sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Os ecos

Escutando o novo som de Mark Ronson, Uptown Funk, fica latente que as marcas de Michael Jackson na música pop contemporânea são indeléveis. Talvez porque o clipe e a música traga Bruno Mars em grande forma, como um Michael ainda dos tempos de Off the Wall, talvez porque Ronson tenha produzido o disco póstumo do ídolo de Gary.

Escutando Uptown Funk, também escutamos Gap Band, e também escutamos Average White Band, e continuamos escutando ecos sem fim de uma época que se perpetua a cada novo acorde, numa cidade que se reinventa como todas as cidades já cansadas de si.

O clipe foi gravado em Nova Iorque, neste ano, mas se acharmos que se passa em fins dos anos 70, fará igual sentido.

E assim é a música, se esgota e se descobre. E o passado, que já parecia roto, ganha uma costura e continua o seu ritmo.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Vão-se os corpos e ficam as consciências

Este dia já começou bem fúnebre, com diversas pessoas de nome partindo para o próximo andar. Assim foram Samuel Klein, Márcio Thomaz Bastos e a Duquesa de Alba, a nada normal María del Rosário. Também partiu o diretor Mike Nichols, mas isso foi ontem, enfim. O fato é que toda essa onda de mortes talvez sirva para não deixar este Dia da Consciência Negra passar batido.

Antes que reclamem, digo que a data não apresenta conscientização alguma, posto que tal ação é fruto de anos e anos de trabalho, e que tal trabalho ainda apresenta sérias sanções e sólidas barreiras. No entanto, já que o assunto é personalidades/morte/consciência negra, nada mais justo do que lembrar da morte, no começo desta semana, do grande Jimmy Ruffin. Para quem não fez a relação, Ruffin foi um dos ótimos nomes que constaram no cast da gravadora Motown, fortaleza da soul music norte americana, e celeiro de dezenas de artistas negros.

Ícone do soul nos anos 1960, principalmente pela gravação de  What Becomes Of The Broken Hearted, em 66, Jimmy só alcançaria o topo novamente no anos 80, quando gravou Hold on to my love.

Irmão mais velho de David Ruffin, que ao lado de Eddie Kendricks formou o duo mais marcante dos The Temptations, Jimmy teve altos e baixos em sua carreira, gravando material que, apesar da expressiva qualidade de sua voz, jamais tiveram o valor e reconhecimento que lhe eram devidos. Uma curiosidade: em 1970, David e Jimmy gravaram um disco juntos intitulado como The Ruffin Brothers: I´m my Brothers Keeper. Reza a lenda que o material serviu para alavancar a carreira de Jimmy, mas isso é história.
Assim, partiu mais uma estrela da Motown Records.

Voltando ao Brasil, e sua, mesmo que obrigada, consciência, solto um trecho de Wake up Everybody, de Harold Melvin and the Blue Notes.

Boas Batidas!

"Wake up everybody no more sleepin' in bed
No more backward thinkin' time for thinkin' ahead
The world has changed so very much
From what it used to be so"



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