quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Os lendários do groove




Benny Benjamim, Al Jackson, Clyde Stubblefield e Jabo” Starks

Hoje estou na pegada da bateria, já que é o instrumento que me dedico. No ultimo post, falei um pouco sobre Roy Haynes. Agora vou comentar sobre algumas das lendárias figuras da black music.
As voltas que a musica da. Quem pode imaginar aonde chegaremos, se pensarmos como as coisas eram feitas anos atrás?
A black music de hoje, com suas batidas manjadas, sem grooves, totalmente eletrônicas, não generalizando, é claro, ainda assim possui, em alguns de seus ritmos, as mais contagiantes levadas da musica.

Voltando no tempo. Um dos grandes responsáveis pelas clássicas levadas da funk music é Clyde Stubblefield; ele praticamente solidificou o ritmo como hoje ele é conhecido. Tudo começou em 1967, quando Mr. Dynamite (James Brown) lançou o disco Cold Sweet, que trouxe a clássica faixa título.

A caixa sendo tocada no lugar do bumbo, na segunda parte da musica, foi a grande inovação daquela faixa. No entanto, antes disso, caras como Al Jackson e Benny Benjamim já lançavam sementes do que viria a se tornar o funk. Jackson foi baterista da gravadora Stax, que contava com o grande produtor de hits, Issac Hayes. Junto com a baixista Donald Dunn desenvolveu o conceito conhecido como “the lock”, que consiste em tocar bumbo e baixo juntos, produzindo, assim, um efeito dançante.
Seu trabalho pode ser conferido no excelente Booker T. & The Mg´s.

Já Benny Benjamim foi responsável por alguns dos primeiros sucessos da Motown, como "I Was Made To Love Her", de Little Stevie Wonder; "I Second That Emotion", com Smokey Robinsosn & The Miracles e "Get Ready", dos The Temptations.

O marcante de seus trabalhos são as viradas usando surdos e tons, espetacular. Vale lembrar que Benjamim foi membro dos Funk Brothers, um grupo de músicos que tocou na grande maioria das gravações da Motown, de 1959 até 1972.

Em outras regiões norte-americanas o funk recebeu novos sotaques, com pegadas de musica latina ou forte influencia do jazz. Neste, talvez o mais notório seja “Ziggy” Modeliste, do The Meters, com sua fantástica independência e a forte marcação no bumbo.

Não me esqueci de Clyde! Dono de um vasto repertorio de grooves, ele recebeu o titulo de baterista mais copiado de toda historia. Não é pra desmerecer os outros, é claro, mas as suas levadas realmente se tornaram um paradigma, quando o assunto é funk.

Outro que se destacou na banda de James Brown foi John “Jab´O” Starks, tão seminal quanto Clyde. Certamente, não haveria como explicar o fenomenal Brown sem citar o nome desses dois marcantes bateristas.

O funk é um ritmo que não tem limites, assim como praticamente todos, quando executado por quem entende o que está fazendo, e isso não diz respeito somente aos leitores de partitura. De 1969 pra cá, são incontáveis os grandes bateristas que deixaram sua marca no funk. Nomes como: Fred White, David Garibaldi, James Gordon, John Robinson, Mike Clark e outros. Cada um com seu próprio sotaque e técnica, essenciais. Uma hora falo um pouco sobre esses caras.
Boa noite, regada à batidas sonoras.

O fino de Mr. Haynes

Talvez a última lenda viva entre os bateristas de jazz, Roy Haynes já passou da meia década de carreira. Trabalhou com Charlie Parker, Lester Young, Stan Getz, Sarah Vaughan, Dizzye Gillespie, Miles Davis e tantos outros notáveis do jazz.

Haynes nasceu em 13 de março de 1925, na cidade de Roxburt, Massachusetts. Iniciou a carreira muito cedo, tocando na Big Band de Sabby Lewis, e ganhou notoriedade em 1949, quando ingressou no Charlie Parker Quintet, onde ficou até 1952.

Outro trabalho de destaque, mesmo sabendo que toda a sua obra seja um destaque, foi o realizado na banda de Chick Corea, com discos como Now He Sings, Now He Sobs e Circling In. Fora os discos, Haynes tocou, e ainda, raramente, toca com Corea, formando uma parceria que atravessa as décadas.

Seu primeiro trabalho solo foi em 1954, Busman´s Holiday. Sua carreira, tirando os trabalhos gravados com outros artistas, já passa de 30 discos, todos recheados do suingue magistral e extremamente técnico de Haynes.

No ano 2000, formou o Roy Haynes Trio, com John Pattitucci na guitarra e Danilo Perez no piano. Para quem quiser um bom apanhado da obra do baterista, procure por Life In Time: The Roy Haynes History, que traz um apanhado de sua carreira, dividido em 3 CDS e 1 DVD.
Vale lembrar que o artista é atemporal, pois, apesar dos seus 84 anos, ainda continua pelos palcos, distribuindo monstruosas figuras rítmicas pelos sues tambores. Seu nome se acentuou como ultima lenda viva, depois da morte de Elvin Jones, ocorrida em 2004.

Assim como Art Blakey, Kenny Clarke, Bob Neel e tantos outros, Roy Haynes é essencial para se compreender o jazz.
Indispensável.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Apenas uma pausa

Não tenho o costume de assistir televisão, é inegável que o teor da mesma não traz bons atrativos pra quase nada. Mesmo nos canais fechados, é bom lembrar.
Apesar disso, não costumo perder o bom e velho futebolzinho de domingo, oh eterno vício brasileiro. No intervalo da partida, uma chamada do fantástico, dizendo que o programa iria falar de um ídolo da musica brasileira que se encontrava desaparecido. No mesmo momento eu pensei no Belchior.
Já faz muito tempo que tento saber por onde anda o artista. Sem notas na imprensa, sem site, sem entrevistas, é como se ele tivesse sumido para sempre, deixando um rastro de sua genial obra, e nada mais.

Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, que nome!, foi repentista e cantador de feira antes de se envolver profissionalmente com a musica. Nascido em Sobral (CE), em 26 de outubro de 1946, antes da musica, ingressou nos estudos de filosofia e, posteriormente, medicina. Não seguiu nenhuma das carreiras.

Sua primeira conquista musical foi com “Hora do Almoço”, no IV Festival Universitário; ganhou o primeiro lugar com a música interpretada por Jorge Melo e Jorge Teles. Ainda naquele ano, teve a composição Mucuripe, dele e de Fagner, lançada no disco Bolso de Pasquim, através do compositor Sergio Ricardo.

Um ano depois, o tema estouraria na voz de Elis Regina, tornando o nome de Belchior mais conhecido no cenário nacional. O primeiro disco, A Palo Seco, saiu em 1974. alem da faixa titulo, o trabalho ainda trouxe boas faixas, como “Todo Sujo de Batom”, "Cemitério" e "Senhor Dono de Casa". O disco inteiro é muito bom, com letras bem estruturadas e uma musicalidade com acentos nordestinos.

Em 1975, lança um dos seus maiores êxitos, o disco Alucinação, que trouxe as eternas "Velha Roupa Colorida" e "Como Nossos Pais". Quatro anos depois sai Medo de Avião, sucesso absoluto, com a faixa título, "Comentário a Respeito de John" e "Conheço o Meu Lugar".

Bom, muitas águas rolaram, Belchior se tornou um dos monstros de nossa musica e sua obra é sinônimo de tremenda poesia. Mas é fato que, nos últimos anos, seu nome foi rareando na mídia, seus shows foram sumindo, escutei centenas de historias, que não vou relatar aqui, e o que é concreto mesmo é que Belchior está na mesma situação de tantos outros mestres da musica brasileira, nas margens.

Não creio que algo horrível tenha acontecido, como ocorreu com o pianista Tenório Jr. durante os anos 70, que simplesmente desapareceu na numa noite argentina, tempos duros no país. Talvez ele tenha cansado de tudo, da falta de espaço, ou simplesmente tenha dado uma pausa enorme na sua carreira.

Digo mais uma vez que pouco suporto assistir televisão, mas acho importante, mesmo que seja raridade, um programa de grande audiência, como o Fantástico, fazer menção a artistas largados por aí. Não é questão de mérito, mas compromisso.

Leia a matéria no G1, que traz a reportagem do Fantástico.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

E a história não para

Brasil, pais famoso por seu povo, que dizem ser hospitaleiro, pela beleza de suas mulheres e pelo suingue de sua musica. Alias, não importa o estilo, o que cair nas mãos dos músicos populares ganha um tempero todo especial. Mesmo aqueles que têm uma formação extremamente clássica, dão um toque brasileiro nas composições.

Mas é inegável que o que carrega mesmo o nome do Brasil nas rodas de musica é o samba. Onde quer que você vá, numa fábrica, num balcão de bar, na rua, num elevador, o samba esta presente no sangue de muitos. Eternos batuqueiros sem escola, mas com a enzima do ritmo correndo pelas veias, invadindo o peito. Como dizia João Nogueira: “Não, ninguém faz samba porque prefere/ força nenhuma no mundo interfere (...)” e por aí vai.

Segundo André Diniz, no seu ótimo Almanaque do Samba, a primeira vez que o termo samba foi usado data de 1838, no jornal pernambucano O Carapuceiro. Já no final do séc. XIX era usada para designar os festejos rurais dos negros, que aconteciam na Bahia.
As origens da palavra sempre são motivos para profunda discussão. Alguns dizem que é o nome de uma dança originaria de Guiné Bissau, outros dizem que tem origem bantu e significa um determinado movimento de um estilo de dança. Bom, seja o que for, o nome tornou-se um sinônimo de Brasil.

A primeira vez que uma gravação contendo o nome samba veio a publico, foi em 1916.
Em 6 de novembro desse ano, Donga (Ernesto dos Santos) entregou uma petição de registro no Departamento de Direitos Autorais, da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, para o samba carnavalesco "Pelo Telefone". A partitura para piano foi feita por Pixinguinha.

No dia 16 de novembro, ainda do mesmo ano, Donga anexou à petição um atestado afirmando que a musica havia sido executada pela primeira vez em 25 de outubro de 1916. Finalmente, no dia 27 de novembro, foi efetuado o registro da composição.

Com tantos anos de vida, o termo já foi agregado a centenas de outros nomes, tais como samba-canção, samba-choro, samba de exaltação, samba enredo e por aí vai. Vale lembrar que toda um pouco dessa historia se deve a Hilária Batista de Almeida, mais conhecida como Tia Ciata. Grande líder dos negros no inicio do séc. XX, no Rio de Janeiro. Na sua casa ocorriam grandes festejos, tendo a musica como grande destaque e forma de expressão dos negros, mestiços e pobres. No entanto, a elite da época também freqüentava a sua casa. Aliás, foi lá que nasceu o já citado "Pelo Telefone".

E assim a história é contada, e nunca, nunca chega ao fim...


domingo, 16 de agosto de 2009

O groove de Nova Orleans e meu Brasil brasileiro

Foi uma bela tarde paulista. Com Sol na medida e um céu pincelado por poucas nuvens, a ida ao Parque do Ibirapuera prometia ser uma boa escolha para quem se aventurou em comparecer e assistir aos shows do Bourbon Jazz Festival. E foi.

No inicio da tarde, às 15h30, entrou em cena a Dixie Square Jazz Band. Meia hora depois foi a vez de Glen Davis Andrews. Até aqui eu não tenho praticamente nada para comentar, visto que cheguei atrasado para ver as duas primeiras atrações, tendo tempo de ver apenas o final do set de Glen Davis.

Já o show de Márcia Ball foi muito bom. Não conhecia a artista, e pesquisando um pouco, descobri que iniciou sua carreira ainda nos anos 70. Lançou o primeiro disco em 1978, Circuit Queen. Começou o seu contato com o piano aos 5 anos de idade, e mostra a sua habilidade nas teclas se apresentando frequentemente nos circuito de clubes em Austin, Nova Orleans e festivais no Canadá, Europa e Estados Unidos. Entre figuras pitorescas, “ares verdes” e latas de cerveja, pude admirar o excelente trabalho dessa artista texana.

Depois do show, era hora de procurar um banheiro, urgentemente. Coisas do corpo humano.
Às 19h00, o palco recebeu a ultima atração do festival: Kurt Brunus Project e convidados especiais, as cantoras Cynthia Bland e Yadonna West. Bem, acabei não assistindo a esse show, pois, fui atrás de comprar um ingresso para o evento que aconteceria no Auditório Ibirapuera: 3 Irmãos. Sendo que eles são, nada mais, nada menos que Amilton, Adylson e Amilson Godoy. Gênios na arte de reger, fazer arranjos, compor, ensinar, enfim.

Depois de comprar a minha entrada, rodei um pouco pelo parque. Quando me deparei com o parquinho, não deu outra, o espírito de criança falou mais alto. Eu e o pessoal que me acompanhava fizemos um pequeno exercício espiritual: brincar. Lógico que o executamos num dos mais clássicos objetos de parquinho, o balanço.

E o tempo passou. Ainda voltamos para o palco do Bourbon Fest em tempo de ver o final da apresentação de Kurt Brunus. Na verdade, só vi mesmo uma releitura para as clássicas "Let´s Get It On" e "Sexual Healing" do papa da soul, Marvin Gaye.

Já estava próximo do espetáculo no auditório. Pouco depois das nove da noite, e as luzes se apagaram. O palco estava extremamente harmonioso. A ala das cordas, dos sopros, duas baterias, dois pianos e percussão.

Depois de uma breve introdução e recomendações da casa, entram Frederico, Adriana e Tico Godoy, filhos dos homenageados, tocando "Linha de Passe". Depois, Amilson, ao piano e Julio Ortiz, no violoncelo, executaram "Bachianinha", do mestre Paulinho Nogueira. Amilson continuou em palco e recebeu Arismar do Espírito Santo, para tocarem Desequilibrando.

O Zimbo Trio, de Amilton, tocou "Incompatibilidade de Gênios". Ao longo do show, os seus envolvidos, com mais de 50 anos de histórias pra contar, fizeram o que sabem de melhor: musica. Só obras primas, como "Facho de Luz", "Zimbo Samba", "Água de Beber", "Gabriela" e "Tristeza Que Se Foi".

No final, uma grata visão, "Aquarela do Brasil" executada a seis mãos, coisa incrível. E pra fechar mesmo, um clássico do samba paulista: "Trem das 11".
Com acompanhamento da orquestra Arte Viva e ilustres, como a baterista Lílian Carmona, o show foi espetacular, coisa de encher os olhos. Só uma lembrança: na platéia, uma figura especial para os Godoy, a matriarca, recebeu uma singela homenagem, um simples Parabéns Pra Você, pelos 95 anos que irá completar.

Depois de tudo isso, chegou o momento de ir embora. Para quem tem carro ou pode pagar um táxi, ótimo. No meu caso, metro, trem e ônibus foi a solução. Mas com uma boa companhia para papear, tudo corre mais tranquilamente. E foi o que ocorreu.
Estava terminado o sábado.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Pequeno comentário sobre uma grande personalidade

Em tempo. Nesse fim de semana fui à exposição GAINSBOURG - ARTISTA, CANTOR, POETA, ETC., que esta sendo realizada no SESC Paulista.
Só a disposição do espaço ja é um grande atrativo para quem visita. Colunas contendo fotos (sexys, picantes, intelectuais), frases, textos e poemas (de autoria do autor ou sobre ele), audios, videos e pinturas, se confrontam com espelhos espalhados pelo local. Depois de andar por alguns minutos tem-se a sensação de que estamos sendo observados por obras de arte, atentas aos nossos mínimos movimentos.

Gainsbourg foi um artista multifacetado, e pode perfeitamente figurar entre as maiores personalidades intelectuais e enigmáticas do sec.XX. Sua mente parecia impenetrável e sem limites, e seu legado ainda não foi totalmente digerido pelas futuras gerações. Li, reli, vi, tornei a ver e sai de lá sem saber ao certo o que foi que aconteçeu. Sua obra é tão densa e ampla que é praticamente impossível se fixar em algo sem que uma grande confusão não aflija a nossa cabeça.

Nascido como Lucien Ginzburg, em Paris, em abril de 1928, e falecido na mesma cidade, em março de 2001, Gainsbourg, alem de musico, foi cineasta, ator e escritor. Sem duvida que a mais marcante de suas facetas foi a musica, onde estreou no ano de 1958 com o disco Du Chant á La Une! Quando começou a compor e empresariar a cantora France Gall sua carreira ganhou um grande impulso.

O artista não foi o que se pode chamar de atraente, no entanto, talvez pela sua apurada inteligência, ou seu jeito de boemio, colecionou casos durante toda a vida, como Brigitte Bardot e Jane Birkin, “só” essas já bastam. O frances foi um exímio desbravador de estilos musicais, sabendo trafegar pelo funk, soul, rock, jazz, reggae com a mesma desenvoltura com que devorava os seus cigarros.

Para quem quiser saber mais sobre o artista, a exposição está aberta até o dia 7 de setembro, às 20:00Hs. Mas, caso perca a oportunidade, pode procurar o livro Serge Gainsbourg: Um punhado de Gitanes.

Quando Ligia ganhou vida

Em 1975, Lucio Alves ainda estava com a voz intacta. Havia 11 anos que o cantor não gravava, e a musica, talvez, não tivesse mais espaço para ele. Lucio foi um dos maiores cantores já nascidos no Brasil e também uma das mais tristes historias de nossa musica.

Cantor dotado de excepcional timbre, o mineiro de Cataguazes nasceu no dia 28 de janeiro de 1927. Sua estréia nos palcos se deu muito cedo. Aos 9 anos interpretou a musica “Juramento Falso”, sucesso do repertorio de seu ídolo: Orlando Silva. Logo, formou o grupo Namorados da Lua; nessa época estava com 14 anos. Se apresentando pelos cassinos da noite carioca, como Atlântico e Copacabana o grupo logo ganhou notoriedade, tendo Lucio como crooner, violonista e arranjador.

A primeira gravação dos Namorados foi um 78 rpm, lançado em 1942, que trazia as faixas “Vestidinho de Iaiá” e “Té Logo Sinhá”, ambas do compositor Assis Valente. Até 1947, data do ultimo lançamento do grupo, gravaram 13 compactos, sendo que o maior sucesso foi a musica “Eu Quero Um Samba” de Janet de Almeida e Haroldo Barbosa.

Depois da dissolução do grupo, Lucio planejava a carreira solo, mas um convite para integrar os Anjos do Inferno, durante uma turnê por Havana, mudou os seus planos brevemente. Os Anjos acabaram como acompanhantes de Carmem Miranda, em 1949. Lucio, no entanto, não seguiu com eles e voltou para o Brasil. De 1948 ate 1964 gravou uma porção de grandes discos e canções. Exemplos disso são Lúcio Alves, sua voz íntima, sua bossa nova, interpretando sambas em 3-D (1959), Cantando Depois do Sol (1961) ou Balançamba, (1963).

E é ai que começa a derrocada do ídolo. Com pouco espaço para se apresentar, não só ele, mas tantos outros nomes da musica brasileira das décadas de 40/50, deixou os shows de lado e se envolveu com produções artísticas.

Bom, voltando ao início do post, em 1975, depois de um longo hiato, lançou o sensacional Lucio Alves. O disco trazia somente composições com nomes de mulher. Ana Luisa, Risoleta, Rosa e, a mais bela gravação já feita dessa música, Ligia, de Tom e Chico Buarque. O que choca no disco, alem dos arranjos extremamente bonitos é a voz madura e potente de Lucio que, mesmo após tantos anos, se manteve intacta.

Esse disco foi um dos últimos suspiros do cantor, que, entre outros, lançou um belo disco com a cantora Doris Monteiro (1978). Em 1993, pobre, doente, inválido, triste e esquecido pelo grande publico, o que não é uma novidade, faleceu de uma parada cardiorespiratoria.

A vida e obra desse artista foi muito mais do que estas pobres linhas tentam demonstrar. O que me levou a escrever este post foi a gravação de Ligia, que realmente é muito marcante. Não somente ela, mas o disco todo. Aliás trabalho em que essa musica foi gravada ficou pouco tempo em circulação, não sei qual o motivo. O fato é que muitos artistas menores ainda possuem todo o seu catálogo para venda, mas isso é outro assunto, que não tem fim, diga-se de passagem.

Nossa música dos outros

Versões sempre foram uma boa forma de homenagear um artista ou, em outros casos, estragar uma boa musica. No Brasil essa prática é habitual, a das versões, com alguns resultados muitos gratificantes e outros, nem tanto.
Abaixo vou relacionar 10 pérolas, talvez essa seja uma palavra exagerada, desse seleto clube de dedicações.
Vamos lá.

1º Mordida de Amor.
Já que se trata de um grande sucesso, resolvi abrir a lista com ela. Em 1988, Zé Henrique (baixo e vocal), Marcelo Azevedo (teclado, guitarra e vocal), Marcelão (bateria e vocal) e Robertinho do Recife (guitarra) formaram o grupo Yahoo. Com um som calcado nas bandas de hard rock americanas, explodiram com “Mordida de Amor”, versão para “Love Bites” do Def Leppard. Essa não foi a unica versão da banda, tendo também “aportuguesado” (que termo, hein!) Journey, Kiss, Scorpions e outras. Em 2008 comemoraram 20 anos, lançando um disco ao vivo, e ainda hoje continuam na mesma.

2º O Amor e o Poder

Rosana Fiengo marcou a sua carreira com essa música. A versão de “The Power of Love (You Are My Lady)” fez grande sucesso em 1985, gravado pelo Air Supply. Por aqui, estourou em 1987, quando a musica entrou na trilha sonora da novela Mandala.
Apesar de ser estigmatizada pela gravação, Rosana possui uma vasta obra, gravando boleros, rhytm and blues, dance e outras. Entre umas e outras, marcou seu nome no cancioneiro popular. Só pra constar, Rosana já foi indicada 9 vezes para o Prêmio de Música Brasileira, ganhando na categoria “melhor cantora popular” por 5 vezes. E sua madrinha de carreira é ninguém mais, ninguém menos que a grande Leny Andrade. Vai entender.

3º Descansa Coração
Em 1989, Nara Leão lançou o seu último disco, intitulado My Foolish Heart. A musica, de autoria de Ned Washington e Victor Young, é um dos grandes clássicos do jazz, já sendo tocado por Bill Evans, John McLaughlin, Al Jarreau e outros. Com uma versão de Nelson Motta, a canção foi a última faixa do último disco de Nara, e sua letra é quase como um adeus da cantora. “Hoje eu quero somente esquecer/ Quero o corpo sem qualquer querer/ Tenhos os olhos tão cansados de te ver/ Na memória, no sonho e em vão... Cansei de esperar/ Agora nem sei mais o que querer/ E a noite não tarda a nascer/ Descansa coração e bate em paz”. Linda e triste despedida.

4º Garoto Último Tipo
Não é propriamente um clássico, tampouco conhecida de muita gente. Essa musica foi gravada por Elis Regina no primeiro disco da cantora, Viva a Brotolândia, de 1961. Com um repertório recheado de canções juvenis, embaladas pela época, o disco não dava sinais da grande cantora que Elis iria se transformar. Ah, a música em questão é uma versão de “Puppy Love”, de Paul Anka, que ganhou letra em português de Fred Jorge. E já que estou falando de Elis, em 1976, já consagrada, lançou o disco Falso Brilhante, que continha a versão de “Fascinação (Fascination)” de F. D. Marchetti e M. de Feraudy, um grande sucesso que já havia conquistado grande destaque na voz de Carlos Galhardo. A musica passou para o português pelas mãos de Armando Louzada.

5º O Astronauta de Mármore
Essa não poderia ficar de fora. Lançada em 1989, no segundo disco da banda gaúcha Nenhum de Nós, Cardume. Essa versão de “Starman”, de David Bowie, é um grande sucesso no rock nacional, sendo presença certa nos shows da banda até hoje. “Sempre estar lá/ E ver ele voltar...”

6º O Amor Vem Para Cada Um
Que George Harrison sempre foi um músico dotado de enorme feeling, ninguem pode negar. Autor de inúmeros sucessos, em 1979 lançou um disco auto-intitulado, o 8º de sua carreira. O maior êxito do trabalho foi a música “Love Comes To Everyone”. Em 1983 Zizi Possi já era uma artista consagrada. Com um repertório moderno e uma voz limpa e afinada, estava com o sucesso de “Asa Morena” na boca do povo. No disco Pra Sempre e Mais um Dia, Possi emplacou o sucesso “O Amor Vem Pra Cada Um”, que contou com a participação do pessoal do Roupa Nova, alias em boa parte do disco. A versão, de Beto Fae, se tornou um dos maiores sucessos da paulistana.

7º Calúnias (Telma Eu Não Sou Gay)
Os maiores sucessos de João Penca & Seus Miquinhos Amestrados foi o primeiro disco da banda, lançado em 1983. A musica é uma versão para “Tell Me Once Again”, gravada pelo grupo Light Reflections no início da década de 70. Apesar do nome em inglês, eles eram brasileiros, mas navegavam naquela onda de gravar em outro idioma, coisa que Fabio Junior, Morris Albert, Dave McLean, e tantos outros brazucas fizeram. A original virou hit da novela Uma Rosa Com Amor, de 1972. A versão de João Penca, como de costume, se transformou num total deboche. A história de um homem que tenta, de toda maneira, apagar o seu passado “complicado”.

8º Nada Mais
A musica “Lately” é de autoria de Stevie Wonder, que a gravou no disco Hotter Than July, de 1980. Pelas mãos de Ronaldo Bastos ganhou uma bonita versão em português, gravada por Gal Costa no disco Profana, de 1984. Posteriormente, também foi gravada por Sandra de Sá, num disco/tributo a Motown.

9º Demais
A bela Verônica Sabino, filha do inestimável Fernando Sabino, após 5 anos com o grupo Céu da Boca, com quem gravou 2 discos, estreou em carreira solo no ano de 1985. Demais, de Zé Rodrix e Miguel Paiva, é uma versão para "Yes, It Is", de Lennon e McCartney. Verônica gravou a musica no seu primeiro disco, Metamorfose, mas ela estourou mesmo um ano depois, ao entrar na trilha sonora da novela Selva de Pedra. Foi um dos maiores sucessos radiofônicos de 86.

10º Não Chore Mais
Talvez a mais famosa das versão presentes nesta lista. A musica é uma versão para No Woman, No Cry, do jamaicano Vincent Ford. "No Woman(...)" ganhou notoriedade quando Bob Marley a gravou no disco Natty Dread, em 1974. A versão de Gilberto Gil foi gravada entre março e abril de 79 e, apesar de ser um dos grandes sucessos do disco Realce, so entrou no mesmo porque o compacto, que continha "Macapá", de um lado, e "Não Chore Mais", do outro, estourou em todo o Brasil.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Talento além dos olhos

Steveland Hardaway Judkins já é um artista mais que consagrado. Com mais de 40 anos de carreira, centenas de sucessos e um talento, realmente, nato, provavelmente nem o próprio Stevie Wonder, no inicio dos anos 60, pensou que chegaria a esse patamar.
Reza a lenda que o astro assinou com a Tamla/Motown ainda criança, 10 anos. Foi através de Ronnie White, dos Miracles, que o vira tocar harmônica e prontamente o apresentou ao chefão Berry Gordy.

Logo, Stevie começou a trabalhar em conjunto com o produtor Clarence Paul, no que iria gerar seus dois primeiros álbuns: A Tribute to Uncle Ray, uma homenagem a Ray Charles, e The Jazz Soul of Little Stevie, onde, incrivelmente, ele tocou todos os instrumentos. O álbum trouxe a instrumental “Fingertips” que, no disco seguinte, The 12 Years Old Genius, contaria com a segunda parte, se tornando um dos primeiros sucessos da gravadora e, claro, do cantor.

A carreira do garoto logo ganharia mais sucessos, como “Uptight (Everything´s Alright)”, “Little Water Boy”, e “Workout Stevie, Workout”. Com a regravação de Blowin´ In The Wind, de Bob Dylan, em 66, o artista tentou dar inicio a sua faceta de ativismo. No entanto, a Motown não deu asas para isso, e demoraria alguns anos para que Stevie pudesse ganhar liberdade autoral sobre seus discos.

O disco I was Made To Love Her, de agosto de 1967, mostrou um cantor já próximo da maturidade. Além da faixa título, seu outro grande sucesso, após “Fingertips Pt. 2”, o disco trouxe as regravações de “Please, Please, Please”, de James Brown; “Respect”, de Otis Redding, que havia sido gravada por Aretha Franklin em abril daquele ano, alcançando as primeira posição nas paradas Pop e R&B e My Girl, a musica que ficou famosa na versão dos Temptations.

Depois vieram For Once In My Life, em 1968, e My Cherie Amour, no ano seguinte. Com isso, a carreira de Stevie estava consolidada. Já havia lançado 13 álbuns, com 16 musicas nas paradas americanas e 10 nas inglesas. E ele só tinha 19 anos.

Para quem quiser escutar alguns de seus primeiros sucessos, uma boa pedida, fácil de achar e preço razoável, é o disco Stevie Wonder: Early Classics, que traz 18 faixas do inicio de sua carreira, pega a fase de 1962 até 1969.

Uma curiosidade: Stevie não nasceu cego. Ele foi um bebê prematuro e teve que ficar em tratamento na incubadora, recebendo oxigênio. No entanto, o processo lhe causou algo chamado retinopatia da prematuridade, crescimento desorganizado dos vasos sangüíneos que suprem a retina. Esses vasos podem sangrar e, em casos mais sérios, a retina pode descolar e ocasionar a perda da visão. Um fator que pode ocasionar a doença é o uso irracional de oxigênio no berçário.

Será que muda alguma coisa?

E uma boa noticia para quem não aguenta mais ter os bolsos perfurados pelo preço de produtos audiovisuais. Foi aprovado ontem, por uma comissão de 18 deputados, um parecer para o projeto que prevê isenção total de impostos para produção e comercialização de CDs e DVDs de musica brasileira.
O projeto deve ser apreciado pela Câmara em setembro, depois pelo Senado. Caso obtenha êxito, o preço dos produtos pode sofrer queda de até 25%. Além dos produtos físicos, fonogramas comercializados por celular e pela internet também podem sofrer isenção.
Segundo o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) a proposta visa "atualizar a Constituição ao que significa o mercado da música no século 21" e abrir "espaço para que a comercialização [de música] na internet possa evoluir de maneira formal".
É bom não criar muitas expectativas sobre isso, pois livros, que também possuem isenção fiscal, estão longe de figurar entre os preços baixos.
Não deixa de ser uma boa noticia, mas é melhor esperar os desdobramentos que virão. Se isso vai combater o mercado pirata ou não, e se os preços realemnte irão baratear ou será apenas algo mascarado.
Fontes: G1

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Mais uma

E seguindo a onda dos supergurpos, Chikenfoot, Bad Lieutenant, agora surge o Them Crooked Vultures. Formado por Dave Grohl (Foo Fighters), John Paul Jones (Led Zeppelin), que apareçe na foto ao lado, e Josh Homme (Queen Of The Stone Rage), o projeto, segundo Grohl, já vem de tempos. Aliás, os rumores vêm desde 2005.

Recentemente, o guitarrista declarou que haverá uma longa pausa nas atividades do Foo Fighters, apesar de terem três apresentações marcadas para o mês de setembro.

O grupo já tem um show marcado para o próximo dia 8, em Chicago. Agora é esperar para ver se sai coisa boa disso tudo, visto que as duas citadas no começo não acrescentaram muita coisa à carreira de seus envolvidos, parecendo mais uma diversão.

Para quem quiser dar uma olhada, a banda já possui um site e o seu Twitter, apesar de ainda não mostrarem nada.
Fontes: G1

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O letrista do mês (Aldir Blanc)

Existe mesmo o melhor? Quem foi que inventou esse termo tão “exclusivo”, no sentido de deixar tantos de lado em detrimento apenas de um único. Isso é papo velho, que nunca levou ninguém para lugar algum. Tudo o que conseguimos com isso é uma calorosa discussão, que acaba em pancada, das boas, diga-se de passagem.

Quantas vezes já não escutamos por aí: “ninguém entende as mulheres como o Chico Buarque”, “ah, o Vinícius é o ‘grande poetinha’ de nossa musica”, “Raul Seixas foi o filosofo do rock nacional” ou “Renato Russo foi o poeta de uma geração”. Oras, oras, mas que papo sem pé nem cabeça. Não adianta, as pessoas sempre colocam seus gostos pessoais como a verdade plena e irrestrita, sem direito a erro ou contestação.
Será que Fausto Nilo, Paulo Vanzolini, Haroldo Barbosa, David Nasser, Luiz Gonzaga, Fernando Brant, Paulinho da Viola e tantas outras centenas de compositores são menores por nem sempre serem citados por suas letras? Bobeira.

Sabemos que poesia não é só aquilo que rima, com sua métrica perfeita, seus sonetos carregados de amor, tristeza e um toque de otimismo. O cotidiano viciante, o vai-e-vem das horas perdidas numa fila, os encontros e despedidas nas estações de trem, tudo pode se transformar numa bela letra, dependendo do ângulo e da perspicácia de quem escreve.

Bom, não vou me alongar nesse assunto sem fim. Continuarei com os meus preferidos, mesmo sabendo que não são os melhores, pois, espero, neste país tão rico em suas letras sempre vai brotar uma pena dotada de acidez, inteligência e humor.
A partir deste post vou comentar regularmente sobre uma letra/letrista que me agrade. Pra começar, vou com uma do grande Aldir Blanc, mestre em tramas do cotidiano. Nesta, narra o tormento da mulher que "comemora" as ruínas de suas bodas de prata, com o marido "cheirando à cerveja" e murmurando o nome da outra. São centenas as suas letras, difícil escolher uma, mas vamos lá.








Bodas de Prata

Aldir Blanc/João Bosco
Você fica deitada
de olhos arregalados
ou andando no escuro
de penhoar...
Não adiantou nada
cortar os cabelos
e jogar no mar.
Não adiantou nada
o banho de ervas.
Não adiantou nada
o nome da outra
no pano vermelho
pro anjo das trevas.
Ele vai voltar tarde,
cheirando à cerveja,
se atirar de sapato
na cama vazia
e dormir na hora
murmurando: Dora...
mas você é Maria.
Você fica deitada
com medo do escuro,
ouvindo bater no ouvido
o coração descompassado
É o tempo, Maria,
te comendo feito traça
num vestido de noivado.

Um bolachão esquecido

Praticamente um desconhecido para muita gente, inclusive para este que escreve, Amado Maita foi um dos ilustres músicos da noite paulistana na década de 70.

Com uma vida muita curta, faleceu com 57 anos, e uma carreira fonográfica menor ainda, lançou apenas um disco auto intitulado, em 1972. Tive contato com sua obra faz pouquíssimos dias, e o que me chamou a atenção, fora sua voz, foi a musicalidade muito próxima ao que Milton Nascimento fazia em inicio de carreira. Uma mistura muito moderna de samba e jazz, acompanhada pelo sensacional Edison Machado na Bateria.

O disco é realmente muito bom, possuindo composições do próprio Maita e outras alheias. Faixas como “Reflexão”, “Samba do Amigo” e “Mariana” e “Sabe Você”, de Vinícius de Morais, mostram um artista dotado de extremo bom gosto. Com um timbre de voz melancólico na medida, boas letras e um excelente time de músicos o trabalho de Maita é uma pérola perdida na multidão.

Uma curiosidade. O pianista Guilherme Vergueiro, que participou do trabalho, diz que o Quinteto de Edison Machado foi chamado para tocar no disco. No entanto, Vergueiro e Edison foram expulsos pelo produtor, por serem “muito loucos”; foram pegos fumando um baseado no telhado do estúdio. Sendo assim, os dois gravaram apenas uma faixa, e não se sabe quem assumiu o lugar nas outras.

Como é raro encontrá-lo, resta a oportunidade de baixar uma cópia. Isso é muito mais fácil. Vale a pena.

Músicos :
Ion Muniz : Sax
Silas : Trombone
Guilherme Vergueiro : Piano*
Ricardo Pereira dos Santos : Baixo
Edison Machado : Bateria*
Arranjos : Mozar Terra
Músicas :
01 - Samba de Amigo
02 - Mariana
03 - Os Mergulhadores
04 - Cemiterio dos Vivos
05 - Piedade
06 - Gestos
07 - O Monstro Verde do Mal
08 - Sabe Voce
09 - Não Me Diga Adeus
10 - Reflexão

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Guerra Fria

Parece que as entidades de direitos autorias e as pessoas que baixam música nunca vão chegar a um acordo. Recentemente, um estudante americano foi multado em US$ 675 mil por baixar musicas de uma forma ilegal. Isso esta se tornando uma coisa sem controle, principalmente por parte das pessoas que possuem os direitos sobre as gravações.

O estudante Joel Tenenbaum baixou e compartilhou cerca de trinta musicas, e foi condenado a pagar aproximadamente US$ 22.500 por cada faixa. É algo completamente sem cabimento, e extremamente jocoso. Em junho deste ano, a Associação da Indústria Fonográfica dos Estados Unidos (da sigla em inglês RIAA) condenou Jammie Thomas-Rasset a pagar uma multa, porém, muito superior ao valor estipulado para Tenenbaum: US$ 1,9 mi de dólares. 80 mil dólares por cada uma das 24 faixas baixadas.

O preço em media de um CD é de R$25,00. Incluem-se aí lançamentos, catalogo e edições simples. No caso de importados, edições especiais e raridades o preço, no mínimo, duplica. É claro que estou analisando o mercado nacional. Eu sou um aficionado por CDS e realmente encontro problemas em achar o que gosto. Tanto artistas estrangeiros como nacionais. Este é sem comentários. São incontáveis os discos clássicos de bossa, samba, baião e outros que alimentam o mercado internacional e nunca, jamais um brasileiro nato, amante de sua musica, irá colocar suas mãos neles, ao menos que desembolse uma boa quantidade de dólares.

O mercado fonográfico esta passando por uma terrível crise. Artistas de renome estão batalhando pelo direito sobre suas próprias músicas, e, muitas vezes, é extremamente mais vantajoso você mandar vir um produto de fora via gravadora/internet do que tentar importá-lo através de uma loja.

Ao mesmo tempo em que cresce o cerco contra o download ilegal, empresas de softwares/informática, celulares e eletroeletrônicos dão cada vez mais ferramentas para que a troca de arquivos seja filmes, livros, música ou jogos se tornem uma pratica comum no cotidiano de todos.
Esse assunto de download já está sendo amplamente discutido faz algum tempo. No entanto, ninguém encontra uma solução racional. Liberar geral, dissipar a curiosidade alheia? Quantos anos mais para que tudo isso fique em ruínas?
Fontes: UOL; Olhar Direto

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