segunda-feira, 13 de abril de 2015

Mundo vago

Não quero aqui falar da morte e de sua consequência, que na verdade nada mais é do que um ciclo redundante. A verdade é que a dona não gosta de escolher, e tal qual um funcionário exemplar, faz o que deve ser feito, o que lhe é incumbido, sem distinguir entre essa é ou não a minha função.
Também fica claro de que a morte é dona de nossa única verdade inata, aquela a qual carregamos como a pedra de Sísifo, sem vitória, sem alcançar o topo.
São os velhos as pessoas mais queridas pela morte, mas isso soa como algo ofensivo e prontamente mentiroso. Leva de caminhão uma centena, pois todos somos iguais perante ela.
No entanto, creio que ultimamente a morte esteja fraca, vazia de literatura, pois desde o último ano, ou um pouco mais, tem levado todos aqueles homens que deram a vida pela palavra, e terminaram seus dias como uma palavra: FULANO DE TAL, DATA, descanse em paz.
Em 2012 foi Autran Dourado, ano passado tivemos Ivan Junqueira, Rubem Alves, Ariano Suassuna e João Ubaldo Ribeiro. E hoje pela manhã, não contente com tamanha companhia, ela decidiu levar dois de uma vez: o uruguaio Eduardo Galeano e o alemão Gunter Grass.
Destes, considero a perda de Galeno como um rombo, uma veia implodida, estraçalhada nesta América mundial. Esse homem escreveu tudo com uma paixão incomum. Criticando, apontando, deleitando ou apenas se apaixonando, tudo com o mesmo peso e teor. Seu livro De pernas pro ar deveria ser distribuído pelas escolas do mundo, assim como Memórias do Fogo. Sim, também Futebol ao sol e à sombra, mas este aos boleiros que trocaram o brilho dos olhos pelo das moedas. Não cito sua obra mais conhecida por total falta de necessidade, ela já virou monumento, criou vida própria.
Escritores são como obras de arte, pertencem ao mundo, acasalam suas canetas com os cadernos de lugares todos, e entregam seus filhos sem remorso, apenas esperando que, se não fizerem boas coisas, ao menos tenham uma vivência digna, sem se furtarem ao dever de manterem-se vivos, falantes.
Hoje o mundo não amanheceu mais triste, apenas um pouco mudo, mas é passageiro. Tocam os tambores e segue o sol.


quarta-feira, 1 de abril de 2015

A sensibilidade desumana.

Parem tudo, corram para suas casas, se escondam, não deem as caras. O Brasil está tomado por menores violentos e insanos, seres que não merecem sequer um olhar, muito menos enviesado. Não passe perto das creches e parquinhos pela cidade, pode ser fuzilado por uma criança que carrega uma bazuca na fralda, napalm no copo de leite, sabre na mochilinha.
Sei que haverá uma voz gritando: mas são apenas crianças!!! Sim, eu responderei. Mas são mesmo crianças que estão sendo condenadas por um sistema sedento em dar respostas, e omisso em procurar soluções. Outros dirão que existem crianças ruins e crianças boas. Que enquanto uma mata, outra é vítima. Uns dirão isso e aquilo, outros aquilo e isso.
O fim desse papo todo é que existe uma parcela da sociedade firme num discurso que diz assim: lugar de gente ruim é na vala, sem direito a nada, nem mesmo ao pensamento. O incrível é que essa mesma sociedade é corruptora dessa infância. É a sociedade que propaga a falta de valores, o apego ao supérfluo, o fim das relações humanas.
Quando alguém planta uma semente do mal numa criança, torna-se tão vil quanto o delinquente a quem tanto ele combate.  
Quando li o romance Cidade de Deus, do carioca Paulo Lins, o que me prendeu na trama foi a humanização dos personagens, principalmente Dadinho e Bene. Embora a violência não seja algo endêmico, segundo alguns críticos da sociedade na qual vivemos querem nos provar o contrário, o atordoante cenário de guerra “cinematizado” pela mídia age como escopo de uma parcela presa aos dogmas da boa família cristã e brasileira.
A pergunta que lambe o chão dos bares, bancos e demais estabelecimentos é: como alguém que mata, rouba e estupra pode ser inocente, pode ser bom? Como alguém tão violento pode ter direitos, como a uma cela imunda e um colchão aos farrapos? Dessa forma, é difícil imaginar que alguém em posse de uma arma possa ser uma pessoa de bom caráter ou índole.
Para responder a essas perguntas, eu preciso voltar ao trecho sobre Paulo Lins, quando disse que a humanização dos personagens foi o que de mais marcante eu li na obra do escritor brasileiro. E vou mais além, lembrando do Corleone de Puzzo, do Rino Zena de Ammaniti, do Pinkie Brown de Greene ou mesmo do Bathgate de Doctorow, todos estes personagens, contraventores, sociopatas, bandidos, todos foram dramaticamente humanizados. Aqui eu abro um parêntese, e pergunto: foram eles humanizados ou são tão reais porque são humanos? Sim, humanos, errantes, donos ou vítimas de suas vidas e escolhas.
Não me parece comum alguém enxergar um ato violento por mais de um ângulo que não seja o da brutalidade, seguido pela ira e acabando na intolerância. Temos, sim, milhões de atos sangrentos, burros e impensados, praticados por pessoas das mais variadas classes e posições sociais. Os ricos, os paupérrimos e os vazios. No entanto, faz-se necessário uma indagação sobre a violência. Uns a enxergam como ato físico, outros morais ou psicológicos, nada de novo. Mas é preciso pensar mais profundamente sobre o ato violento. Quando tiramos o sonho, a vontade, a dúvida, a autonomia, a infância, a inocência, a coragem ou o medo de alguém e os estratificamos como simples manobra de criação, também aí somos violentos, tão brutais quanto aqueles que levantam as armas brancas, as vozes e punhos, cuspindo suas verdades permanentes e solidas como a perene ignorância.
Sendo assim, a recente, e crescente, tentativa de diminuição da maioridade penal no Brasil mostra como uma nação pega tudo aquilo pelo que lutou e coloca num caldeirão onde tudo se mistura: futebol, política, infância, raça, perseverança, direita, esquerda, meio, lado, margem. O resultado é uma sopa insossa e intragável.
 A sociedade é quem cria os seus Dadinhos, Corleones e Bathgates da vida, é a sociedade quem esbofeteia os rostos e cobra uma postura sobre os hematomas. E aqui coloco a sociedade como um todo, não dividindo-a em política e povo. Dessa forma, cada um precisa saber a sua real parcela de culpa na formação deste indivíduo que hoje está sendo tachado pela simples pecha de DiMenor.  
Como disse Durkheim: “não podemos, nem devemos nos dedicar, todos, ao mesmo gênero de vida: temos, segundo nossas aptidões, diferentes funções a preencher, e será nisso que nos coloquemos em harmonia com o trabalho que nos incumbe. Nem todos fomos feitos para refletir; será preciso que haja sempre homens de sensibilidade e homens de ação.”

Mas uma coisa se choca contra as palavras do filosofo francês: se é preciso homens de ação e homens de sensibilidade, infelizmente contamos apenas com a não sensibilidade e com uma ação desmesuradamente covarde, insensata e pétrea. Pétrea como a cláusula que a Comissão de Constituição e Justiça que atropelar para punir o jovem e sua não juventude.  

sábado, 28 de março de 2015

A culpa de ser uma lenda

Acompanhei atentamente ao show de Robert Plant, infelizmente pela TV, que o inglês apresentou hoje aos brasileiros, no festival Lollapalooza. Fato é que venho assistindo às suas apresentações ao longo da turnê, coisa que o youtube, felizmente, permite maravilhosamente.

Quando um artista tem mais de 50 anos de palco e integrou um dos mais contundentes grupos de rock da história, fica difícil contemplar um set suficientemente satisfatório ao publico. Dessa forma, Plant mescla Led com África e carreira solo, mais Willie Dixon e Bukka White, tudo alinhavado com uma classe sobrenatural. 

Após o show, li algumas matérias a respeito do concerto, as quais me incomodaram sobremaneira. Em uma delas, o repórter diz que o excesso de misturas introduzidas por Plant durante o show deixam o ambiente morno; já outra reclama da potência vocal do cantor. Oras, penso comigo, essa mistura funcionou em “todos” os shows da turnê. O senhor vem de uma sequência de concertos e festivias onde desfila pedradas como Tin Pay Valley, Turn it up, Bron-Y-Aur Stomp, Communication Breakdown, e onde jamais deixa a chamar se apagar. Como pode manter a voz cristalina?

Bom, a verdade é que você pode admirar vários Plants. O gritador afinado dos anos 60 ou o homem com 20 pulmões dos anos 70. Também pode escolher entre o senhor empetecado dos anos 80 ou o pacato dos anos 90. Pode ainda se decidir entre o homem que renasceu neste século, ou então o cantor dos Honeydrippers, a lenda que voltou com o Led, que flertou com o country (bobagem, posto que ele sempre usou e abusou do estilo), enfim.

O que parece é que hoje, beirando as sete décadas, Plant é um cantor pleno e maduro, sabedor de seus limites, conhecedor de seu potencial e absolutamente completo, como Sinatra, Bennett ou Aznavour. Justiça seja feita, alguns jornais corroboraram minhas ideias.

Nobody's fault but mine


sábado, 13 de dezembro de 2014

Das coisas do amor

Lançado em 2004, em decorrência dos 90 anos de Lupicínio Rodrigues, Coisas Minhas traz um bom apanhado das composições do gaúcho das cicatrizes amorosas. Dentre tantos nomes - Linda  Batista, Altemar Dutra, Silvio Caldas, Cauby Peixoto, Edith Veiga, e outros, um merece destaque. Não pela música gravada, mas pela figura que representa: Fábio Jr. 
Estranho pensar no cantor das baladas açucaradas cantando algo digno de prestar atenção. Mas, como ocorre muitas vezes, artistas viram o que costumam gravar, apesar da voz, apesar do talento, apesar de. 
Talento, essa é a única palavra com que podemos classificar a gravação de "Nervos de Aço" na voz do paulista. Lá se vão mais de 30 anos, praticamente 40!, desde que Mark Davis caiu na boca do povo. Daí para Fábio Jr. foi coisa rápida. 
Quanto a Lupicínio, este se consagrou descrevendo as dores do amor, o amor que até hoje delimita a carreira de Fábio Jr. 

Assim, temos as duas pontas de um fio único. A tragédia do amor banal e do amor desiludido.    

Vê,somos dois apaixonados,
Dois cigarros apagados,
Dizimados de ilusão(...)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O descanso é igual

A morte serve para alinhar as coisas, colocando todos sobre o mesmo patamar, no entanto isso não segue tão bem essa lógica. Assim, um bruto pode tornar-se santo; um santo, homem; e um homem, Deus. São várias as figuras que ganharam ares mitológicos após as suas mortes, tornando-se peças de devoção e culto sem limite. História já batida é sobre a “maldição dos 27”, no rock.
Se por si só o estilo já carrega lendas infindas, essa é apenas mais uma delas, sobre uma suposta praga que matou vários jovens com a mesma idade, vide Hendrix, Joplin, Cobain e Morrison. Superstições a parte, a verdade é que todos eles morreram no auge de suas carreiras, mas mergulhados igualmente no auge de suas fraquezas.
Bom, já que estamos falando de superstições e música, hoje, 8/12, é um dia com ao menos três pontos interessantes. O primeiro é que Jim Morrison, um dos “amaldiçoados”, faria 71 anos; também hoje se completam 34 anos da morte de John Lennon; e 20 anos da partida do maestro do Brasil: Tom Jobim.
Se a morte serve para igualar, ou aparentemente aumentar as coisas, dos três citados, é notório que John e Jim viraram figuras míticas. Depois de todas essas décadas, seus rostos estampam canecas, cadernos, camisetas, caixões. Multidões ainda visitam seus túmulos ou casas, e suas musicas viraram hinos, mesmo que tenham sido feitas apenas para serem músicas. Talvez, hoje eles fossem apenas velhos saudosistas, internados em asilos ou clínicas de dependentes. Lembrariam-se daqueles verdes e enfumaçados anos 70, da lisérgica década anterior. No entanto, morreram, deram uma pausa em suas vidas. Já os fãs, estes têm a mania de reescreverem a história dos ídolos partindo de seu fanatismo, mudando até mesmo o que não viveram, ou o que nunca existiu. Bom, já dizia outro desses ídolos que “o nosso amor a gente inventa”.
Mas e o Tom, onde fica nisso? Ah, o maestro não morreu no auge, posto que lá sempre esteve. Dos três, Tom manteve-se sempre convicto de seu caminho. Partiu já com a vida pavimentada, apesar de que não precisava ainda, não é?
Hoje, na Praia de Ipanema, uma estátua do compositor foi inaugurada. A peça apresenta Tom andando com o violão às costas. Os olhos nada miram, e o passo é firme. Talvez vá tomar um chope com John, uma prosa com Jim.   

A verdade é que hoje, de uma forma ou de outra, o mundo sente falta de uns acordes dos quais nunca teve notícia. Nasce um, vai-se outro, no balanço do Mar.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Os ecos

Escutando o novo som de Mark Ronson, Uptown Funk, fica latente que as marcas de Michael Jackson na música pop contemporânea são indeléveis. Talvez porque o clipe e a música traga Bruno Mars em grande forma, como um Michael ainda dos tempos de Off the Wall, talvez porque Ronson tenha produzido o disco póstumo do ídolo de Gary.

Escutando Uptown Funk, também escutamos Gap Band, e também escutamos Average White Band, e continuamos escutando ecos sem fim de uma época que se perpetua a cada novo acorde, numa cidade que se reinventa como todas as cidades já cansadas de si.

O clipe foi gravado em Nova Iorque, neste ano, mas se acharmos que se passa em fins dos anos 70, fará igual sentido.

E assim é a música, se esgota e se descobre. E o passado, que já parecia roto, ganha uma costura e continua o seu ritmo.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Vão-se os corpos e ficam as consciências

Este dia já começou bem fúnebre, com diversas pessoas de nome partindo para o próximo andar. Assim foram Samuel Klein, Márcio Thomaz Bastos e a Duquesa de Alba, a nada normal María del Rosário. Também partiu o diretor Mike Nichols, mas isso foi ontem, enfim. O fato é que toda essa onda de mortes talvez sirva para não deixar este Dia da Consciência Negra passar batido.

Antes que reclamem, digo que a data não apresenta conscientização alguma, posto que tal ação é fruto de anos e anos de trabalho, e que tal trabalho ainda apresenta sérias sanções e sólidas barreiras. No entanto, já que o assunto é personalidades/morte/consciência negra, nada mais justo do que lembrar da morte, no começo desta semana, do grande Jimmy Ruffin. Para quem não fez a relação, Ruffin foi um dos ótimos nomes que constaram no cast da gravadora Motown, fortaleza da soul music norte americana, e celeiro de dezenas de artistas negros.

Ícone do soul nos anos 1960, principalmente pela gravação de  What Becomes Of The Broken Hearted, em 66, Jimmy só alcançaria o topo novamente no anos 80, quando gravou Hold on to my love.

Irmão mais velho de David Ruffin, que ao lado de Eddie Kendricks formou o duo mais marcante dos The Temptations, Jimmy teve altos e baixos em sua carreira, gravando material que, apesar da expressiva qualidade de sua voz, jamais tiveram o valor e reconhecimento que lhe eram devidos. Uma curiosidade: em 1970, David e Jimmy gravaram um disco juntos intitulado como The Ruffin Brothers: I´m my Brothers Keeper. Reza a lenda que o material serviu para alavancar a carreira de Jimmy, mas isso é história.
Assim, partiu mais uma estrela da Motown Records.

Voltando ao Brasil, e sua, mesmo que obrigada, consciência, solto um trecho de Wake up Everybody, de Harold Melvin and the Blue Notes.

Boas Batidas!

"Wake up everybody no more sleepin' in bed
No more backward thinkin' time for thinkin' ahead
The world has changed so very much
From what it used to be so"



sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Entre nós


Vivemos sempre num constante massacre. Centenas de atrocidades, com vítimas vivas ou não, nos alimentam, nos engasgam ou, para aqueles que não possuem olhos ou nada dentro de seus corpos ou mentes, nos divertem.

O bem e o mal são realmente a mesma força, antípoda, que se anula e se completa? É o que podemos supor com os personagens Dr. Henry Jekyll, e Edward Hyde, a própria descrição do ser humano. Acuado, medroso, feroz, mortal. Quantos são os que assim vivem, que passam por nós a cada dia, durante toda a nossa existência? Espécimes assim só são lembrados quando, por acasos da vida, nos deparamos com algum massacre cometido em lugar qualquer, sem razão qualquer.

Em 1986, na latina Bogotá, Colômbia, em um restaurante italiano, ocorreu um desses massacres: o Massacre de Pozzetto. Campo Elias Delgado, ex combatente no Vietnã, professor de inglês, misantropo, Jekyll&Hyde. Um homem no meio do redemoinho assombroso de personalidade, que lavou de sangue e balas 29 pessoas. Um ser que poderia passar despercebido, como algo banal.

Dezesseis anos depois, em 2002, na mesma Colômbia, o escritor Mario Mendoza lançou Satanás, um livro que fala sobre a diária, profunda e eterna presença do maligno em nossos dias. Mendoza foi amigo de classe de Campo Elias, e foi baseado no massacre que Satanás ganhou forma.

Uma menina possuída, um homem que esfaqueou toda a família, uma jovem estuprada, um padre que fraqueja em sua fé, vidas destruídas. O romance fala de coisas que acontecem todos os dias, exceto, talvez, pela possessão, e que de tanto virarem notícia, acabam se transformando apenas em complemento de um cotidiano esfarelado e nulo de razão.

Não sei até que ponto o mal está infiltrado na sociedade, mas é certo que esta mesma sociedade tem produzido, numa escala frenética, os seus próprios assassinos. Pessoas pacatas, como Hyde, e fatais, como Jekyll. Loucos pregadores, vozes ambulantes, sem corpo ou forma, exterminadores em nome da verdade e da justiça, frustrados ou felizes ao extremo.   

Mendoza é escritor de linguagem limpa, objetiva, extremamente realista. O livro é como um diálogo natural, sem rebusco. Isso faz com que a obra ganhe ainda mais realidade, além daquela que deu origem ao texto. Satanás é apenas um livro, um grande livro, mas é também o nosso dia a dia.  

Entrevista com o autor - portalivros.wordpress.com  

Vídeo sobre o Massacre de Pozzetto. 


domingo, 25 de setembro de 2011

Esperando que algum fato (emocionante) venha ocorrer


A falta de assunto sempre leva ao lugar comum. Agora é o "festival de musica no Rio" que está em voga, e tudo o que acontece durante o dia é deixado pra lá, porque de noite é hora do show. No meio disso estão os roqueiros, uma tribo medieval, onde vivem seres eternamente cegos e surdos, levantando uma bandeira já furada pelo tempo que nunca dorme. "Onde estão os dinossauros?", gritam raivosos, enfurecidos, sentindo a falta de seus deuses que nunca vieram ao seu encontro.

Pelo fato do Rock in Rio 85` ter contado com nomes de peso no cenário rock, ficou esse estigma de festival de rock, somente rock, nada mais do que rock, porque o que importa é o rock e rockrockrockrock. Que o diga Erasmo Carlos e Lobão, artistas com um pé no rock, com os dois e mais um pouco no caso do último, e que foram prontamente detonados em suas apresentações diante da já citada tribo medieval do rock, armada com garrafas, latas e uma imensidão sem conta de palavrões e falta de educação.

Por mais que eu queira ficar distante disso, não consigo, pois todo jornal que vejo, toda pagina que abro, faz alguma alusão aos acontecimentos no Rio de Janeiro; e não são os crimes, que continuam, o pouco caso do poder público, que igualmente continua, mas sim o cansativo, mas não falido – Medina gargalha em frente a sua floresta verdejante – Rock in Rio.

Todo o dia vejo alguém reclamando das bandas, dos discursos, do Rio, da monopolização da Globo sobre tudo isso. Pelo menos concordo com o último item, totalmente. Hoje li que os californianos do Red Hot Chili Peppers usaram uma camiseta com o rosto do garoto Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães, que ontem completaria 20 anos. Isso realmente é um monopólio que não entendo. Mais uma vítima de atropelamento no "país que ama carros", que já recebeu mais homenagens do que o necessário, se é que homenagear um menino morto por atropelamento se faça necessário.

Não é de hoje que pessoas, chamadas de estrelas, apenas por possuírem um alto poder econômico, são elevadas ao status de divinas. Tudo o que ocorre com elas é digno de noticiários, e a bandeira da impunidade logo ganha as ruas. Seres totalmente comuns, assim como eu, viram mártires de um problema que afeta a todos. Caso o garoto Rafael não fosse filho de uma dessas ESTRELAS, não teria virado MÁRTIR. No fim das contas a morte iguala todo mundo e, ao fechar os olhos, a cova conforta todas as caixas de madeira. E é assim que 
Carolina Menezes Cintra Santos, Vítor Gurman, Miriam Baltresca e Bruna Baltresca tornam-se iguais a Rafael Mascarenhas, vítimas do mesmo ato, mas nem todas respaldadas pela mesma sociedade.

Sim, fugi do assunto Rock in Rio, pois isso realmente não tem importância. De tudo o que li até o momento, foi essa demonstração de poder o que mais me chamou a atenção.

E o show vai, e deve, continuar... 

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Qualquer coisa verdadeira

Uma vida de excessos, solitária, apesar da imagem de eterna amizade, muito poder em pouco tempo, tudo ao breve alcance das mãos. A morte não escolhe ninguém, é claro, mas o fato é que pessoas que se encaixam nesses pequenos itens parecem que possuem uma disposição enorme para partirem pro além. Muitas viram ícones, mesmo sem um pingo de talento, outras possuem a dádiva artística correndo nas veias.

A morte de Amy Whinehouse mostra bem isso. Milionária, nova, extremamente talentosa e sozinha. I don't ever want to drink again/I just, ooh, I just need a friend. E foi uma trágica inversão de papéis. Não havia amigos, apenas a bebida e seu fundo poço de vidro, a bebida e seus companheiros consumíveis.

Escrevo isso depois da recente morte de outro músico, Jani Lane, da banda de rock norte americana Warrant. Às vezes penso que o rock é o meio musical onde há mais excessos, mas vejo que não é bem assim. Ray Charles, Marvin Gaye, Billie Holiday, Elis Regina, todos eles passaram por problemas envolvendo drogas e álcool. O que me choca no caso de Jani é de alguns desses que citei é a falta de apoio de pessoas que, em outras horas, sempre os rodeavam. Sei muito bem que viciado é uma pessoa que dificilmente aceita ajuda, seja ela de qualquer pessoa.

Sei também que isso não possui apenas um lado e que uma hora as pessoas simplesmente desistem e tentam seguir as suas vidas da melhor maneira possível, às vezes com o coração pesado, mas com a certeza de que fizeram tudo o que foi necessário.

Bom, falava do rock. Jani não foi o primeiro, tampouco o último astro que entregou os pontos pelo vício que a vida repleta de coisas deslumbrantes pode trazer. Alguns casos semelhantes, como do guitarrista Steve Clark, do Def Leppard, se encaixam perfeitamente nisso. Uma falsa vida de facilidades que encobre o enorme fosso cheio de depressão e infelicidade. Talentos aos montes, jogados na lata do lixo, como roupas que não tem mais serventia alguma. Logo depois aparecem as carpideiras, com suas lágrimas de plástico e lamentações vazias. Os tributos, as acusações, as rusgas, mágoas e o dinheiro, claro. A roldana que faz tudo girar, e até mesmo aqueles que caem ao chão em tremendo desespero, logo sorriem com a possibilidade dos bolsos recheados do “suor da morte”.

Quanto custa manter a imagem de eternamente aéreo, ícone de uma geração que não te conhece, mas que vive como um clone seu? Quanto custa a amizade, se é que possui mesmo um preço...  




sábado, 5 de março de 2011

Teclas de papel

Ex-pugilista, afastado das gravações, em constante luta contra as drogas e o álcool, exímio letrista e criador de excelentes melodias, daquelas que se fixam na cabeça, milionário, talentoso, Billy Joel.

The Book of Joel relata as memórias do cantor e sua extensa carreira, que começou ainda nos anos 60 e explodiu pelas décadas seguintes. Com lançamento programado para o dia 14 de junho nos Estados Unidos, o livro revelará as alegrias e pressões por que passam as grandes estrelas.  Joel não grava um disco desde 2001, o último, intitulado Fantasies & Delusions contem apenas peças para piano.

É com tal instrumento que Joel chegou ao mundo das grandes celebridades, com o disco Piano Man, de 1973. Depois vieram 6 Grammys, mais de 100 milhões de discos vendidos e sucessos do calibre de New York State of Mind, Honesty, Movin´Out (Anthony Song´s), I Go to Extremes e A Matter of Trust. Joel é famoso também pelas suas performances com outro às das teclas, Elton John. Os dois se apresentaram juntos pela primeira vez em 1994.

Se o artista anda afastado dos holofotes e, aparentemente, sem vontade alguma de gravar algo novo, a biografia vai servir para afirmar a genialidade de Bily Joel, que não precisa mais provar nada. O livro foi escrito em parceria com o jornalista  Fred Schruers.  

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O ciclo das águas...chega ao fim

Geralmente a pergunta "o que é clássico" aparece em conversas de bares, pontos de ônibus, filas das mais variadas espécies e tantas outras situações. Bem, não estou aqui pra discutir isso, e mesmo que estivesse não sairia muita coisa, pois isso é assunto inesgotável e suscetível a mil respostas, certas ou não.
Enfim, o fato é que na madrugada de domingo o bom escritor gaúcho Moacyr Scliar veio a falecer. E me lembrei desse negócio chato de clássico porque, mais de uma vez, já me vi envolvido no meio de conversas onde se discutia a suposta classe do escritor. 
O negócio é o seguinte, Scliar foi um excelente cronista e contista, ponto. Se foi clássico eu não sei, mas sei que foi um dos escritores que mais li e admirei na minha adolescência,e por isso já tem um grande valor pra mim. Sei que não terá substituto, tampouco sua vasta obra reeditada, mas, para quem quiser manter, pelo menos, o seu nome vivo, então vá a qualquer biblioteca e pegue um dos seus bons romances ou, quem sabe, os agradáveis contos. 
Faço aqui uma analogia com uma de suas crônicas: O Vencedor, Uma Visão Alternativa. Um homem estava sendo violentamente surrado no ringue quando, de repente, surge a figura de sua sobrinha. A imagem faz com que o homem encontre forças para levantar e destruir o adversário. Todos aplaudiram, menos o perdedor, aquele que narra a breve crônica. Assim foi Scliar, anos e anos nos ringues da literatura, aplaudido e, no fim, derrotado. Acaba assim mesmo, alças prateadas, tampo de mogno e o nome eternizado. O Brasil perdeu um grande escritor.   

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A volta do Cars... e do Batida Sonora

Vinte a quatro anos de pausa e um integrante a menos. Sucessos na Mainstream Rock, Adult Contemporary e The Billboard Hot 100. Um hit tocado pelo menos umas cem vezes por dia em algum país deste planeta. E agora estão de volta. Estou falando do The Cars, banda norte americana capitaneada por Rick Ocasek e Benjamim Orr , que faleceu em 2000.O último disco da banda foi "Door to Door", de 1987.   
O grupo anunciou para maio o lançamento de um álbum de inéditas, "Move Like This", e para março o lançamento do single Sad Song. A página da banda no Facebook sempre trás novidades. 
Assim como o The Cars o Batida Sonora também está voltando.
Boas Batidas, com The Cars! 



sábado, 4 de dezembro de 2010

Os novos blacks!

É inevitável, assim que começamos a escutar vem a imagem de um cantor negro, com seus ternos à Motown, corais de Igreja Batista, suingue, metais e tudo o mais. Não é de hoje que cantores brancos se aventuram no mundo do soul, não. Rod Stewart, David Bowie, Dusty Springfield, Darry Hall e Mick Jagger são alguns que já enveredaram por esse caminho. Cantores brancos, mas que nunca negaram a importância da música negra em suas formações.

E no próximo ano, o Brasil receberá o Soul Summer Festival, com datas em Florianópolis, Rio de Janeiro, Recife e São Paulo. Tudo bem, o evento está sendo vendido apenas como um show da talentosa e encrenqueira Amy Winehouse, que faz parte da nova safra de cantores brancos de soul. Além dela, o festival contará com Janelle Monae, que já é apontada como uma das grandes cantoras de soul da atualidade e Mayer Hawthorne.

Quem escuta Hawthorne pela primeira vez é capaz de criar a imagem do começo deste post.  Mas, para quem vê uma foto do artista, fica bem difícil ligar imagem e voz. Com seu visual Bun E. Carlos (baterista do Cheap Trick), Hawthorne mostra muita familiaridade com o estilo. Com um pé em Curtis Mayfield e, principalmente, Smokey Robinson, o cantor tem um trabalho lançado, A Strange Arrangement (2008).

Outra cantora branca que tem grande apelo soul é a inglesa Joss Stone. Com direito a apadrinhamento de Betty Wright, Joss chamou atenção logo no álbum de estréia: Soul Sessions (2003).

Falando de músicos brancos que tocam musica negra me lembrei do bom Rare Earth. O grupo foi o primeiro formado somente por brancos a fazer sucesso no selo Motown.  Antes deles os The Rustix, também formado apenas por brancos, tentaram, mas não emplacaram.

Bom, a música negra é riquíssima, nunca faltou, ou faltarão, artistas para prestarem justa homenagem ao estilo, seja rap, samba, soul, reggae e o que mais couber nesse rótulo.          

sábado, 23 de outubro de 2010

A vergonha do talento

Esse negocio de cantar não e coisa fácil. Tem muita gente que acorda de um dia para o outro e resolve simplesmente abrir a boca e cantar, achando que está no chuveiro, não é? Mas também existe o contrario, pessoas que possuem uma voz incrível, mas se sentem acanhadas e pouco confortáveis em cantar, seja qualquer coisa.

Três bons exemplos disso são: Nat King Cole, David Sylvian e George Benson. Cole e Benson são grandes expoentes do jazz, e isso nem precisa ser dito. Ambos sofreram basicamente o mesmo preconceito, é não é do racial que estou falando. Ate meados da década de 1940, King Cole relutou em cantar, dizendo que sua voz era extremamente rouca e que, provavelmente, era isso que as pessoas gostavam de escutar e não a voz em si.

O sinal de que o musico seguiria o caminho de cantor começou com a música The Christmas Song, em 1946. A gravação trazia o Nat King Cole Trio e um naipe de cordas o acompanhando. Nos anos seguintes vieram os sucessos que marcaram definitivamente a carreira do artista, e que fizeram com que ganhasse uma porção de críticas. Muitos diziam que Cole havia abandonado o jazz para se dedicar ao lado mais comercial da música, com suas baladas românticas e nada mais. Músicas como Mona Lisa (1949), Unforgettable  (1951),  When I Fall in Love  (1956) e Too Young (1951) não podem ser classificadas senão como pérolas, no mínimo.

E a verdade de que Cole nunca abandonou definitivamente o jazz, isso ninguém pode dizer. Com sua morte prematura, em 1965 aos 45 anos, fica a pergunta: qual o caminho que Cole seguiria? O jazz ou as baladas tão bem interpretadas por ele. Não importa, a música seria a vencedora. 

George Benson foi outro que começou no jazz e ao longo dos anos se tornou uma grande cantor, apesar de não se sentir confortável em cantar. Até meados da década de 1970, Benson era um exímio guitarrista, com um timbre perfeito e um estilo de composição invejável.   

Foi a partir do sucesso de Supership (1975) que Benson começou a deixar suas raízes no jazz para seguir o caminho milionário do pop. Isso foi até 1980, quando o disco Give Me The Night, produzido por Quincy Jones, ganhou o Grammy daquele ano. Isso elevou o status de Benson  e músicas como Turn Your Love Around (1981) e In Your Eyes (1983) invadiram as rádio FM.

Benson é tão exímio no que faz, seja cantando ou tocando, que não faz muito sentido ficar discutindo isso. O artista, hoje com 67 anos, continua a se expressar da maneira como sabe, e seu timbre, tanto de voz quanto de sua guitarra, ainda é digno de se escutar. 

Já David Sylvian não tem a sua raiz no jazz. Começou a carreira no Japan, em 1974. E depois de oito anos e grandes álbuns, como Quiet Life (1979), partiu para a parceria com o compositor Ryuichi Sakamoto. 

Sylvian nunca gostou muito de sua voz, preferindo suas letras ou composições. O ponto é que o cantor foi um das grandes referências para o movimento new romantic. E se escutarmos as grandes performances de Simon Le Bon, do Duran Duran, podemos ver muito de Sylvian lá. O compositor nunca se prendeu em estilos, já trabalhando com Robert Fripp, Holger Czukay e tantos outros. Seja com música eletrônica, experimental, art rock e o que mais lhe parecer viável.

Sylvian não tem o mesmo prestígio dos dois citados anteriormente. Mas, seja qual for dos três, são cantores de extrema competência e quase insuperáveis. Vale ouvir, em qualquer fase.
Boas Batidas! 

Too Young - Nat King Cole
Come In From The Cold - George Benson
Silver Moon - David Sylvian 

sábado, 9 de outubro de 2010

Palavra laureada

Independente de suas posições políticas, esquerda, direita, pra frente ou pra trás, a figura de Vargas Llosa sempre me causou profunda admiração. Seja pela escrita extremamente clara e rica em detalhes históricos, seja pelo realismo fantástico que pauta grande parte de seus livros.

Não estou falando do escritor que sempre debateu sobre as formas de governo da América-Latina, com recentes criticas aos governos de Lula e Hugo Chávez, por exemplo. Mas falo do profundo crítico da sociedade peruana, com seu incrível poder de percepção de todas as classes daquele país.  Desde o seu romance de estreia, Batismo de Fogo (título no Brasil), passando por A Casa verde, Conversa na Catedral, Tia Júlia e o Escrevinhador, A Guerra do Fim do Mundo ou Historia de Mayta, o que se vê é uma forma de narrativa forte e envolvente, onde os diálogos não necessitam de linearidade.

Aos 74 anos, o peruano é o mais novo Nobel de Literatura, prêmio anunciado na ultima quinta. Quanto ao confronto política/literatura, Vargas Llosa acredita que o Nobel foi mais por sua “obra literária” do que suas “idéias políticas”. O escritor lançou recentemente Sabres e Utopias, reunião de artigos sobre política, literatura e outros assuntos.

Foi a sexta vez que um latino americano recebe tal prêmio. Os outros foram Gabriela Mistral/Chile 1945; Miguel Angel Astúrias/Guatemala 1967; Pablo Neruda/Chile 1971; Gabriel Garcia Marquez/Colômbia 1982 e Otavio Paz/ México 1990.

Espero que o Brasil apareça um dia nessa lista. Ou, quem sabe, não poderiam criar uma categoria póstuma?, daí não faltariam concorrentes brasileiros. Machados, Aluísios, Barretos, Gracilianos, Jorges ou Rosas...  

terça-feira, 28 de setembro de 2010

89 em 97

Procurando algo para escutar no rádio, acabei sintonizando a 89 Fm. Não gosto da programação, e isso não tem nada a ver com o fato de não ser mais a Radio Rock, sendo que quem sustenta esse epíteto não é tão Rock assim, enfim.

O fato é que me lembrei que num dia, já bem distante, ligaram para minha casa, acho que foi num sábado, e falaram que dentro de alguns instantes eu participaria do Pressão Total, programa de perguntas e respostas da 89 Fm.  Naquela época, eu ainda era um moleque meio bobo e ficava escutando rock o dia todo. Juntava os trocadinhos para comprar minhas revistas “especializadas” e os CDs de minha preferência. Cada beleza no seu tempo.

Bom, estava valendo um mochila, um CD e uma camiseta. Eliminei um participante e fui pra próxima fase. No entanto eu não consegui, pois empaquei em duas perguntas: uma sobre o Papa e outra sobre aviões.
No fim, me sobrou a camiseta e o CD. O primeiro item já se deteriorou, depois de usá-lo em tantos shows, na escola, depois pra ir à padaria, jogar bola, dormir e, por último, o chão. Ashes to ashes...
    
Já o CD ainda tenho, mas dificilmente escuto. Start me Up, God Save The Queen, Pet Semetary, Candy ou (ah não, não!!!) Fear of The Dark deveriam ser ótimas músicas quando eu tinha meus 17 “años”, mas hoje parece que perderam um pouco de seu brilho.   

Tudo bem que elas já existiam antes de meus 17, e quando eu partir elas ainda tocarão em algum lugar, num ouvido saudoso ou, será (?), sedento por “novidades” .

Estou olhando agora mesmo para ele e pensando como muitas coisas nunca mudam, como quantos garotos irão entrar no mundo da música através desses sons e como tantos outros irão odiar essa músicas e dizerem que são todas velharias.

No fundo isso nunca vai mudar, penso eu. Sempre terá alguém que ira defender bravamente essas bandas como o grande, e último, sopro sonoro. Só acho engraçado esse negócio bobo e persistente de rádio rock. As pessoas fazem questão de defender as mesmas músicas, ano após ano, sem inovação.  

sábado, 25 de setembro de 2010

Um pouco de algo

Sabe quando você quer fazer algo, mas não sabe muito bem no que vai dar e quer ir até o fim mesmo assim, mesmo sem saber se terá fim? Pois é, isso é muito bom. O conflito de querer e a dúvida sobre tudo.  

Mas é assim  mesmo, nada de facilidades. As situações não se apresentam com respostas, mas sim com centenas de opções, sendo que todas podem dar certo ou não. Por que estou dizendo isso? Não sei ao certo.

Estava pensando na frase de Sartre, eternizada na música dos Engenehiros, "A dúvida é o preço da pureza." Então ser puro é viver na dúvida, sem nunca conhecer a centelha da possibilidade? E que possibilidades são essas que nos desvirtuam, nos despem da pureza?

Ah, não tenho respostas nem pra metade de minhas perguntas, e não consigo formular perguntas pra supostas respostas que possuo. Sem sentido?, totalmente.

Faz um tempinho que não escrevo as coisas que me propus aqui no blog, musica/literatura, mas ando sem a mínima vontade de falar dos outros. Ando, sim, falando de mim. Pegando as centenas de músicas e livros que surgem na minha memória e fazendo um mosaico de minha pessoa. Ainda não faz muito sentido, e sei que vai demorar pra surgir alguma forma nisso.

Como disse no início, quero ir, fazer, subir na escada mais alta e, lá no topo, gritar muito, pra que todos me ecutem, mas, antes de todos, pra que eu escute.
Estou aqui...   

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Livre

Dias desses estava lendo uma crônica do Vinícius chamada Da Solidão. O título, por si só, já expressa uma pontinha de angustia em quem quer que seja. Certa hora ele cita o nome do poeta  Hart Crane, que se jogou ao mar quando ia do México para os Estados Unidos.

Crane ficou lá, jogado no oceano, na total escuridão, vendo o navio ir embora e a morte se aproximar. E essa imagem ficou na minha cabeça desde então.

O poetinha conversa, em poucas linhas, sobre a solidão que acometeu alguns ilustres personagens da arte mundial. Poe, Toulouse-Lautrec, Dante, Rilke. E no fim continua a pergunta: qual a maior solidão?

Será a de Chico, em sua tristíssima Pedaço de Mim; ou quem sabe é a composição de Sérgio Bittencourt, Naquela Mesa, onde relata a saudade que sente de seu pai, o eterno Jacob do Bandolim?
Não importa. Solidão é algo tao forte que não é presico nem mesmo se estar só para sentí-la. Eu caí nisso por acaso, penso eu. Ontem, naquele dia frio e quase morto, como hoje, fez 20 anos que perdi algo muito valioso pra mim.

Depois de tantos anos me massacrando, penando, culpando (?), me matando, consegui, enfim, deixar isso pra trás. Cobri com terra e saudade. Não aquela saudade mortal, que normalmente é a mais sentida, mas aquela que trás a certeza de que, no momento certo e da maneira certa, as coisas foram muito bem. Tudo perfeito e em sincronia..felicidade.   

Quase no fim da crônica, Vinícius diz: não, a maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não da a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.   

Pois é. Hoje penso o quanto fui egoísta, até mesmo cruel, em não aceitar, simplesmente aceitar, que muitas coisas seguem seu proprio rumo independente de nossa existência, que é bobagem se matar e tornar-se algo amargo e duro. Isso de pensar que o mundo é culpado pela sua dor, que ela é a maior e mais a triste de todas, que o negócio é se fechar na sua dor, isso não tem sentido, não pra sempre. 

Se você chegou até aqui talvez pergunte que diabos, eu leitor, tenho com isso. Eu digo que nada. Este post foi meio pessoal demais. Somente pra ter a certeza de que, ao olhar pra trás, não ficarei em pedaços, mesmo sabendo que a mesa estará sempre vazia.

Digo isso sem um pingo de tristeza, que fique claro. Boa noite e Boas Batidas. 

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Ainda vivos

E este mês apresenta dois dinossauros em plena forma: Ron Wood e Lee “Scratch” Perry.

Wood, 63 anos, chega ao seu 8º disco solo, numa carreira que tem como ponto alto os dois primeiros  discos I´ve Got My Own Album To Do (1974) e Now Look (1975) e Gimme Some Neck (1979). Assim como os outros trabalhos, este último conta com a participação de nomes consagrados da musica, como os guitarristas Slash e Billy Gibbons e o cantor country Kris Kristofferson. O título do disco é I Feel Like Playing, e tem previsão de lançamento ainda neste mês.

Já “Scrath” Perry chega aos 74 anos com uma única vontade: não parar. Recem lançado, Revelation também traz boas participações, como Keith Richards, George Clinton ,Duncan & Green, Tim Hill e Alec Hay. Perry tem uma carreira monstruosa, que começou em 1972 e teve momentos marcantes em 73, com Cloak and Dagger e 78, com Roast Fish, Collie Weed & Cornbread. Na verdade, como se trata de uma lenda viva do Dub, com tanto tempo de carreira, isso de pautar seus pontos marcantes não serve muito.
Boas Batidas. 



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