sábado, 22 de maio de 2010

Ele merece

Enquanto a cidade de Porto Alegre/RS presta homenagem ao cantor norte americano Ronnie James Dio, realizando uma missa de sétimo dia, amanhã, na Igreja de Santa Terezinha, bem longe dali, em João Pessoa na Paraíba, começa neste domingo, até o dia 29, a 13ª edição do Festival Nacional de Arte (Fenart), que este ano homenageia o brasileiríssimo maestro, arranjador e compositor Sivuca, morto em 2006.

Sivuca completaria 80 anos, no próximo dia 26.

A programação vai contar com cerca de 160 apresentações, entre palestras, música, lançamentos de livro, além de danças e peças de teatro.

Entre os nomes de peso, estão Hermeto Pascoal com a Orquestra Sinfônica da Paraíba, João Bosco, Dominguinhos e o jornalista Zuenir Ventura.

Ando escasso de assunto, então paro por aqui.

Boas Batidas!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Coisas e coisas

Depois de muito se falar, foi lançado ontem, na Inglaterra, a versão deluxe do clássico Exile On Main Street, dos Rolling Stones. O pacote, além das 18 músicas originais, traz um CD bônus com 10 músicas inéditas, encontradas nos arquivos de Mick Jagger. Tem também a versão super deluxe que traz o documentário Stones in Exile.

A versão deluxe chega hoje no Brasil e Estados Unidos. Já a outra, só importado.

O disco completou, no último dia 12, 38 anos, sendo aclamado por muitos como a obra prima da banda. Coisa difícil, se tratando de Stones, visto a enorme quantidade e grande variedade de material lançado pelo grupo. Gravado num antigo Quartel General da Gestapo, traz faixas clássicas do grupo, num tempo em que a banda estava afogada em heroína e dívidas milionárias.

Clássico absoluto e essencial.

Mudando de assunto, lamentável a morte de Ronnie James Dio, no último domingo. Uma das grandes vozes do rock. Este ano já levou algumas personalidades marcantes da música, independente de estilo ou qualidade. Johnny Alf, Walter Alfaiate, Alex Chilton, Peter Steele e agora Dio tiveram grande papel no seu meio de atuação. Escutei alguns comentários que se Dio não fosse um cantor de rock, seu nome seria muito mais lembrado. Pura balela. Fãs têm a grande mania de sempre se acharem injustiçados, assim como seus ídolos. O talento não é pautado, não tem grau de instrução, diploma, nada disso.

Agora vão começar as declarações de amor, as juras e homenagens. Nada mais justo, desde que não se transforme em oportunismo.

Pra fechar, a Virada Cultural. O bom de um evento desses é a diversidade, e o ruim também. Num festival com muitas atrações, sempre tem aquele show que deixamos pra trás, mais por obrigação do que por gosto, é claro.

Bom, o que eu escutei de gente que foi ao show do Hermeto Pascoal não é brincadeira. Eu não fui, pois o primeiro show na Julio Prestes atrasou. Quando cheguei ao Bulevar São João, estava um pouco vazio. Estranho, pois o próximo a subir no palco, depois de Hermeto, seria o não menos fenomenal Airto Moreira. O show foi muito bom, só o som dos microfones que estava terrível, assim como todos os outros shows que vi.

Só pra ligar Hermeto e Airto, os dois participaram do Quarteto Novo, junto com Theo de Barros e Heraldo Dumonte. Fantástico grupo intrumental brasileiro. Inclusive, Airto acabou tocando um tema do disco.

Mesmo com essa bagagem, o show continuou meio vazio, situação invertida no seguinte: Booker T. Outra lenda, mas num dia pouco inspirado.

Bom, não sei o motivo de ter iniciado esse assunto, então fico por aqui. Boa Batidas.

domingo, 9 de maio de 2010

A herança


Alguns afirmam ser ele o criador da soul music. Carismático, performático, e extremamente talentoso, Sam Cooke é citado por dez, entre dez cantores, como a maior voz do estilo.

A lista inclui Rod Stewart, Steve Perry, Jeff Scotto Soto, Al Green e Solomon Burke como admiradores confessos de Cooke. O cantor dominou as paradas de sucesso por quase 10 anos, com musicas eternamente famosas, como"Bring It on Home to Me", "You Send Me" e "Wonderful World", além de ser um dos primeiros artistas negros a ter total controle de sua obra, através de sue próprio selo e editora, SAR.
Cooke gozava de total prestígio tantos nas comunidades negras como brancas, antecipando o que alguns artistas fariam anos depois. Como tantos outros cantores negros, começou nos corais de igreja, seu pai era pastor Batista, demonstrando muita habilidade ainda criança. No começo dos anos 50, com os Soul Stirrers, lançou-se como artista da Specialty Records. Em pouco tempo já- como artista solo- era uma unanimidade na América, o que foi consolidado em dois discos ao vivo: Live at The Harlem Square Club, e Live At The Copa. Apesar do lançamento tardio, 22 anos após sua morte, Live at Harlem tinha todos os ingredientes que confirmam o título de pai do soul. Performático, uma banda afiadíssima, que incluía o lendário saxofonista King Curtis, uma platéia de operários, o disco é um dos maiores registros ao vivo da história da música.
Em dezembro de 1964, com apenas 34 anos, foi assassinado por Bertha Franklin, gerente de um hotel em Los Angeles, numa história que envolve suposta tentativa de estupro.
Apesar de essa ser a versão contada pelos envolvidos, uma outra, narrada pela cantora Etta James no seu livro Rage to Survive, relata que Cooke foi tão espancado que sua cabeça foi decapitada, as mãos quebrados e esmagados, o nariz esmagado e um buraco de duas polegadas na cabeça. Essas lesões nunca foram explicadas.

Quando Cooke já estava no auge de sua força criativa, outro jovem se lançava no mundo da soul music. Discípulo direto de Cooke, Otis Redding estreou em 1964, com o disco Pain in My Heart, que trazia uma regravação de seu mentor, "You Send Me". Com uma carreira curtíssima, Otis herdou não só o talento, mas também a desgraça de Cooke. Em 1967, no mesmo mês da morte de Sam Cooke, o avião que transportava Otis e sua banda de apoio, os Bar-Kays, caiu no Lago Monona, em Wisconsin, tirando a vida ainda curta, tinha 26 anos, o astro. Tinha lançado, até aquela época, sete discos e emplacado sucessos como "Try A Little Tenderness", uma versão matadora de "Satisfaction" e "Cigarettes and Coffee". Otis deixou muito material gravado na Stax, alguns já lançados, incluindo o clássico The Dock of the Bay, de 1968.

Talento e desfechos parecidos, no que diz respeito ao trágico, marcaram a carreira de Sam Cooke e Otis Redding.
Como disse o jornalista Seth Jacobson, “o mundo da musica tem despejado por aí muitas fraudes e artistas medíocres, e muitos deles prosperam num grau muito acima de seu talento, o que torna ainda mais trágico o fato de Otis Redding ter vivido tão pouco”.
E isso também serve para Cooke.

Boa Tarde e Boas Batidas, com Sam Cooke e Otis Reding.

domingo, 2 de maio de 2010

Daí sai o produto final

O sucesso de uma banda não esta ligado somente ao talento de seus músicos. Um serie de fatores delineiam esse talento. É claro que o principal é a capacidade do musico, mas um cara que tem papel primordial nisso tudo é o produtor musical.

Seja qual for a banda ou estilo, todos tem aquele produtor talentoso no que faz. Não faltam exemplos de bandas que só decolaram com o auxílio de um produtor específico, ou movimentos que ficaram marcados pelas bandas e produtores.

O primeiro exemplo é da banda Van Halen. Se o grupo está há mais de 10 anos sem lançar um disco de inéditas, certamente, se o fizer, o nome do produtor deve ser o de Ted Templeman.

A dupla Van Halen/Templeman trabalhou em seis discos, de 1978 até 1984, com mais de 40 milhoes de cópias vendidas, o que tornou a banda um dos maiores fenômenos de vendas da gravadora Warner. Ainda produziu algumas faixas em For Unlawful Carnal Knowledge, de 1991. Templeman começou produzindo o primeiro disco dos Doobie Brothers e estourou junto com a banda no segundo disco (Toulose Street, 1972), que trouxe o sucesso "Listen to the Music". Além disso, também trabalhou com o Montrose, que contava com o futuro Van Halen, Sammy Hagar. Van Morrison foi outro baneficiado, com destaque para o ao vivo It´s Too Late to Stop Now, de 1974. Quando David Lee Roth saiu do Van Halen, Templeman produziu seu primeiro e bem sucedido disco, o que veio a reafirmar o entrosamento do produtor com o nome Van Halen. O álbum alcançou o 4º lugar nas paradas da Billboard.

Outra dupla afiada foi Robert John "Mutt" Lange e Def Leppard, que trabalharam de 1981 até 1987, o que inclui os discos High´n´Dry, Pyromania e Hysteria. Sendo este último um dos discos mais vendidos de todos os tempos. Assim como Ted Templeman, a carreira de Mutt é marcada por inúmeros sucessos, como Highway to Hell e Back In Black, do Ac/Dc; 4, do Foreigner; Heartbeat City, do The Cars, além de produções para sua ex-mulher, a cantora country Shania Twain. Ainda trabalhou com o Def Leppard no disco Adrenalize, mas na produção executiva. Se o grupo é lembrado em grande parte como uma dos melhores da NWOBHM, muito se deve as intervenções de Mutt.

Falar em produtores e não citar os nomes de Norman Whitfield e Brian Holland é impossível. Esse dois solidificaram o soul e o funk nos anos 60 e 70. Colaboradores da Motown, por suas mãos passaram, entre outros, Marvin Gaye, The Supremes, Four Tops, Temptations e Edwin Starr. A lista de hit singles lançadas sob a batuta desses produtores é imensa, incluindo "Ain´t Too Proud Too Beg", "I Heard It Through The Grapevine", "Run Away Child, Running Wild".

Entre os que marcaram uma cena, o nome de Jack Endino, que produziu Mudhoney, Peral Jam, Soudgarden, Screaming Trees e o primeiro lançamento da banda que delineou os anos 90, Nirvana. Rick Rubin também marcou toda uma cena, quando co-fundou o selo Def Jam, produzindo artistas do Hip Hop, Rap e R&B, como Raisin Hell, do Run- D.M.C. e Licensed to Ill, do Beastie Boys. Além disso, produziu os clássicos Reign In Blood, South of Heaven e Seassons in The Abyss, do Slayer, e tantos outros artistas, como Metallica, Red Hot Chilli Peppers, Shakira e Johnny Cash, a série póstuma American Series.

O Brasil também possui seus mestres na produção. Perna Fróes, Marcelo Sussekind, Pena Schmidt, Liminha, Marco Mazzola, Adelzon Alvez e Guilherme Araújo são alguns deles.

Aliás, os quatro primeiros estavam na explosão do rock nacional nos anos 80, com bandas como Paralamas do Sucesso, Herva Doce, Titãs, Ira!, Magazine, Agentss, Lulu Santos. Adelzon, através do seu programa na Rádio Globo, Amigos da Madrugada, foi um dos responsáveis por nomes como Cartola, Nelson Cavaquinho e Silas de Oliveira serem valorizados como compositores do morro. Lançou João Nogueira, Roberto Ribeiro, além de dar os ajustes iniciais na carreira de Clara Nunes, que mudou o seu estilo ao ter seus discos produzidos por Adelzon.

Já Guilherme Araújo ganhou notoriedade na dirigindo o show ”Recital”, de Maria Bethânia. Teve papel fundamental na Tropicália, e mesmo no exílio de Caetano e Gil em Londres, além de começar a lapidar Gal Costa.

Liminha é outro que merece um destaque. Com produções que vão do puro soul/samba da Banda Black Rio, passando por Cabeça Dinossauro, dos Titãs, Selvagem, dos Paralamas e Nós Vamos Invadir Sua Praia, do Ultraje à Rigor, até a guinada na carreira de Gilberto Gil, com A Gente Precisa Ver o Luar e Um Banda Um o som é certeiro, e mostra uma sonoridade que virou marca registrada do produtor.

Não citei os casos de Quincy Jones/ Michael Jackson e George Martin/ Beatles, pois teria que fazer um texto apenas para cada um deles. E, assim como eles, outros nomes também ficaram de fora.

Ezequiel Neves, Eumir Deodato, Maurício Tapajós, Aloysio de Oliveira, Rildo Hora, Creed Taylor, Milton Miranda (outro que precisa de um post exclusivo), Phil Spector, Tony Visconti, Bernard Edwards e Nile Rodgers (que já falei aqui), Irving Townsend, este post é pra muita gente boa.

Boas Batidas!

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