sexta-feira, 2 de abril de 2010

Por trás dos tambores: Entrevista com Robertinho Silva

Bobeira eu me alongar aqui falando sobre esse tremendo musico. Mais de cinco décadas de carreira, um currículo que conta com Milton Nascimento, com quem tocou por mais de 20 anos, Ivan Lins, Wayne Shorter, Bud Shank, Tom Jobim, Gal Costa, Sarah Vaughan e quem mais você imaginar. A lista é imensa.

Ah, não posso deixar de fora o Som Imaginário, grupo que Robertinho ajudou a fundar, essencial.

Dono de uma pegada forte e extremamente rítmica, Robertinho Silva, além de tocar mundo afora, ministra workshops, mantém o Centro de Percussão Alternativa e se apresenta com a Robertinho Silva e Família, grupo que conta com seus filhos Ronaldo, Vanderlei, Pablo e Thiago. Muito atencioso, o baterista concedeu uma entrevista ao Batida Sonora.

Quero deixar registrado que fiz esta entrevista duas vezes. A primeira delas se perdeu, infelizmente. Contatei Robertinho novamente que, sem realva alguma, topou refazê-la.

BS● Como foi o começo de sua carreira. Antes de Alberto Mesquita e Joaquim Neagale, você estudou com mais alguém?
Robertinho - Meu primeiro professor de música foi o Sr. Albano, (fazia aula particular no bairro de Bangú), no ano de 1959. Comecei tocando com o grupo de baile em Realengo e Bangu. A primeira banda foi o Conjunto Flamingo, de 1959 a 1963. No ano de 1963, Walter Tiso, percussionista da Banda Flamingo, me indicou para tocar na Boate Molin Rougê, em Copacabana.
Meu segundo passo foi a indicação para tocar na Boite Drink, do cantor Cauby Peixoto.

BS● A sua primeira gravação foi em 1964 com Cauby Peixoto, certo? Como aconteceu?
Robertinho - Foi, eu já tocava na Boate do Cauby Peixoto, quando a gravadora RCA VICTOR sugeriu ao Cauby que gravasse um disco com o show que era apresentado na Boate em 1964.

BS● Durante o inicio da década de 70, você integrou o Som Imaginário. Infelizmente o grupo não teve uma carreira tão duradoura. Nunca houve a vontade de se reunirem e lançarem algum material?
Robertinho - Sim, houve vontade de reunir e gravar, no ano de 2006. A produtora do Wagner Tiso propôs fazer uma turnê com a formação original do Som Imaginário, nas principais capitais do Brasil, mas foi difícil conciliar as agendas dos componentes do grupo.

BS● Você morou por quatro anos nos Estados Unidos (1974-1978), continuando a gravar com artistas nacionais e estrangeiros. Como foi esse período? O cenário para o musico brasileiro era favorável?
Robertinho – Segundo Tom Jobim “ – A melhor saída para o músico brasileiro é o Aeroporto Internacional do Galeão”. Quando foi desfeito o grupo Som Imaginário, eu e o contra-baixista Luiz Alves resolvemos seguir o conselho do Tom Jobim. Fomos para os Estados Unidos da América. Nesses quatro anos trabalhei com músicos americanos e brasileiros, como o percussionista Airton Moreira, a cantora Flora Purin, o trombonista Raul de Souza...

BS● Dentre a centena de discos que você já gravou, poderia destacar algum, ou alguns que mais lhe agradam?
Robertinho - Com Milton Nascimento, Milagre dos Peixes Ao Vivo; com o saxonfonista Wayne Shorter, Native Dancer; com Egberto Gismonti, Academia de Dança.

BS● Você possui uma longa parceria com o baixista Luiz Alves, como surgiu esse entrosamento?
Robertinho - Nosso encontro foi na boate Drink, em 1964. Essa nossa parceria já dura mais de 40 anos, estamos juntos até hoje

BS● Você acompanha o atual cenário da musica nacional? Ainda falta uma maior iniciativa dos músicos em trabalhar com os ritmos brasileiros?
Robertinho - Sim. Ainda temos muitas barreiras para superar, falta principalmente o incentivo cultural do governo.

BS● Em uma entrevista concedida ao site Batera.com, lhe perguntaram se o exterior é o melhor caminho para o baterista que está começando a carreira, ao que você respondeu que não. Ainda pensa dessa maneira? Por quê?
Robertinho - Continuo pensando assim. A diversidade rítmica no Brasil é a mais rica do Mundo, nós ainda temos muito que aprender sobre os ritmos brasileiros. Se você sai do país corre o risco de perder a identidade.

BS● Como é a sua rotina de estudo, gravações e shows? E quanto ao Centro de Percussão Alternativa, sobra tempo para ensinar? Já foi procurado por algum musico de renome que se interessou em participar do projeto, ou apenas conhecer?
Robertinho - Os compromissos de shows, gravações e aulas são organizados a partir de um agendamento prévio. É preciso ficar atento e marcar sempre os compromissos com a agenda na mão. Tenho dois dias na semana que dedico ao Centro de Percussão, lá é o momento de repassar tudo que aprendi ao longo desses anos. O projeto já foi visitado por vários amigos.

BS● Poderia citar três momentos marcantes de sua carreira?
Robertinho - Foram muitos momentos marcantes, mas vou eleger:
1- O primeiro baile, quando fui aplaudido pelo saudoso dançarino Paulo César;

2- O meu primeiro palco de Teatro com o Som Imaginário, no Teatro Opinião, em abril de 1970;

3- No ano de 2007, com o Projeto Batucadas Brasileiras, subir ao palco do teatro João Caetano com minha mãe, com seus 98 anos, foi uma forte emoção.

BS● Planos para algum próximo projeto?
Robertinho - Escrever um livro com minha trajetória de 50 anos de carreira.

BS● Algumas palavras finais.
Robertinho - A vida continua..., vamos em frente, com ritmo, energia, disposição e emoção pelos palcos do mundo!!!

Valeu, grande Robertinho.

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