sexta-feira, 31 de julho de 2009

O gênio peruano

Um jovem estudante de direito, jornalista da Radio Panamericana. Uma típica família, com todas as suas neuras, erros, sempre mais?,­ e acertos. A vida reinava tranquilamente no bairro de Miraflores, em Lima, Peru. O jovem estudante demonstrava grandes pretensões literárias e, a cada conto escrito, aludia a um determinado estilo com seus heróis da literatura: Borgers, Faulkner, Hemingway. Proust e outros.
Se o livro tivesse somente esse enredo, já seria, de todo?, digno de ser lido, no mínimo, com uma olhar curioso e ávido.
Eis que no decorrer da historia, quase ao mesmo tempo, entram dois personagens que dão o tempero complementar ao enredo: o novelista Pedro Camacho, e a recém-divorciada Julita. Ambos interferem diretamente na vida do jovem escritor.
Camacho veio da Bolívia com fama de grande escritor de radio-novelas, que mostra realmente ter incrível aptidão, mas devido a uma intensa sucessão de novas tramas, dia após dia, acabam se embaralhando, resultando numa metamorfose de personagens que pulam de historia em historia.
Já Julia, também boliviana, vai a Miraflores para descansar e obter um novo casamento. No entanto, acaba cruzando seu caminho com o (meio parente) jovem estudante e jornalista da Panamericana. E o romance está feito. É claro que não vou narrar meticulosamente as passagens do livro, coisa desnecessária de dizer, certo?
No livro Tia Julia e o Escrevinhador, Mario Vargas Llosa, um grande ícone da literatura, não só latino-americana, mas mundial, narra, ao mesmo tempo, a historia do Jovem Marito e a sua própria historia.
No entremeio, as novelas de Pedro Camacho, com suas criticas aos “hermanos platinos”, sua linguagem rebuscada e seus personagens cinquentões e com narizes aduncos, cobrem com um tom jocoso, inteligente e sagaz este excelente livro.
O ultimo capitulo é praticamente uma autobiografia da Vargas, onde narra seu casamento, a pesquisa para alguns de seus romances, Conversa Na Catedral e A Guerra do Fim do Mundo, o tempo em que viveu e trabalhou na Europa e outras fases, mas tudo isso como se fosse narrado por Marito. Mais uma obra atemporal, desse gênio das palavras.

Para quem quer ir além, no livro Conversas com Vargas Llosa, escrito pelo jornalista Ricardo A. Setti, o escritor peruano relata como foi o processo de criação do livro Tia Julia(...). No principio seria apenas uma historia sobre um escritor de novelas de rádio, que ele conheceu no inicio dos anos 50, quando trabalhava na Radio Central, em Lima.
Em certo momento, como contrapartida as novelas de Camacho, resolveu introduzir uma historia pitoresca e real, sem perder, no entanto, o tom “rocambolesco” das mesmas.
Com o seu humor fino e inteligente, e sua aguçada pena, romançeou a realidade de maneira ímpar.
Sendo assim, colocou o seu romance com Júlia Urquidi Illanes, irmã da esposa de seu tio, como um plano de fundo, ou as novelas que fazem fundo ao romance de Julia e Marito?
Um livro imprescindível.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Apenas boato?

E seguindo as especulações, que já rodam há algum tempo, o site SongKick, especializado em agendas de shows pelo mundo, anunciou as possíveis datas de Paul McCArtney pelo Brasil. O inglês deverá se apresentar nas cidades do Rio de Janeiro (16/4/2010), no estádio do Maracanã; em São Paulo (18/4/2010), no estádio do Morumbi, na Esplanada dos Ministérios (21/4/2010), em Brasília, e na cidade de Recife (23/4/2010), no estádio Arruda.
Apesar de ainda serem somente boatos, os brasileiros provavelmente não terão outra chance de ver McCArtney, que já se apresentou por aqui em 1990 e 1993. Esta provavelmente será sua última megaturnê mundial.
As assessorias dos estádios do Morumbi e do Maracanã disseram não haver nenhuma data reservada para shows. No site do britânico, também não há nenhuma data reservada para o Brasil. Segundo a coluna Radar, da revista Veja, a prefeitura do Rio estava negociando para que o show do ex-beatle ocorresse nos mesmos moldes dos Rolling Stones, em 2006. Inclusive no mesmo local: a praia de Copacabana.
Recentemente, em Nova Iorque, o músico fez um show na rua para milhares de fãs.
Vamos ver no que dá.

Fonte: Portal UOL

Além do nome

Mesmo com um processo em andamento, as coisas em torno do nome Black Sabbath continuam causando dores de cabeça. Recentemente, o guitarrista Tony Iommi anunciou que vai criar uma serie de filmes de terror com o nome de sua eterna banda. O musico registrou a marca Black Sabbath como sua propriedade no ano 2000, no entanto enfrenta um processo aberto por Ozzy Osbourne pelo uso do nome. Ozzy diz que a marca deveria pertencer aos quatro membros da banda: Geezer Butler, Bill Ward, Iommi e ele.
É uma pena que uma banda tão incrível e imprescindível para a história do rock se encontre numa briga inútil de dois senhores e seus agentes.
Atualmente, Iommi está na estrada com o Heaven & Hell, na Bible Black Tour, promovendo o disco The Devil You Know, uma reencarnação da fase Dio no Black Sabbath.
Voltando aos filmes, serão produzidos por Mike Fleiss, que trabalhou em O Albergue 1 e 2 e a refilmagem de O Massacre da Serra Elétrica. Iommi escreverá as trilhas sonoras e também estará envolvido com o enredo.
Leia a notícia no The Guardian, ou no G1.

Para lembrar os bons tempos de banda, três petardos:
Snowblind, do disco Vol.4;
Psycho Man, do disco Reunion
Sabbra Cadabbra, do disco Sabbath Bloody Sabbath.


Black Sabbath - Snowblind


Black Sabbath - Psycho Man


Black Sabbath - Sabbra Cadabra

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A formula que dá certo

Gravado durante o ano passado e lançado em março deste, o álbum Yes é o que se pode chamar de um disco perfeito. Isso não é uma grande novidade, pois, se tratando do Pet Shop Boys, eles já chegaram lá com discos como Actually, de 1987 e Introspective, 1988.
O duo inglês foi formado por Neil Tennant e Chris Lowe e iniciou as atividades no inicio da década de 80. O primeiro disco, Please, veio em 86; de lá pra cá já lançaram 10 discos de estúdio com mais de 30 musicas nas paradas de sucesso da Inglaterra.
Depois de três anos sem lançar material inédito, voltaram às paradas com Yes, produzido pelo próprio duo e pelo Xenomenia, um grupo de produtores. É difícil apontar as melhores do disco, desde o primeiro single, “Love etc”, passando por “Vulnerable”, “All Over The World” ou “The Way I Used To Be”. As letras caminham pelo otimismo, relacionamentos e protestos, com destaque para a voz de Tennant que continua excepcional e para o trabalho de teclados.
O álbum foi lançado em vários formatos, inclusive uma versão especial em vinil.
Extremamente recomendável.

FAIXAS:

1. Love etc.
2. All Over the World
3. Beautiful People
4. Did you see me coming?
5. Vulnerable
6. More Than a Dream
7. Building a Wall
8. King of Rome
9. Pandemonium
10. The Way It Used to Be
11. Legacy

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A falta do sarcasmo

Rio de Janeiro, inicio da década de 20, mais precisamente 1923. O casal Rangel Porto ganha, no dia 23 de janeiro, um garoto. Ate aqui, nada de mais. Entre tantas famílias daquele Rio ainda boêmio, sem as apelações do Carnaval, tiroteios de traficantes, a constante guerra por domínios, a decadência do futebol carioca, a vinda de uma criança representava apenas a propagação de uma família. No entanto, poucos anos depois, o pequeno Sérgio Marcos Rangel Porto, sobrinho do grande Lúcio Rangel, viria a se tornar um dos maiores e mais devastadores cronistas que já brilharam neste país.

Dono de uma escrita formidável, onde se destacava a permanente inteligência ácida e o sarcasmo, Sergio dominou por quase 20 anos as colunas da imprensa.
Fora o impresso, trabalhou no rádio e na TV, ainda no formato inocência/inteligência, com programas inovadores, entre eles o Jornal de Vanguarda, um dos marcos da extinta TV Excelsior, que inovou com a sua dinâmica e criatividade nas apresentações.

Além disso, Lalau foi um dos grandes pesquisadores do Jazz e da musica brasileira, defendendo bravamente o choro e o samba. O livro Pequena Historia do Jazz, editado pelo Serviço de Documentação do Ministério da Educação e Saúde, em 1953, foi o primeiro a falar sobre o assunto no Brasil; autoria de Sergio Porto. Mas foi como cronista que Sergio se destacou, sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta.
Esse nome surgiu quando Sergio Porto, que trabalhava no jornal Ultima Hora, na seção de musica popular, foi chamado para substituir seu tio, Lúcio Rangel, nas paginas sobre cotidiano, traduzindo: as vagabundagens da alta sociedade da época.
Sergio aceitou, mas com uma condição: teria que usar outro nome e abusando da gozação. Entre boatos e dúvidas diz-se que Rubem Braga lhe havia dado um toque sobre qual apelido usar, partindo do personagem Serafim Ponte Grande, de Oswald de Andrade. Porem, em crônica publicada no dia 4 de dezembro de 1956, Sergio faz alusão ao pintor Santa Rosa como sendo dele a sugestão de idealizar um personagem inovador, dotado de faro fino para comentar a sociedade.
Duvidas ou não, Stanislaw marcou para sempre a nossa literatura, com 7 excelentes livros. Como Sérgio Porto, lançou A casa Demolida, em 1963 e As Cariocas, em 1967.

O autor foi um legitimo boêmio carioca, envolvido em diversos romances, com um retrospecto arrasador quando o assunto era o sexo feminino. Apesar desse ritmo notívago, se entregou de corpo e alma à sua profissão, sendo apontado constantemente como exemplo de funcionário, incansável batalhador das teclas.
Criou personagens notáveis, como o ladino Primo Altamirando e a sábia e vivida Tia Zulmira, cada um ao seu modo, representando uma das facetas do grande autor.
Além disso, foi um grande cronista esportivo, tendo cobrido as copas de 58, 62 e 66.
Não bastasse esse extenso currículo, o famoso O Pasquim, teve suas raízes vindas de Sergio. No último ano de vida, Stan lançou o tablóide A Carapuça, que durou até o quinto número. Nove meses depois, Tarso de Castro, Murilo Pereira Reis, que havia sido sócio de Sergio no tablóide, Sergio Cabral e Jaguar decidiram fazer um jornal que seguisse o mesmo estilo de A Carapuça, o resto é historia.
Na madrugada que antecedeu o inicio de outubro de 1968, depois de uma pontada fulminante no coração, Stanislaw Sergio Ponte Porto Preta, deixou os brasileiros sem um dos seus grande heróis. O país que, ainda hoje, e como, é assolado pelo FEBEAPA (Festival de Besteiras Que Assola o País), outra cria de Sérgio, perdeu naquela madrugada a fina pena da crônica brasileira.
A primeira vez que tomei contato com o escritor foi em meados de 94. No auge dos meus 11 anos, fiquei completamente deslumbrado pelo estilo de narrativa irrepreensível daquele carioca.

Em 1998, 20 anos depois de sua morte, o jornalista Renato Sérgio lançou Dupla Exposição. O livro traça um perfil do Rio descrito no inicio deste texto, mas com um atrativo especial: Sergio Porto. Em pouco mais de 300 paginas, Sergio, talvez devido ao sobrenome (!!!) descreve de forma deliciosa, com depoimentos, crônicas e fatos históricos, sem se preocupar com uma linha de tempo, a fascinante trajetória de Stan.
O livro, que não é uma biografia, como a conhecemos, e mais se assemelha a um misto de crônica e perfil, tem um ritmo alucinante. Méritos do autor, que nos delicia com uma linguagem extremamente próxima a de Stan.
“É como se a flor dos Ponte Pretas voltasse do passado para nos provar que, na verdade, nunca esteve tão presente”, escreveu Ruy Castro no final do livro.
Na edição de Agosto/08, a revista Brasileiros publicou uma boa matéria sobre os 40 anos de morte de Sergio. Como homenagem é uma coisa ainda em fase de descoberta no Brasil, vale a pena dar uma conferida.

Ainda uma boa safra

Alguns torcem o nariz, dizendo que não esta entre os grandes momentos do grupo nos anos 70. Outros idolatram como uma das grandes formações que a banda teve. Come Taste The Band, lançado em 1975, apesar de tudo isso, é um bom disco do tradicional Deep Purple.
Após a saída do conturbado e polêmico Ritchie Blackmore para formar o Rainbow, os integrantes tiveram a dura missão de substituir o eterno ídolo. Tommy Bolin, na época um jovem de 24 anos e que já havia tocado com nomes como James Gang e o incrível baterista Billy Cobham, no seu álbum de estréia, Spectrum, foi o escolhido. Aliás, este álbum foi exatamente o responsável pela escolha de Bolin. David Coverdale se lembrava de um incrível guitarrista que havia gravado Spectrum. Após alguns telefonemas, Bolin já estava reunido com a banda.
O álbum segue a mesma linha do anterior, Stormbringer, com pitadas de funk, influência de Glenn Hughes, a possante voz de Coverdale, o estreante, Bolin e o restante da formação clássica.

As duas primeiras musicas, “Comin´Home” e “Lady Luck”, seguem uma linha mais tradicional do hard-rock praticado pela banda. Com bons fraseados de Bolin e as famosas levadas de Ian Paice na bateria.
Já na próxima faixa, Gettin´Tighter, impera o tempero funk. Com um vocal no melhor swing Marvin Gaye, com direito a falsetes, Glen Hughes impera.
O disco segue num ritmo simples, sem grandes inovações, até chegar às duas últimas faixas: “This Time Around/ Owed To ‘G’” e “You Keep On Moving”. Na primeira, a interpretação de Glenn Hughes segue com os vocais na linha de Stevie Wonder, sua influência declarada, que, acompanhados de uma bonita cama de teclados, transformam a musica numa das mais emotivas do disco, até cair na parte instrumental, onde a banda demonstra toda a sua capacidade de criação.
A ultima musica do disco, que é a mais famosa, foi composta por Coverdale e Hughes. Ambos dividem os vocais nesta que, também, é uma bonita balada, fechando o disco em grande estilo.
Come Taste The Band não esta entre os maiores destaques do grupo, ficou em 19° nas paradas inglesas e 42° nos Estados Unidos. Com ele, se fechou o ciclo de David Coverdale, Glenn Hughes e Tommy Bolin na banda. O primeiro se lançaria ao estrelato com o Whitesnake, onde conquistaria arenas de fãs. Hughes se envolveu com inúmeros artistas, entre eles, Black Sabbath e Pat Thrall. Lançou bons discos solo e continua na ativa, com a voz ainda em grande forma.
Já Bolin não teve um grande fim. Em 1976, afundado nas drogas, Bolin perdeu a batalha para a heroína. Um grande talento que deixou, apesar da pouca idade, uma boa quantidade de bons trabalhos, como, o já citado Spectrum, de 1973; seus dois discos solo, Teaser, de 75 e Private Eyes, de 76; Bang e Miami, do James Gang, lançados respectivamente em 1973 e 1974.

sábado, 18 de julho de 2009

Um negócio de família

A musica negra já produziu algumas centenas de milhares de clássicos, hoje muitos são sampleados por diversos artistas como fonte inesgotável de influência. Entre os artífices, pilares, ou seja lá como quiser chamar, se encontra a instituição do funk, senhor Sylvester Stewart e seu aclamado Sly & the Family Stone.
Formado na Califórnia nos anos 60, a banda ficou notória não somente pelo groove fenomenal de seus músicos ou a conotação política de suas letras, mas também por ser a primeira banda norte-americana a possuir uma formação multirracial, onde homens, mulheres, negros e brancos formavam a “Family Stone”.
Dentre os muito bons trabalhos da banda, destaco There´s a Riot Goin´On, de 1971. Nessa época, os Estados Unidos estavam afundados na carnificina do Vietnã, uma guerra sem propósitos fundamentais. O disco, entre tantos outros, teve papel relevante como propagação de idéias e discurso à nação norte-americana. Com a cabeça afundada nas drogas e distúrbios emocionais de Sly, aliados a intermináveis sessões e overdubs, There´s a Riot Goin´On se destaca por faixas como “Family Affair”, “Time”, “Thank You For Talkin´To Me África” e “Runnin´ Away”.
Entre as lendas que dizem sobre esse álbum, alguns falam que Miles Davis participou das gravações, mas são apenas boatos, até agora.
O disco marcou o inicio da total desintegração de Sly Stone, o que não levaria muito tempo. A formação clássica da banda, Sly Stone, Freddie Stone, Rosie Stone, Greg Errico, Larry Graham, Jerry Martini, Cynthia Robinson, acabou poucos anos depois. Ainda aconteceram outros sopros de vida, mas There´s a Riot(…) continua sendo como um dos grandes marcos do grupo.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Só para ver


Capas de discos sempre foram um atrativo à parte para os amantes da música. Afinal, uma boa capa chama sempre a atenção. Esse "artigo" vem caindo em desuso, devido a quantidade de álbuns baixados, pois a maioria do pessoal vai atràs da musica, e só.

Recentemente, fuçando na Internet, me deparei com algo que me chamou muito a atenção: capas de disco na versão lego. Sensacional. Já faz um tempinho que publicaram isso pelos blogs, mas só fui ver agora.

Para quem quiser saber um pouco mais da história das capas de disco no Brasil, leia o capítulo que trata do assunto, no livro "O Design Brasileiro Antes Do Design", da Editora Cosac Nayfi.
Dando uma pesquisada por aí, encontramos, eleitas pelo site Gigwise, as 50 melhores e piores capas de todos os tempos. Para os curiosos, eu incluso, seguem os 3 links.

50 piores

50 melhores

Capas Lego

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Não são as 10 mais


E hoje é o Dia Mundial do Rock. Tudo bem que tem muita gente comentando sobre isso, mas quero deixar minha opinião.
Fixado desde 1985, durante o Live Aid Festival que aconteceu simultaneamente em Londres e Filadélfia, o show beneficente foi em favor dos famintos da Etiópia, tristeza que antecede e muito o próprio rock. O festival foi criado por Bob Geldof, e transmitido mundialmente para uma audiência espetacular, algo em torno de 2 bilhões de pessoas.
Causas e conseqüências à parte, o dia 13 de julho terá atrações espalhadas por tudo quanto é canto. Com aquele eterno discurso de “eu quero é rock”, “a minha vida é o rock´n´roll” e por aí vai.
Tem muita gente que reclama quanto ao dia em que se comemora, afinal a data é sobre um festival beneficente, nada ligado a vida de uma lenda do rock. Bom, acho que tanto faz, pois o que tem de pessoas fanáticas por esse estilo espalhadas por aí, não é brincadeira. Sendo assim, qualquer data serviria.
Só acho que dão muito falatório pra isso, nada mais.
Então, já que estamos falando de rock, segue abaixo uma seleção de clássicos; lembrando que é uma coisa pessoal, logo não agrada todos.



Cream- “Strange brew”
Antes do Led Zeppelin lançar seus dois primeiros álbuns, o Cream já dava as bases do que serria o rock´n´roll. Obra do grande Eric Clapton. Essa abre o segundo e mais clássico disco da banda, Disraeli Gears, de 1967.
Cream - Strange Brew




Grand Funk Railroad- “Gimme Shelter”
O Grand Funk Railroad, assim como o Cream, foi um tremendo power trio. Com o incrível Don Brewer no comandando das baquetas a banda foi um dos pilares do rock nos anos 70. Essa, numa versão ao vivo, é Gimme Shelter, dos Rolling Stones, gravada no disco Let it Bleed, de 1969, e regravada dois anos depois, pelo Grand Funk, no disco Survivor.
Grand Funk Railroad - Gimme Shelter




The Who- “Baba O´Riley”
O disco mais vendido do The Who, Who´s Next, de 1971, mostrava a banda no topo da perfeição. Depois do anterior, e fracassado, Lifehouse, o grupo mergulhou neste trabalho, que traz três clássicos eternos: “Behind Blue Eyes”, “Won´t Get Fooled Again” e Baba O´Riley, apresentado aqui.
The Who - Baba o'Rilley



Led Zeppelin- “Good Times, Bad Times”
Em 1969, provavelmente ninguém esperava surgir algo como e Led Zeppelin, mas aconteceu. Lançada como single, tendo do outro lado “Communication Breakdown”, “Good Times(...)” abriu o debut da banda. Trabalho espetacular de Page e Bonham. Coisa de quem sabe.
Led Zeppelin - Good Times Bad Times



Chuk Berry- “Johnny B. Good”
Um dor riffs mais usados na historia do rock´n´roll. O mestre Chuk Berry lançou essa pérola em março de 1958. Desde então, a história da musica nunca mais seria a mesma.
Chuck Berry - Johnny B.Goode



Ten Years After- “I´m Going Home”
Alvin Lee é o que podemos chamar de incendiário da guitarra. Com seu estilo bluesy e rocker foi uma das grandes atrações do Woodstock Festival. “I´m Going Home” foi gravada em 1968 no álbum Undead, sendo um dos maiores clássicos do Tem Years After.
Ten Years After - I'm Going Home



Black Sabbath- “Wheels Of Confusion”
Não tem muito que falar. Minha banda de cabeceira. Abertura do álbum Vol.4, de 1972, que traz Ozzy na eterna posse: com as mãos para cima fazendo o símbolo de paz e amor. O destaque dela, sem dúvida, vai para Tony Iommi, que destila sua coleção de belos fraseados nos quase 9 minutos da música.
Black Sabbath - Wheels of Confusion



The Police- “Message In A Bottle”
Sim, o ska e o reggae também podem andar com o rock. Prova viva é o fenomenal trio The Police. “Message(..)” foi lançada no segundo disco da banda, Reggata De Blanc, de 1979. O baixo pulsante de Sting, aliado aos fraseados sutis de Andy Summers, deixam o caminho para Stewart Copeland brilhar nesta obra prima.
The Police - Message In A Bottle



Van Halen- “You Really Got Me”
Tudo o que uma banda de rock precisa ter: um visual chamativo, um vocal potente e, o básico, talento. O Van Halen foi muito além disso no seu disco de estréia, no qual foi gravado “You Really Got Me”. As guitarras de Eddie mudariam para sempre os rumos do instrumento. Essa música foi lançada originalmente em 1964, pelo seminal Ray Davies e seu grupo, Kinks.
Van Halen - You Really Got Me



Jimi Hendrix- “All Along The Watchtower”
O mago das cordas reinventou esse clássico de Bob Dylan. Lançado no disco Eletric Ladyland, em setembro de 68, mostra Hendrix no que sabia fazer de melhor: rock´n´roll com doses de funk e soul.
Jimi Hendrix - All along the watchtower


Sei que ficou muita coisa de fora, mas as listas tem essa poder, agradam poucos.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Primeiro criou ela... depois as mulheres

Um corpo perfeito, uma voz extremamente sensual, assim como o resto. Em poucas palavras: Brigitte Bardot. Símbolo sexual por mais de duas décadas, com seu balançar gracioso e marcante. Além de seus inúmeros casos e descasos, com gente como Serge Gainsbourg, Roger Vadim e Bob Zagury, que a trouxe para o Brasil, entre as ondas da Bossa e a areia de Búzios.
Muitos podem não concordar com suas posições reacionárias e dos constantes problemas envolvendo seu nome e a proteção dos animais, mas não é disso que quero tratar.
Com mais de 50 filmes na carreira e uma modesta discografia, que inclui muitos singles, é inútil tentar passar incólume ao charme de sua voz, ou as curvas de seu corpo. Tudo isso custou caro para Bardot que, tal qual Michael Jackson e o rancho de Neverland, se viu obrigada a se retirar para sua manção, La Madrague, e lá curtir a solidão que reside na vida dos mais badalados.
Enfim.

Brigitte Anne-Marie Bardot nasceu em 28 de setembro de 1934, em Paris. Da dança para a carreira de modelo e da lá para as cameras não demorou muito tempo, e aos 17 anos estreou com o filme Le Trou Normand. Depois disso, se sucederam mais 15 filmes, ate que em 1956 sai aquele que a consagraria aternamente como sex simbol: Et Dieu Créa La Femme (E Deus Criou a Mulher). Se a sua carreira terminasse por aí, já era o bastante para colocar seu nome entre as inesquecíveis do cinema, pelo menos no quesito beleza. A trilha sonora desse filme trás algumas das primeiras gravações de Bardot. Como disse anteriormente, sua discografia não é extensa, se contarmos apenas os discos mesmo, sem singles.
Seu primeiro lançamento foi o compacto L´Appareil A Sous, em 62, que continha a faixa título e
El Cuchipe de um lado, e La Madrague
e Les Amis De La Musique do outro. No ano seguinte sai o primeiro disco, Brigitte Bardot Sings, que reunia os seus singles até então. Apesar de boas composições, parcerias com Gainsbourg, Sacha Distel e outros, a carreira de cantora nunca emplacou como um grande sucesso, ficando sempre em segundo plano na vida da atriz.
Em 2006, a Universal lançou a caixa Anthologie, que contem 45 canções, entre sucessos e raridades. Neste ano saiu Love is My Profession/ Une Parisienne, reunindo musicas que ela cantou em alguns de seus filmes. Briggite Bardot se afastou do cinema em 1973 com o filme L`Histoire Très Bonne Et Très Joyeuse De Colinot Trousse-Chemise. Uma carreira marcada pela alta exposição, inevitável, aos holofotes, filmes com notáveis do cinema, como o diretor Jean-Luc Godard e ao atores Jack Palance e Alain Delon. Bons discos que, mesmo não fazendo sucesso como os clássicos de Francoise Hardy, Jane Birkin ou Mireille Mathieu, mostram uma boa cantora que nem mesmo tinha pretensão de se tornar uma. Bardot é isso.

Para saber mais:Inicias BB (memórias) 1996
A onda que se erguer no mar, cap.2, pág. 79. (Ruy Castro) 2001

Brigitte Bardot - "c'est une Bossa Nova"


brigitte bardot - maria ninguém

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Eterno companheiro de viagem

E neste mês um aparelho extremamente especial, pelo menos para quem gosta de música, está completando 30 anos: é o clássico Walkman. Lançado em 1/7/1979 pela Sony, a peça, que é vendida até hoje, teve como primeiro modelo o TPS-L2, que em apenas 2 meses caiu nas graças do povo e logo as 30 mil unidades se esgotaram. Mas é claro, quem não queria ouvir a musica preferida, na hora em que quisesse, sem ninguém para perturbar e ainda por cima curtindo uma caminhada, um ônibus atolado de pessoas ou uma pedalada por aí?

Dois anos depois saiu o modelo WM-2, o mais vendido de todos os tempos e em 83 o WM-20, compacto e muito parecido com uma fita K-7, invadiu o mercado. Além do formato, outra inovação: foi o primeiro a ser vendido em várias cores.

Só que a novidade não durou muito, e logo um forte concorrente surgiu: o Discman, e o modelo D-50 inaugurou essa série, em 84.
Até o fim da década de 80, a concorrência aumentou entre os fabricantes, e na virada para 90 a Sony, sempre ela, lançou o WM-805, que trouxe um grande atrativo: controle remoto sem fio.

Porém, foi em 1987 que o formato de MP3 surgiu. Neste ano, o IIS (Institut Integrierte Schaltungen), na Alemanha, juntamente com a Universidade de Erlangen, começou a trabalhar numa codificação perceptual de áudio para Digital Audio Broadcasting (Transmissão Digital de Áudio). Todo o trabalho resultou num algoritmo de compressão de áudio chamado MPEG Audio Layer-3, que tempos depois ficou conhecido como MP3.

Nos últimos anos, a quantidade de formatos musicais se tornou uma criatura incontrolável. Do Hi-MD, passando pela música no celular, aos MPs da vida até explodir no incrível NWZ-A829, que armazena quase 4.000 músicas e mais de 60Hs de vídeo, lembrando que ele também é um Walkman, fica praticamente impossível prever o que o mercado nos reserva.
Os downloads, a pirataria, o elevado preço dos CDs, onde vamos parar com isso? Sera que realmente existe um culpado por toda essa confusão de direitos autorais que a cada dia dá mais trabalho? Ou issó é apenas a evolução inexorável das coisas?
Bom, o certo é que a música SEMPRE vai continuar, não importa o formato.

domingo, 5 de julho de 2009

Aos mestres

Em 75, John Lennon já estava consagrado com sua carreira solo. Os Beatles haviam ficado para trás e os novos ventos assopravam em direção a uma nova década, que o compositor não viria a desfrutar.
Nesse mesmo ano, Lennon estava próximo de reatar seus laços com Yoko, o casal havia se separado em agosto de 73. Nessa fase de tristeza lançou Mind Games e Walls and Bridges. Ainda em 73, Lennon começou a trabalhar em um velho sonho: gravar um disco contendo musicas de seus grandes heróis. Finalizado durante 5 dias de outubro de 74 e lançado em fevereiro seguinte, Rock´n´Roll, cumpriu o papel de reverenciar o estilo.
O disco contou com a produção de Phil Spector em 4 faixas, e as restantes foram produzidas pelo próprio Lennon. O repertório é muito bem selecionado com uma banda extremamente eficaz, entre eles o baterista Jim Keltner. Com clássicos do soul e do rock, como o medley de “Bring On Home To Me”/’Send Me Some Love”, “You Can´t Catch Me”, Slippin´ And Slidin”, John Lennon juntou Sam Cooke, Fats Domino, Ben E. King, Alan Price, Chuk Berry, que segundo Lennon era o “rock´n´roll em pessoa, e outros nomes de peso num grande disco, começando pela capa, que traz o cantor no melhor estilo ROCKER, jaqueta de couro, camisa branca e topete. Em 2004, o trabalho foi relançado com 4 musicas bônus: “Angel Baby” (Rose Hamlin), a bonita balada “To Know Her is To Love Her” (Phil Spector), “Since My Baby Left Me”, do seminal Arthur Crudup e “Just Because”, de Alan Price, sendo que esta já havia saído na prensagem original.
O disco deveria ser o último lançamento do artista para a Capitol/EMI, já que daquele momento para frente ele gostaria de se dedicar mais à família. Mesmo assim a gravadora ainda lançou a coletânea Shaved Fish. Depois de um retiro de 5 anos, Lennon voltou, em 1980, aos estúdios, e lançou Double Fantasy, seu último disco. Entre tantas pérolas que ele deixou, com ou sem os Beatles, Rock´n´Roll mostra um artista fazendo o que sempre gostou, puro e simples rock.

sábado, 4 de julho de 2009

Os tais do AOR

Se existe uma coisa que me deixa confuso é quando alguém chega para mim e pergunta: mas essa banda toca qual estilo? Em meio a uma avalanche de nomes e siglas, fica difícil dizer o que cada uma faz. A única unanimidade é que tocam música, isso não se discute.
Dentre essa centena de nomes, um em especial sempre me chamou a atenção: AOR. Mesmo pesquisando, não consigo achar nexo algum nessa expressão, que significa Adult Oriented Radio, mas que também encontramos como Art Oriented Rock.
Na verdade essa sigla é usada para designar um formato de rádio FM americana.
Misturando esse molho todo podemos dizer que são bandas que tocam um rock comercial sério. Se você se sentiu confuso, não desanime, é prova de que o termo é realmente estranho.
Na música, AOR é usado para falar sobre bandas que tocam um som comercial, mas usam alguns itens que fogem desse rótulo, por exemplo, solos inspirados ou letras mais trabalhadas.
Podemos citar muitas bandas que se encaixam nesse estilo, algumas muito boas outras nem tanto, mas não é o caso. Então vou focar em uma que aprecio demais, o Journey.


Neal Schon (guitarra) ainda era um garoto quando se juntou a Carlos Santana, enquanto esse gravava seu terceiro disco. Ainda nessa época Schon conheceu Gregg Rollie (teclado), que já tocava com Santana. Após deixar a empreitada, começou a trabalhar com dois ex-membros do Sly & The Family Stone, o baterista Greg Errico e o baixista Larry Graham. O trio não durou muito, já que Schon não gostou da idéia de tocar funk, devido às poucas oportunidades de experimentar seus solos.
Depois de um tempo, Schon foi apresentado a George Tickner (guitarra), Prairie Prince (bateria) e Ross Valory (baixo), esse ex-Steve Miller Band.
Com o nome de Golden Gate Rhythm Section, depois mudado para Journey e com a adição de Gregg Rollie tocavam, no princípio, um som calcado no rock progressivo. Em 1974, ocorreu a primeira mudança, com a entrada do experiente baterista Aynsley Dunbar, que já havia tocado, entre outros, com Jeff Beck, Frank Zappa e John Mayall.
No mesmo ano, assinam com a CBS/Columbia Records e lançam, um ano depois, o primeiro disco, auto-intitulado. Em 76 e 77 saem, respectivamente, Look Into the Future, que já não contava com Gerge Tickner, e Next.
Foi nesse ultimo disco que decidiram recrutar um vocalista fixo. O escolhido foi Robert Fleischman, que se juntou ao Journey para uma turnê. No entanto, atritos com Schon levaram o vocalista a deixar o posto, não sem antes deixar um clássico para a banda: “Wheel In The Sky”, gravado em 78.
Novamente com a vaga de vocalista em aberto, encontraram um jovem baterista e cantor chamado Steve Perry, que, com uma certa relutância por parte da banda e da gravadora, se juntou ao grupo. Daí pra frente, as coisas começariam a mudar.
O álbum Infinity, lançado em abril de 78, foi um tremendo sucesso, trazendo o hit Patiently como carro–chefe. No ano seguinte ocorreu outra troca de bateristas, com Steve Smith, experiente musico da cena jazz-fusion, se reunindo com a banda. Essa formação durou até o disco Departure, lançado em 1980 e que também gravou a trilha sonora do filme Dream After Dream, no mesmo ano.

O tecladista Jonathan Cain entrou para o Journey no ano seguinte e já participou do maior sucesso de vendas da banda, o álbum Escape, que trouxe as famosas "Don't Stop Believin'", "Who's Crying Now" e "Open Arms". Um ano depois, lançaram Frontiers, que incluía "Send Her My Love", "Faithfully" e "Separate Ways". O lançamento de Raised on Radio, em 1986, foi o inicio da separaçõa do grupo, com a saida de Steve Smith e Ross Valory, no entanto os dois voltaram para participarem da turnê.
A banda se desfez três anos depois e voltaram em 93, lançando, em 96, Trial By Fire, com o sucesso de "Message of Love". Após problemas de saúde de Steve Perry, que o tiraram da banda; bem, isso é uma coisa meio mal contada até hoje, com versões de ambas as partes, a banda achou em Steve Augeri a solução. Nessa nova empreitada Steve Smith também largou o barco, entrando Deen Castronovo para o posto. Gravaram Arival (2001), o EP Red 13 (2002) e Generations (2005). Um infecção na garganta impediu que Augeri ficasse na banda. No seu lugar foi chamado Jeff Scott Soto, que permaneceu apenas para uma turnê.

Depois de passar dois dias assistindo vídeos no Youtube, Schon encontrou um Filipino chamado Arnel Pineda e pronto, estava solucionado o problema de vocalista. Chamado para um audição nos Estados Unidos, Pineda logo foi anunciado como novo cantor do Journey. Com um timbre de voz muito semelhante a Steve Perry, o musico participou de Revelation, ultimo lançamento do Journey, de 2008. O disco, triplo, apresenta 11 novas composições, 11 regravações e um DVD com a primeira aparição pública da nova formação, ocorrida em 6 de março de 2008, em Las Vegas.
Essa é a “pequena” história do Journey, um dos grandes representantes do inclassificável AOR, ao lado de Styx, Asia e outros. Quem se lembra dos comercias do cigarro Hollywood, certamente já ouviu alguns clássicos do AOR, como Keep The Fire Burning (Reo Speedwagon) ou Play The Game Tonight (Kansas).

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