gonzaguinha.

Boas Batidas!

AMIGO/A

EU SÓ POSSO TE DAR

AQUILO QUE SOU

MEUS ERROS

ACERTOS,

ÀS VEZES FRAQUEZAS

MAS SEMPRE A FRANQUEZA

DA LAMA

DO LODO

DO LIMO

DO LINDO

TUDO

VEJO

OUÇO

FALO – VIVO POR INTEIRO

CHORANDO/SORRINDO

SUOR E SERRAGEM

PLANTO

PREPARO

ESPERO

VIRO

ARREVIRO

E

AO QUE VIRA

LEVANTO O PULO

E TE OFEREÇO

NO CORTE

OVINHO ESCORRENDO

IRMÃOS... OU NÃO?

ASSIM ENTENDO

ASSIM EU SOU

RESOLVER SOBREO REVOLVER

RECOMEÇAR SOBRE RECOMEÇAR

E A CALMA

“O APRESADO COME CRU”

VAMOS?


segunda-feira, 12 de julho de 2010

Só pra lembrar

Enquanto uns anunciam uma parada, outros dizem estar voltando. Enquanto uns pisam no Brasil pela primeira vez, outros nos visitam depois de muito tempo.

Na sessão ida e volta está o Kid Abelha e o Pearl Jam. Os brasileiros anunciaram o primeiro show da banda desde 2007, que será realizado no dia 4 de setembro, durante o Brazilian Day, em Tóquio. Já os americanos anunciaram ontem, em show realizado em Lisboa, que a banda está entrando de ferias por “tempo indeterminado”.

E por aqui, o próximo semestre traz grande quantidade de shows, como o “novato” Lionel Richie e a volta do Bon Jovi, depois de 15 anos. Preparem os bolsos (os empresários agradecem a ajuda), a paciência e divirtam-se.

Agora, quem quiser ajudar alguém de verdade, na próxima quarta, 14, ocorrerá o Nós pelo Nordeste, visando angariar dinheiro para as vítimas das cheias na região. O evento terá a participação de Otto, Karina Buhr, Curumin, Pitty, Pupillo (Nação Zumbi), Edgard Scandurra, Fernando Catatau (Cidadão Instigado), Anelis Assumpção, DJ Zegon (N.A.S.A.), entre outros.

Toda a renda será revertida para as vítimas. Mais informação no site.

Boas Batidas, ao som de Kid Abelha. Com direito a Leoni e o terrível auditório do Chacrinha.

domingo, 11 de julho de 2010

FLIP, flapt, SWUn, não vou pra lugar nenhum

Acostumado a receber as sobras das grandes apresentações, com artistas já cansados ou com um pouco caso estampado em suas faces, o Brasil terá no segundo semestre dois interessantes festivais, já amplamente divulgados, falados, comentados, criticados e tudo o mais. Estou falando do SWU, que até agora não apresenta muita coisa, e a já tradicional Flip, em Paraty.

Este último com praticamente todos os ingressos esgotados, visto o cast invejável de participantes, incluindo, entre outros, os cartunistas Robert Crumb e Gilbert Shelton, o poeta Ferreira Gullar, o músico Lou Reed e a escritora Isabel Allende. Difícil imaginar que daí não sai coisa boa, pois, se for só pelo peso dos nomes, a 8º edição do festival ficara marcada para sempre.

Quanto ao SWU, ainda não foram confirmadas atrações de peso, e pelo visto ficará nisso mesmo. Entre os nomes estão Dave Matthews Band, Linkin Park, Pixies e Regina Spektor. O Festival tem como pano de fundo a sustentabilidade, palavra já amplamente difundida, degustada, comentada, mas, no fundo, que não levou ninguém a lugar nenhum. Claro que é uma boa iniciativa, mas, penso eu, que não é num festival de música que as coisa vão acontecer. Foi assim com o Natura Nós About Us, no ano passado. Vamos salvar o mundo, vamos nos reunir e repensar maneiras de salvar o Planeta, e por aí vai.

Bom, cada um com sua consciência, curtindo aquilo que lhe preenche.

Para quem quiser mais informações sobre os dois festivais, seguem os links:

SWU Festival. Flip.

Boas Batidas!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Trabalho marcante

Enquanto continua seu exílio dos palcos, ao que tudo indica eterno, David Bowie volta paras as noticias musicais. O cantor terá seu clássico álbum Station to Station (1976) relançado em versões Special e Deluxe (CD triplo).

A primeira acompanha o disco remasterizado analogicamente e mais dois discos ao vivo, com shows gravados no Nassau Coliseum, em Nova Iorque, em março de 1976, além de permitir o download de uma versão alternativa para a musica Panic in Detroit.

A versão "Deluxe" será vendida em uma caixa de 12 polegadas, com os 3 CDs, dois discos extras: um com a mixagem produzida em 1985 e outro com os singles "Golden years", "TVC15", "Stay", "Word on a wing" e "Station to station". Além de DVD com outras quatro mixagens do disco, mais o álbum original e os discos "Live Nassau Coliseum '76".

A caixa terá um livro com 24 páginas escrito pelo diretor de cinema Cameron Crowe, além de fotos inéditas de época.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Na sutileza. Entrevista com Kiko Continentino

Provavelmente um prodígio no seu instrumento. Compositor de mão cheia, com um currículo respeitável, onde se inclui mais de dez anos na banda de Milton Nascimento, participações em alguns dos mais respeitados festivais de música do mundo e gravações/apresentações com brilhantes da música brasileira. Nesse time, destaque para Pepeu Gomes, Mauro Senise, Guinga, Leny Andrade, João Bosco, Emílio Santiago, Marcos Valle, Durval Ferreira, Toninho Horta, Erasmo Carlos, Edu Lobo, Nelson Ângelo, Arthur Maia, Nivaldo Ornelas, Silvio César, entre tantos outros.

No meio de sua concorrida agenda, o músico concedeu uma entrevista ao BS. Com a palavra o pianista, arranjador e compositor Kiko Continentino.

BS● Aos quinze anos você já se apresentava profissionalmente. Como foi esse começo de carreira?

Continentino - No início dos anos 80, meu pai Mauro Continentino concebeu uma casa noturna, um jazz-club em Belo Horizonte - minha cidade natal. Chamava-se Pianíssimo Studio Bar. Sua esposa na época, Marisa Gandelman, também tocava no Pianíssimo e ajudou a administrar o bar durante os seis anos em que funcionou. Foi lá que me iniciei na música profissionalmente. Tocava todas as noites, de segunda-feira a segunda-feira. Seu projeto era revolucionário para os padrões brasileiros. Com vinte e cinco anos de carreira, ainda nunca vi nada igual em matéria de conceito. Como diz o nome, o local tinha toda a estrutura de um estúdio, isolamento acústico nas paredes, teto, janelas blindadas e ar condicionado central (diminuindo ao máximo o nível de ruído). Para entrar no recinto, uma antecâmara, como nos estúdio profissionais de gravação. Lá havia um piano Yamaha 1/4 de cauda que - muitos duvidam - meu velho e a Marisa conseguiram comprar tocando em outras casas, sempre por couvert artístico. A maioria dos proprietários de bares com música ao vivo costuma conviver com aquele problema de vazamento do som pros vizinhos - o que sempre gera muita reclamação. Mas o que o meu pai queria mesmo era isolar o barulho da rua, que vinha de fora para dentro - pra não interferir no som que fazíamos lá. Interessante que o logotipo não era um piano, teclado ou algo assim (como o nome poderia fazer supor), mas sim um disco de vinil. Lá havia uma farta discoteca, com LPs importados, a maioria de jazz e bossa-nova. Essa foi a minha maior escola: tocar, ouvir, tocar e ouvir muito. Desde pequeno tinha contato diário com Miles Davis, Jobim, Duke, Tamba trio, Bill Evans, Parker, Donato, Edu, Monk, Coltrane, Pixinguinha entre outros mestres.

BS● Além de Tom Jobim, quais são suas influências?

Continentino - Muitas. Do jazz à bossa-nova. Do samba ao soul e o verdadeiro funk (a música negra dos norte-americanos). De todas as regiões do Brasil – cada uma com sua riqueza particular. Dos latinos à música clássica. Ouço também rock, pop, etc. De tudo o que ouço e gosto, capturo elementos aleatoriamente – por afinidade mesmo, reprocesso à minha maneira e utilizo na música que produzo.

BS● Apesar de novo, você já possui uma respeitável bagagem, se apresentando tanto com medalhões como jovens talentos. O que esperar dessa nova turma que aparece? Algum destaque?

Continentino - Do alto de quase 41 anos, agradeço pelo “novo”. Mas realmente me sinto bem jovem e com muita coisa por fazer, apesar da predileção pela música que se fazia nos anos 60 e 70 – essas impregnadas de uma verdadeira modernidade e bom gosto natural. De forma geral, sinto que a música que se faz hoje é muito mais “cafona”, mais pobre do que antes. Arranjos, melodia, harmonia e letra, inclusive. Lógico que há exceções – e não são poucas, mas não consigo contemporizar com o meio musical da atualidade e achar que tudo o que é “moderno” é bom. Isso não dá pra mim. O que vejo, infelizmente, é justamente o contrário... Na cena da música instrumental, vejo com felicidade o surgimento de uma turma de grandes instrumentistas, muito talentosos e bem preparados. Eles vêm de várias partes do Brasil (um país continental), a maioria fora do eixo Rio – São Paulo (o que acho maravilhoso) de Brasília, do Sul, do Norte, oeste... Gente que soube usar a farta informação disponível na rede (que não existia na época em que comecei) e está criando uma linguagem atualizada, abrindo espaço junto ao público para a música instrumental. Entretanto, sinto às vezes que essa turma gosta de tocar (sempre) muitas notas, geralmente em andamentos acelerados, privilegiando muito mais a técnica e o virtuosismo. Acho que com o amadurecimento natural do trabalho desses instrumentistas, nossa música terá muito a ganhar num futuro bem próximo.

BS● Como surgiu a oportunidade de se apresentar com Milton Nascimento?

Continentino - Há treze anos atrás o Bituca me convidou para substituir o pianista uruguaio Hugo Fattoruzzo no seu grupo. Foi na estréia de um prestigiado projeto, “Tambores de Minas”. Sigo com ele desde então. Dois anos antes, em 1995, já havia feito duas apresentações com o Milton, que apadrinhou e participou de alguns shows do Bernardo Lobo (filho de Edu), cujos arranjos e direção musical eu assinava. Nosso convidado gostou do meu trabalho - o que muito me honrou – e mais tarde, com a impossibilidade de o Hugo (que morava no exterior) continuar na banda, me oficializou no grupo. Tocar com o Milton é uma experiência única, assim como o seu jeito de fazer música. Milton se tornou um estilo de música e arte universal.

BS● Você possui volumosa parceria com instrumentistas diversos. Ainda há espaço para a música instrumental no Brasil, ou o mercado internacional é mais vantajoso?

Continentino - Temos que trabalhar nas duas frentes. Acredito que ainda há muito, mas muito mesmo o que ser explorado no Brasil. Sinto isso ao participar de tantos festivais bem sucedidos e testemunhar o esforço de muita gente boa ao redor do país trabalhando para ampliar e expandir os horizontes desse tipo de música. Noto o interesse do público por uma música verdadeiramente sem concessões, honesta e longe dessa pasteurização vigente na “grande mídia” atual.

BS● Palcos pequenos ou festivais?

Continentino - Os dois. Comecei tocando em locais pequenos e hoje em dia já participei de eventos reunindo mais de um milhão de pessoas, como essa recente festa dos 50 anos em Brasília - uma loucura. O mais importante é despertar a emoção das pessoas. Sejam 5, 50 ou 50 mil.

BS● Cite três momentos marcantes de sua carreira.

Continentino - Minha apresentação com o Milton no final do ano passado no Carneggie Hall em NY, templo da música mundial. Tem também o show que promovi num bar da Lagoa Rodrigo de Freitas, no dia 25 de Janeiro de 2007 - aniversário de 80 anos de Tom Jobim. Ao longo de 6 horas (mais de quatro horas de música), toquei 80 composições do Tom, um dos meus favoritos. Contei com o apoio de mais de vinte músicos convidados, gente como Os Cariocas, Nelson Ângelo, Muiza Adnet, Pery Ribeiro, entre tanta gente bacana que veio prestigiar a obra do maestro soberano e me dar essa “moral”. Foi uma noite inesquecível. Outro projeto marcante para mim foi um show no Teatro Municipal de Niterói, onde apresentei ao público da cidade onde moro, algumas das minhas próprias canções. Músicas letradas por parceiros como o próprio Milton, Altay Velloso, Murilo Antunes e Chico Amaral, entre outros. E algumas letrinhas minhas, também. Foi muito gratificante ver cantores do porte de Leny Andrade, Leila Pinheiro, Simone Guimarães e Bebeto Castilho (do genial Tamba Trio) interpretando as minhas músicas.

BS● Quais são os projetos futuros?

Continentino - Gravação de muitos CDs e projetos com minhas composições – que deve estar chegando à casa das quinhentas. Preciso escoar toda essa produção, publicar o meu trabalho. As oficinas práticas para piano e teclado que estou elaborando e pretendo levar para várias escolas de música, universidades. Prosseguir tocando, me apresentando no Brasil e mundo afora. Conhecendo gente nova e levando o meu som para as pessoas que se interessarem conhecer.

BS● Algumas palavras finais.

Continentino - O mundo precisa da música, precisa da arte para evoluir. Artistas talentosos devem estabelecer um pacto com sua própria arte. Expressar a sua essência e evitar as armadilhas fáceis do mercado. Antes de agradar aos outros, temos que estar bem conosco, mesmo que isso signifique renunciar a caminhos aparentemente mais sedutores, comercialmente. Temos que por os pensamentos em ordem. Arte não é publicidade. E pode ser muito mais do que entretenimento. Pode gerar reflexão, provocar sentimentos difusos, emocionar e fazer as pessoas sonharem com um mundo melhor.

Valeu, Continentino!

Tabela musical


Não estava doente, viajando, cansado, nem nada disso. Apenas fugindo um pouco. Depois de um mês e um dia (!), volto com meus textos.
Futebol e música são duas coisas que movem o povo desta terra. Em ritmo de copa do mundo, as músicas com temáticas de futebol, ou gravadas especialmente para o certame, pipocam por aí.
Tudo bem que a música oficial do evento (Shakira - Waka Waka), não seja assim tão marcante como Pra Frente Brasil, mas fazer o quê?
Recentemente, Jorge Ben Jor regravou um dos seus maiores sucessos, a faixa que abre o CD África Brasil: "Ponta de Lança Africano (Umbabarauma)". A faixa tem a participação de Mano Brown.
E já que o assunto é futebol e música, vamos alongar o papo.
O já citado Ben Jor é nome forte na dobradinha som/ pelada. "Camisa 10 da Gávea", "O Nome Do Rei É Pelé", "Fio Maravilha" e "Flamengo" são algumas das composições do carioca com o tema futebol. Ele chegou mesmo a regravar o hino do Flamengo que, aliás, foi feito pelo grandioso compositor Lamartine Babo.
Além do Flamengo, Babo também fez os hinos de Vasco, Fluminense, São Cristovão, Botafogo e América. Lembrando que a composição não é o hino oficial do Flamengo, e sim o popular e, coincidentemente, o mais conhecido e exaltado.
Outro que marcou o nome com um clube foi o gaúcho Lupicínio Rodrigues. Autor de famosas canções que tratavam das dores do amor, como "Nervos de Aço", "Volta", "Nunca", "Caixa de Ódio" e "Castigo", Lupi, apesar de sua três paixões serem a música, o bar e as mulheres , marcou o futebol como compositor do Hino do Grêmio.
Vale lembrar que esse foi o terceiro do clube, composto em 1953. Antes, em 1924 e 1946, o clube teve outros dois hinos.
E o que falar do Corinthians, exaltado com um sem número de composições feitas por famosos compositores? Só pra citar algumas: "Corinthians, Meu Amor ao Timão" (Demônios da Garoa); "Amor Preto e Branco" (Os Mutantes); "Meus 20 Anos, Ai Corinthians" (Paulinho Nogueira); "Curintiá" (Gilberto Gil); "Garra Corintiana" (Branca Di Neve) são bons exemplos de “canções corintianas”.
Falando de times de São Paulo, o que leva o nome do estado ganhou um bela homenagem, com Coração de 5 Pontas, do compositor Helio Ziskind. Trata-se de um CD inteiro com músicas sobre a história do São Paulo.
Tem também os jogadores que atacam de músicos. Carlito Tevez e seu grupo de cumbia é um deles. Já Pelé possui um longo histórico musical, com musicas dedicadas à ele e composições próprias; foi gravado por Maria Alcina, Elis Regina, Sérgio Mendes, entre outros. Dr. Sócrates, ídolo do Corinthians, e Júnior, Flamengo, foram outros que deixaram uma marca no mundo da música.
Enfim, este post esta um pouco passado, mas decidi colocá-lo para tirar a ferrugem dos dias. Tem uma matéria bem bacana sobre o assunto futebol/música, de 2006, que saiu no site UOL. Quem tiver curiosidade, é só entrar aqui.
Boas Batidas e pra frente Brasil (?)

sábado, 22 de maio de 2010

Ele merece

Enquanto a cidade de Porto Alegre/RS presta homenagem ao cantor norte americano Ronnie James Dio, realizando uma missa de sétimo dia, amanhã, na Igreja de Santa Terezinha, bem longe dali, em João Pessoa na Paraíba, começa neste domingo, até o dia 29, a 13ª edição do Festival Nacional de Arte (Fenart), que este ano homenageia o brasileiríssimo maestro, arranjador e compositor Sivuca, morto em 2006.

Sivuca completaria 80 anos, no próximo dia 26.

A programação vai contar com cerca de 160 apresentações, entre palestras, música, lançamentos de livro, além de danças e peças de teatro.

Entre os nomes de peso, estão Hermeto Pascoal com a Orquestra Sinfônica da Paraíba, João Bosco, Dominguinhos e o jornalista Zuenir Ventura.

Ando escasso de assunto, então paro por aqui.

Boas Batidas!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Coisas e coisas

Depois de muito se falar, foi lançado ontem, na Inglaterra, a versão deluxe do clássico Exile On Main Street, dos Rolling Stones. O pacote, além das 18 músicas originais, traz um CD bônus com 10 músicas inéditas, encontradas nos arquivos de Mick Jagger. Tem também a versão super deluxe que traz o documentário Stones in Exile.

A versão deluxe chega hoje no Brasil e Estados Unidos. Já a outra, só importado.

O disco completou, no último dia 12, 38 anos, sendo aclamado por muitos como a obra prima da banda. Coisa difícil, se tratando de Stones, visto a enorme quantidade e grande variedade de material lançado pelo grupo. Gravado num antigo Quartel General da Gestapo, traz faixas clássicas do grupo, num tempo em que a banda estava afogada em heroína e dívidas milionárias.

Clássico absoluto e essencial.

Mudando de assunto, lamentável a morte de Ronnie James Dio, no último domingo. Uma das grandes vozes do rock. Este ano já levou algumas personalidades marcantes da música, independente de estilo ou qualidade. Johnny Alf, Walter Alfaiate, Alex Chilton, Peter Steele e agora Dio tiveram grande papel no seu meio de atuação. Escutei alguns comentários que se Dio não fosse um cantor de rock, seu nome seria muito mais lembrado. Pura balela. Fãs têm a grande mania de sempre se acharem injustiçados, assim como seus ídolos. O talento não é pautado, não tem grau de instrução, diploma, nada disso.

Agora vão começar as declarações de amor, as juras e homenagens. Nada mais justo, desde que não se transforme em oportunismo.

Pra fechar, a Virada Cultural. O bom de um evento desses é a diversidade, e o ruim também. Num festival com muitas atrações, sempre tem aquele show que deixamos pra trás, mais por obrigação do que por gosto, é claro.

Bom, o que eu escutei de gente que foi ao show do Hermeto Pascoal não é brincadeira. Eu não fui, pois o primeiro show na Julio Prestes atrasou. Quando cheguei ao Bulevar São João, estava um pouco vazio. Estranho, pois o próximo a subir no palco, depois de Hermeto, seria o não menos fenomenal Airto Moreira. O show foi muito bom, só o som dos microfones que estava terrível, assim como todos os outros shows que vi.

Só pra ligar Hermeto e Airto, os dois participaram do Quarteto Novo, junto com Theo de Barros e Heraldo Dumonte. Fantástico grupo intrumental brasileiro. Inclusive, Airto acabou tocando um tema do disco.

Mesmo com essa bagagem, o show continuou meio vazio, situação invertida no seguinte: Booker T. Outra lenda, mas num dia pouco inspirado.

Bom, não sei o motivo de ter iniciado esse assunto, então fico por aqui. Boa Batidas.

domingo, 9 de maio de 2010

A herança


Alguns afirmam ser ele o criador da soul music. Carismático, performático, e extremamente talentoso, Sam Cooke é citado por dez, entre dez cantores, como a maior voz do estilo.

A lista inclui Rod Stewart, Steve Perry, Jeff Scotto Soto, Al Green e Solomon Burke como admiradores confessos de Cooke. O cantor dominou as paradas de sucesso por quase 10 anos, com musicas eternamente famosas, como"Bring It on Home to Me", "You Send Me" e "Wonderful World", além de ser um dos primeiros artistas negros a ter total controle de sua obra, através de sue próprio selo e editora, SAR.
Cooke gozava de total prestígio tantos nas comunidades negras como brancas, antecipando o que alguns artistas fariam anos depois. Como tantos outros cantores negros, começou nos corais de igreja, seu pai era pastor Batista, demonstrando muita habilidade ainda criança. No começo dos anos 50, com os Soul Stirrers, lançou-se como artista da Specialty Records. Em pouco tempo já- como artista solo- era uma unanimidade na América, o que foi consolidado em dois discos ao vivo: Live at The Harlem Square Club, e Live At The Copa. Apesar do lançamento tardio, 22 anos após sua morte, Live at Harlem tinha todos os ingredientes que confirmam o título de pai do soul. Performático, uma banda afiadíssima, que incluía o lendário saxofonista King Curtis, uma platéia de operários, o disco é um dos maiores registros ao vivo da história da música.
Em dezembro de 1964, com apenas 34 anos, foi assassinado por Bertha Franklin, gerente de um hotel em Los Angeles, numa história que envolve suposta tentativa de estupro.
Apesar de essa ser a versão contada pelos envolvidos, uma outra, narrada pela cantora Etta James no seu livro Rage to Survive, relata que Cooke foi tão espancado que sua cabeça foi decapitada, as mãos quebrados e esmagados, o nariz esmagado e um buraco de duas polegadas na cabeça. Essas lesões nunca foram explicadas.

Quando Cooke já estava no auge de sua força criativa, outro jovem se lançava no mundo da soul music. Discípulo direto de Cooke, Otis Redding estreou em 1964, com o disco Pain in My Heart, que trazia uma regravação de seu mentor, "You Send Me". Com uma carreira curtíssima, Otis herdou não só o talento, mas também a desgraça de Cooke. Em 1967, no mesmo mês da morte de Sam Cooke, o avião que transportava Otis e sua banda de apoio, os Bar-Kays, caiu no Lago Monona, em Wisconsin, tirando a vida ainda curta, tinha 26 anos, o astro. Tinha lançado, até aquela época, sete discos e emplacado sucessos como "Try A Little Tenderness", uma versão matadora de "Satisfaction" e "Cigarettes and Coffee". Otis deixou muito material gravado na Stax, alguns já lançados, incluindo o clássico The Dock of the Bay, de 1968.

Talento e desfechos parecidos, no que diz respeito ao trágico, marcaram a carreira de Sam Cooke e Otis Redding.
Como disse o jornalista Seth Jacobson, “o mundo da musica tem despejado por aí muitas fraudes e artistas medíocres, e muitos deles prosperam num grau muito acima de seu talento, o que torna ainda mais trágico o fato de Otis Redding ter vivido tão pouco”.
E isso também serve para Cooke.

Boa Tarde e Boas Batidas, com Sam Cooke e Otis Reding.

domingo, 2 de maio de 2010

Daí sai o produto final

O sucesso de uma banda não esta ligado somente ao talento de seus músicos. Um serie de fatores delineiam esse talento. É claro que o principal é a capacidade do musico, mas um cara que tem papel primordial nisso tudo é o produtor musical.

Seja qual for a banda ou estilo, todos tem aquele produtor talentoso no que faz. Não faltam exemplos de bandas que só decolaram com o auxílio de um produtor específico, ou movimentos que ficaram marcados pelas bandas e produtores.

O primeiro exemplo é da banda Van Halen. Se o grupo está há mais de 10 anos sem lançar um disco de inéditas, certamente, se o fizer, o nome do produtor deve ser o de Ted Templeman.

A dupla Van Halen/Templeman trabalhou em seis discos, de 1978 até 1984, com mais de 40 milhoes de cópias vendidas, o que tornou a banda um dos maiores fenômenos de vendas da gravadora Warner. Ainda produziu algumas faixas em For Unlawful Carnal Knowledge, de 1991. Templeman começou produzindo o primeiro disco dos Doobie Brothers e estourou junto com a banda no segundo disco (Toulose Street, 1972), que trouxe o sucesso "Listen to the Music". Além disso, também trabalhou com o Montrose, que contava com o futuro Van Halen, Sammy Hagar. Van Morrison foi outro baneficiado, com destaque para o ao vivo It´s Too Late to Stop Now, de 1974. Quando David Lee Roth saiu do Van Halen, Templeman produziu seu primeiro e bem sucedido disco, o que veio a reafirmar o entrosamento do produtor com o nome Van Halen. O álbum alcançou o 4º lugar nas paradas da Billboard.

Outra dupla afiada foi Robert John "Mutt" Lange e Def Leppard, que trabalharam de 1981 até 1987, o que inclui os discos High´n´Dry, Pyromania e Hysteria. Sendo este último um dos discos mais vendidos de todos os tempos. Assim como Ted Templeman, a carreira de Mutt é marcada por inúmeros sucessos, como Highway to Hell e Back In Black, do Ac/Dc; 4, do Foreigner; Heartbeat City, do The Cars, além de produções para sua ex-mulher, a cantora country Shania Twain. Ainda trabalhou com o Def Leppard no disco Adrenalize, mas na produção executiva. Se o grupo é lembrado em grande parte como uma dos melhores da NWOBHM, muito se deve as intervenções de Mutt.

Falar em produtores e não citar os nomes de Norman Whitfield e Brian Holland é impossível. Esse dois solidificaram o soul e o funk nos anos 60 e 70. Colaboradores da Motown, por suas mãos passaram, entre outros, Marvin Gaye, The Supremes, Four Tops, Temptations e Edwin Starr. A lista de hit singles lançadas sob a batuta desses produtores é imensa, incluindo "Ain´t Too Proud Too Beg", "I Heard It Through The Grapevine", "Run Away Child, Running Wild".

Entre os que marcaram uma cena, o nome de Jack Endino, que produziu Mudhoney, Peral Jam, Soudgarden, Screaming Trees e o primeiro lançamento da banda que delineou os anos 90, Nirvana. Rick Rubin também marcou toda uma cena, quando co-fundou o selo Def Jam, produzindo artistas do Hip Hop, Rap e R&B, como Raisin Hell, do Run- D.M.C. e Licensed to Ill, do Beastie Boys. Além disso, produziu os clássicos Reign In Blood, South of Heaven e Seassons in The Abyss, do Slayer, e tantos outros artistas, como Metallica, Red Hot Chilli Peppers, Shakira e Johnny Cash, a série póstuma American Series.

O Brasil também possui seus mestres na produção. Perna Fróes, Marcelo Sussekind, Pena Schmidt, Liminha, Marco Mazzola, Adelzon Alvez e Guilherme Araújo são alguns deles.

Aliás, os quatro primeiros estavam na explosão do rock nacional nos anos 80, com bandas como Paralamas do Sucesso, Herva Doce, Titãs, Ira!, Magazine, Agentss, Lulu Santos. Adelzon, através do seu programa na Rádio Globo, Amigos da Madrugada, foi um dos responsáveis por nomes como Cartola, Nelson Cavaquinho e Silas de Oliveira serem valorizados como compositores do morro. Lançou João Nogueira, Roberto Ribeiro, além de dar os ajustes iniciais na carreira de Clara Nunes, que mudou o seu estilo ao ter seus discos produzidos por Adelzon.

Já Guilherme Araújo ganhou notoriedade na dirigindo o show ”Recital”, de Maria Bethânia. Teve papel fundamental na Tropicália, e mesmo no exílio de Caetano e Gil em Londres, além de começar a lapidar Gal Costa.

Liminha é outro que merece um destaque. Com produções que vão do puro soul/samba da Banda Black Rio, passando por Cabeça Dinossauro, dos Titãs, Selvagem, dos Paralamas e Nós Vamos Invadir Sua Praia, do Ultraje à Rigor, até a guinada na carreira de Gilberto Gil, com A Gente Precisa Ver o Luar e Um Banda Um o som é certeiro, e mostra uma sonoridade que virou marca registrada do produtor.

Não citei os casos de Quincy Jones/ Michael Jackson e George Martin/ Beatles, pois teria que fazer um texto apenas para cada um deles. E, assim como eles, outros nomes também ficaram de fora.

Ezequiel Neves, Eumir Deodato, Maurício Tapajós, Aloysio de Oliveira, Rildo Hora, Creed Taylor, Milton Miranda (outro que precisa de um post exclusivo), Phil Spector, Tony Visconti, Bernard Edwards e Nile Rodgers (que já falei aqui), Irving Townsend, este post é pra muita gente boa.

Boas Batidas!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O pai dos gênios


Vinte e um de abril; nesta data não faltam comemorações. Aqui no Brasil marca o dia do enforcamento de Tiradentes. É também a data de inauguração do estádio São Januário, do Vasco da Gama; o aniversário da lenda Iggy Pop e da morte da cantora Nina Simone e do técnico Tele Santana. Falando em morte, hoje, faz 100 anos que um dos mais ilustres escritores da literatura americana faleceu: Samuel Langhorne Clemens, o eterno Mark Twain.
Nascido na Florida, em 1835, é tido por grandes escritores, Willian Faulkner e Ernest Hemingway, por exemplo, como o pai da literatura americana.
Hemingway chegou mesmo a dizer que "toda a literatura americana começa com ele. Não havia nada antes. Não há nada depois".
E poder ter certeza que não há muito exagero nessa frase. Twain injetou a “linguagem do povo” nos romances americanos. Começou nos versos e acabou eternizado como criador de duas obras memoráveis: As Aventuras de Tom Sawyer (1876) e Huckleberry Finn (1884), além de Príncipe e mendigo (1881) e Vida no Mississipi (1883). Livros de destaque em meio a sua numerosa bibliografia.
Muito além de literatura infanto-juvenil, os livros trazem um teor crítico e ao mesmo tempo a leveza da vida de um garoto. E tudo isso na já citada linguagem coloquial, de fácil acesso e, nem por isso, descartável.
Ler Twain é viajar pelo Mississipi num barco à vapor, ver as enormes desigualdades raciais que habitavam esse estado (continua assim?), tudo como se fosse algo comum, tal a leveza de suas palavras.
Essas palavras fáceis, certamente, nasceram do fato de que Twain sempre foi uma pessoa que vivenciava os fatos, de maneira extremamente íntima. Daí o realismo escancarado de seus livros.
Escritor essencial, satírico por vocação, assim foi Mark Twain.
Em junho, a casa Sotheby's, da Nova Iorque, irá leiloar um capítulo inédito da autobiografia de Mark Twain. O texto, Rascunho de família (A Family Sketch), contém 65 páginas, dedicadas a sua filha Suzy. O valor esta estimado entre 120 e 160 mil dólares.
Além disso, uma coleção de fotos, cartas manuscritas e textos de Twain, totalizando cerca de 1 milhão de dólares, também serão leiloados.
Se vocês não leram o livro chamado As Aventuras de Tom Sawyer, nada sabem a meu respeito. Foi escrito por Mark Twain, que costuma falar a verdade. Às vezes, exagera um pouco, mas de um modo geral, fala a verdade. Trecho que inicia o livro Huckleberry Finn.




“É melhor merecer honrarias e não recebê-las do que recebê-las sem merecer”.

“Recolha um cão de rua, dê-lhe de comer e ele não morderá: eis a diferença fundamental entre o cão e o Homem”.

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails