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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Os ecos

Escutando o novo som de Mark Ronson, Uptown Funk, fica latente que as marcas de Michael Jackson na música pop contemporânea são indeléveis. Talvez porque o clipe e a música traga Bruno Mars em grande forma, como um Michael ainda dos tempos de Off the Wall, talvez porque Ronson tenha produzido o disco póstumo do ídolo de Gary.

Escutando Uptown Funk, também escutamos Gap Band, e também escutamos Average White Band, e continuamos escutando ecos sem fim de uma época que se perpetua a cada novo acorde, numa cidade que se reinventa como todas as cidades já cansadas de si.

O clipe foi gravado em Nova Iorque, neste ano, mas se acharmos que se passa em fins dos anos 70, fará igual sentido.

E assim é a música, se esgota e se descobre. E o passado, que já parecia roto, ganha uma costura e continua o seu ritmo.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Vão-se os corpos e ficam as consciências

Este dia já começou bem fúnebre, com diversas pessoas de nome partindo para o próximo andar. Assim foram Samuel Klein, Márcio Thomaz Bastos e a Duquesa de Alba, a nada normal María del Rosário. Também partiu o diretor Mike Nichols, mas isso foi ontem, enfim. O fato é que toda essa onda de mortes talvez sirva para não deixar este Dia da Consciência Negra passar batido.

Antes que reclamem, digo que a data não apresenta conscientização alguma, posto que tal ação é fruto de anos e anos de trabalho, e que tal trabalho ainda apresenta sérias sanções e sólidas barreiras. No entanto, já que o assunto é personalidades/morte/consciência negra, nada mais justo do que lembrar da morte, no começo desta semana, do grande Jimmy Ruffin. Para quem não fez a relação, Ruffin foi um dos ótimos nomes que constaram no cast da gravadora Motown, fortaleza da soul music norte americana, e celeiro de dezenas de artistas negros.

Ícone do soul nos anos 1960, principalmente pela gravação de  What Becomes Of The Broken Hearted, em 66, Jimmy só alcançaria o topo novamente no anos 80, quando gravou Hold on to my love.

Irmão mais velho de David Ruffin, que ao lado de Eddie Kendricks formou o duo mais marcante dos The Temptations, Jimmy teve altos e baixos em sua carreira, gravando material que, apesar da expressiva qualidade de sua voz, jamais tiveram o valor e reconhecimento que lhe eram devidos. Uma curiosidade: em 1970, David e Jimmy gravaram um disco juntos intitulado como The Ruffin Brothers: I´m my Brothers Keeper. Reza a lenda que o material serviu para alavancar a carreira de Jimmy, mas isso é história.
Assim, partiu mais uma estrela da Motown Records.

Voltando ao Brasil, e sua, mesmo que obrigada, consciência, solto um trecho de Wake up Everybody, de Harold Melvin and the Blue Notes.

Boas Batidas!

"Wake up everybody no more sleepin' in bed
No more backward thinkin' time for thinkin' ahead
The world has changed so very much
From what it used to be so"



sábado, 4 de dezembro de 2010

Os novos blacks!

É inevitável, assim que começamos a escutar vem a imagem de um cantor negro, com seus ternos à Motown, corais de Igreja Batista, suingue, metais e tudo o mais. Não é de hoje que cantores brancos se aventuram no mundo do soul, não. Rod Stewart, David Bowie, Dusty Springfield, Darry Hall e Mick Jagger são alguns que já enveredaram por esse caminho. Cantores brancos, mas que nunca negaram a importância da música negra em suas formações.

E no próximo ano, o Brasil receberá o Soul Summer Festival, com datas em Florianópolis, Rio de Janeiro, Recife e São Paulo. Tudo bem, o evento está sendo vendido apenas como um show da talentosa e encrenqueira Amy Winehouse, que faz parte da nova safra de cantores brancos de soul. Além dela, o festival contará com Janelle Monae, que já é apontada como uma das grandes cantoras de soul da atualidade e Mayer Hawthorne.

Quem escuta Hawthorne pela primeira vez é capaz de criar a imagem do começo deste post.  Mas, para quem vê uma foto do artista, fica bem difícil ligar imagem e voz. Com seu visual Bun E. Carlos (baterista do Cheap Trick), Hawthorne mostra muita familiaridade com o estilo. Com um pé em Curtis Mayfield e, principalmente, Smokey Robinson, o cantor tem um trabalho lançado, A Strange Arrangement (2008).

Outra cantora branca que tem grande apelo soul é a inglesa Joss Stone. Com direito a apadrinhamento de Betty Wright, Joss chamou atenção logo no álbum de estréia: Soul Sessions (2003).

Falando de músicos brancos que tocam musica negra me lembrei do bom Rare Earth. O grupo foi o primeiro formado somente por brancos a fazer sucesso no selo Motown.  Antes deles os The Rustix, também formado apenas por brancos, tentaram, mas não emplacaram.

Bom, a música negra é riquíssima, nunca faltou, ou faltarão, artistas para prestarem justa homenagem ao estilo, seja rap, samba, soul, reggae e o que mais couber nesse rótulo.          

domingo, 9 de maio de 2010

A herança


Alguns afirmam ser ele o criador da soul music. Carismático, performático, e extremamente talentoso, Sam Cooke é citado por dez, entre dez cantores, como a maior voz do estilo.

A lista inclui Rod Stewart, Steve Perry, Jeff Scotto Soto, Al Green e Solomon Burke como admiradores confessos de Cooke. O cantor dominou as paradas de sucesso por quase 10 anos, com musicas eternamente famosas, como"Bring It on Home to Me", "You Send Me" e "Wonderful World", além de ser um dos primeiros artistas negros a ter total controle de sua obra, através de sue próprio selo e editora, SAR.
Cooke gozava de total prestígio tantos nas comunidades negras como brancas, antecipando o que alguns artistas fariam anos depois. Como tantos outros cantores negros, começou nos corais de igreja, seu pai era pastor Batista, demonstrando muita habilidade ainda criança. No começo dos anos 50, com os Soul Stirrers, lançou-se como artista da Specialty Records. Em pouco tempo já- como artista solo- era uma unanimidade na América, o que foi consolidado em dois discos ao vivo: Live at The Harlem Square Club, e Live At The Copa. Apesar do lançamento tardio, 22 anos após sua morte, Live at Harlem tinha todos os ingredientes que confirmam o título de pai do soul. Performático, uma banda afiadíssima, que incluía o lendário saxofonista King Curtis, uma platéia de operários, o disco é um dos maiores registros ao vivo da história da música.
Em dezembro de 1964, com apenas 34 anos, foi assassinado por Bertha Franklin, gerente de um hotel em Los Angeles, numa história que envolve suposta tentativa de estupro.
Apesar de essa ser a versão contada pelos envolvidos, uma outra, narrada pela cantora Etta James no seu livro Rage to Survive, relata que Cooke foi tão espancado que sua cabeça foi decapitada, as mãos quebrados e esmagados, o nariz esmagado e um buraco de duas polegadas na cabeça. Essas lesões nunca foram explicadas.

Quando Cooke já estava no auge de sua força criativa, outro jovem se lançava no mundo da soul music. Discípulo direto de Cooke, Otis Redding estreou em 1964, com o disco Pain in My Heart, que trazia uma regravação de seu mentor, "You Send Me". Com uma carreira curtíssima, Otis herdou não só o talento, mas também a desgraça de Cooke. Em 1967, no mesmo mês da morte de Sam Cooke, o avião que transportava Otis e sua banda de apoio, os Bar-Kays, caiu no Lago Monona, em Wisconsin, tirando a vida ainda curta, tinha 26 anos, o astro. Tinha lançado, até aquela época, sete discos e emplacado sucessos como "Try A Little Tenderness", uma versão matadora de "Satisfaction" e "Cigarettes and Coffee". Otis deixou muito material gravado na Stax, alguns já lançados, incluindo o clássico The Dock of the Bay, de 1968.

Talento e desfechos parecidos, no que diz respeito ao trágico, marcaram a carreira de Sam Cooke e Otis Redding.
Como disse o jornalista Seth Jacobson, “o mundo da musica tem despejado por aí muitas fraudes e artistas medíocres, e muitos deles prosperam num grau muito acima de seu talento, o que torna ainda mais trágico o fato de Otis Redding ter vivido tão pouco”.
E isso também serve para Cooke.

Boa Tarde e Boas Batidas, com Sam Cooke e Otis Reding.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Feito para dançar

Alguns dizem que foi um movimento banal, movido mais pela aparência do que pelo talento. Bom, pra quem acredita que a cena disco não teve vida inteligente, umas das melhores formas de desfazer isso é analisando os caras que estavam no meio.

Certamente, um dos mais fabulosos nomes nisso tudo é o de Nile Rodgers, o cara que botou uma década pra dançar.

O Chic lançou uma tonelada de grandes hits, sempre com a suingada guitarra de Nile, que começou a mostar seu talento ainda cedo. Com 19 anos já fazia parte da banda de apoio do Teatro Apollo, tocando com Aretha Franklin, Parliament e outras bambas da música negra.

Formou o Chic no fim da década de 70, com o seu grande parceiro, o baixista Bernard Edwards. Em 1983, a banda chegou ao fim, e Nile continuou sua caminhada como produtor e “fábrica de sucessos”.

A lista de hits feitos pelo compositor é gigantesca, incluindo famosos como David Bowie, Madonna, Diana Ross, Sister Sledge, Duran Duran e tantos outros.

Com Bowie, trabalhou no álbum de maior vendagem do cantor: Let´s Dance, no mesmo ano em que o Chic se separou. Com as Sister Sledge produziu We are Family (1979), disco que colocou as irmãs no topo das paradas.

O estrondoso sucesso de Madonna, o disco Like a Virgin, que vendeu mais de 20 milhões de cópias, também tem o dedo de Nile.

Outro sucesso é Flash, de 1985, trabalho que apresentou Jeff Beck numa nova roupagem. Uma mistura de Toto, Van Halen, disco, mas no fundo e Jeff Beck. O álbum trouxe o famoso clássico de Curtis Mayfield, People Get Ready, e cinco faixas de Nile.

Just Another Night foi gravada por Mick Jagger no disco She´s the Boss. Além das participações de Herbbie Hancock, Jan Hammer, Sly Dunbar e Steve Ferrone a disco também teve produção de... pois é, Nile Rodgers.

O seu nome ainda pode ser encontrado em discos como Arena e Notoriuos, do Duran Duran ou Mind, Body & Soul, da Joss Stone. A lista é imensa.

Bom ressaltar que além de trabalhar na produção ele também tocou em alguns desses discos, muitas vezes com seus companheiros de Chic: Bernard Edwards e Tony Thompson.

Então, se estiver ouvindo algum desses álbuns, e escutar um balanço infernal nas guitarras, podem ter certeza que Nile Rodgers está fazendo algo lá.

O músico e compositor já lançou alguns álbuns solos e hoje, quando não está produzindo nenhum disco ou fazendo participações especiais, está envolvido na We Are Family Foundation, instituição que da suporte para cultura e artes para as próximas gerações, pregando o respeito e a diversidade.

Boas Batidas!

Site de Nile Rodgers

Site da We Are Family Fundation

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A pregadora do Soul

Alguns dizem que ela foi a versão feminina de James Brown, claro que se trata de um exagero, e dos grandes. Sem dúvida que ele foi uma grande influência para a cantora.

A carreira de Lyn Collins realmente ganhou impulso pela participação na banda de Mr. Dynamite. Ela ingressou no grupo de Brown em 1971, na gravação de Wheel of Life. Seu primeiro trabalho solo foi Think (About It), de 1972. A faixa titulo se tornou o maior sucesso de sua carreira; foi escrita pelo próprio James Brown, que ainda fez outras 3 faixas do disco. A banda que acompanhou Collins são os JB´s, dispensam comentários.

Além de Brown, Bacharach (Reach Out For Me); Bill Wihters (Ain´t No Sunshine) e Gamble & Huff (Never Gonna Give You Up), também aparecem em composições abrilhantadas pela voz de Collins. Porém, órgãos de Igreja, vocais roucos, grooves e baladas emocionantes não conseguiram fazer com que o álbum fosse além da faixa titulo.

Continuou gravando e excursionado com Brown. Em 1975, saiu seu segundo disco Check It Out If You Don´t Know Me By Now. Com o mesmo time do primeiro, a fórmula manteve-se a mesma. Baladas, funks, soul, tudo o que o estilo pede. Back Stabbers, sucesso dos O´Jays; Don´t Make Me Over e If You Don´t Know Me By Now são algumas das boas composições que encontramos nesse disco.

Depois disso, Collins se tornou uma backing vocal permanente. Trabalhou em trilhas sonoras de alguns filmes e séries e nas décadas de 80/90 tentou uma volta, se envolvendo com a dance-music. Lançou as musicas Shout e Break Your Heart. Em 1993, foi convidada pela cantora Patra para participar da regravação de Think (About It).

Continuou a fazer turnês e participar de grandes festivais, como o Montreaux Jazz Festival. No entanto, uma arritmia cardíaca abreviou a vida da Female Preacher em março de 2005.
Tinha 56 anos.

Particularmente, acho que Lyn Collins foi uma das grandes cantoras de soul/funk, apesar do escasso material que gravou. Uma mistura de Aretha Franklin, Patti Labelle e Cheryl Lynn. Não mudou a historia da musica, mas tem seu lugar reservado. Vale a pena procurar.

Mais do que inspiração

Garoto prodígio, de assombroso talento e muito feeling. Este é Shuggie Otis. Tudo bem que hoje ele já não seja um garoto, mas isso é um detalhe pequeno, muito pequeno.

Sua carreira se iniciou na década de 60, numa gravação de “Country Girl”, musica de seu pai, Johny Otis.

O detalhe é que nessa época, Otis estava com 12 anos. Em 1969, tocou no álbum Kooper Sessions, que só foi creditado como All Kooper & Shuggie Otis quando Kooper prestou atenção no incrível trabalho realizado por aquele garoto.

Otis chegou aos 19 anos com um currículo absolutamente incrível: Frank Zappa, o já citado Al Kooper, Etta James, 3 discos solos e, ainda por cima, havia recusado o convite dos Rolling Stones para entrar na vaga deixada por Mick Taylor.

Depois de Kooper Sessions, lançou Here Comes Shuggie Otis (70), Freedom Flight (71) e Inspiration Information (74). Este é considerado a sua obra prima. O álbum é uma perfeita obra da musica negra, misturando funk, soul, R&B e jazz. Todas as musicas são muito boas, começando pela funky e sensual "Information Inspiration"; a experimental "Xl-30" ou a contagiante "Not Available".

O disco levou três anos para ser gravado, gastou uma considerável quantia e, no entanto, não alcançou grandes vendas. Foi o ultimato da gravadora Epic, que o despediu em 74 mesmo. Isso botou por água abaixo o próximo passo de Otis: um disco produzido por Quincy Jones.

Quase 30 anos depois, em 2004, o selo Luaka Bop, de David Byrne, realançou o disco com 4 faixas bônus: "Strawberry Letter 23", "Sweet Thang", "Ice Cold Daydream" e "Freedom Flight", todas do álbum de 71.

O compositor não parou a sua carreira por aí. Apesar de não lançar mais discos, se dedicou à produção de álbuns e algumas eventuais participações. Seu nome ganhou grande notoriedade quando Information foi relançado e pelo crescente uso de suas musicas em samplers de rap e hip-hop.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Talento além dos olhos

Steveland Hardaway Judkins já é um artista mais que consagrado. Com mais de 40 anos de carreira, centenas de sucessos e um talento, realmente, nato, provavelmente nem o próprio Stevie Wonder, no inicio dos anos 60, pensou que chegaria a esse patamar.
Reza a lenda que o astro assinou com a Tamla/Motown ainda criança, 10 anos. Foi através de Ronnie White, dos Miracles, que o vira tocar harmônica e prontamente o apresentou ao chefão Berry Gordy.

Logo, Stevie começou a trabalhar em conjunto com o produtor Clarence Paul, no que iria gerar seus dois primeiros álbuns: A Tribute to Uncle Ray, uma homenagem a Ray Charles, e The Jazz Soul of Little Stevie, onde, incrivelmente, ele tocou todos os instrumentos. O álbum trouxe a instrumental “Fingertips” que, no disco seguinte, The 12 Years Old Genius, contaria com a segunda parte, se tornando um dos primeiros sucessos da gravadora e, claro, do cantor.

A carreira do garoto logo ganharia mais sucessos, como “Uptight (Everything´s Alright)”, “Little Water Boy”, e “Workout Stevie, Workout”. Com a regravação de Blowin´ In The Wind, de Bob Dylan, em 66, o artista tentou dar inicio a sua faceta de ativismo. No entanto, a Motown não deu asas para isso, e demoraria alguns anos para que Stevie pudesse ganhar liberdade autoral sobre seus discos.

O disco I was Made To Love Her, de agosto de 1967, mostrou um cantor já próximo da maturidade. Além da faixa título, seu outro grande sucesso, após “Fingertips Pt. 2”, o disco trouxe as regravações de “Please, Please, Please”, de James Brown; “Respect”, de Otis Redding, que havia sido gravada por Aretha Franklin em abril daquele ano, alcançando as primeira posição nas paradas Pop e R&B e My Girl, a musica que ficou famosa na versão dos Temptations.

Depois vieram For Once In My Life, em 1968, e My Cherie Amour, no ano seguinte. Com isso, a carreira de Stevie estava consolidada. Já havia lançado 13 álbuns, com 16 musicas nas paradas americanas e 10 nas inglesas. E ele só tinha 19 anos.

Para quem quiser escutar alguns de seus primeiros sucessos, uma boa pedida, fácil de achar e preço razoável, é o disco Stevie Wonder: Early Classics, que traz 18 faixas do inicio de sua carreira, pega a fase de 1962 até 1969.

Uma curiosidade: Stevie não nasceu cego. Ele foi um bebê prematuro e teve que ficar em tratamento na incubadora, recebendo oxigênio. No entanto, o processo lhe causou algo chamado retinopatia da prematuridade, crescimento desorganizado dos vasos sangüíneos que suprem a retina. Esses vasos podem sangrar e, em casos mais sérios, a retina pode descolar e ocasionar a perda da visão. Um fator que pode ocasionar a doença é o uso irracional de oxigênio no berçário.

sábado, 18 de julho de 2009

Um negócio de família

A musica negra já produziu algumas centenas de milhares de clássicos, hoje muitos são sampleados por diversos artistas como fonte inesgotável de influência. Entre os artífices, pilares, ou seja lá como quiser chamar, se encontra a instituição do funk, senhor Sylvester Stewart e seu aclamado Sly & the Family Stone.
Formado na Califórnia nos anos 60, a banda ficou notória não somente pelo groove fenomenal de seus músicos ou a conotação política de suas letras, mas também por ser a primeira banda norte-americana a possuir uma formação multirracial, onde homens, mulheres, negros e brancos formavam a “Family Stone”.
Dentre os muito bons trabalhos da banda, destaco There´s a Riot Goin´On, de 1971. Nessa época, os Estados Unidos estavam afundados na carnificina do Vietnã, uma guerra sem propósitos fundamentais. O disco, entre tantos outros, teve papel relevante como propagação de idéias e discurso à nação norte-americana. Com a cabeça afundada nas drogas e distúrbios emocionais de Sly, aliados a intermináveis sessões e overdubs, There´s a Riot Goin´On se destaca por faixas como “Family Affair”, “Time”, “Thank You For Talkin´To Me África” e “Runnin´ Away”.
Entre as lendas que dizem sobre esse álbum, alguns falam que Miles Davis participou das gravações, mas são apenas boatos, até agora.
O disco marcou o inicio da total desintegração de Sly Stone, o que não levaria muito tempo. A formação clássica da banda, Sly Stone, Freddie Stone, Rosie Stone, Greg Errico, Larry Graham, Jerry Martini, Cynthia Robinson, acabou poucos anos depois. Ainda aconteceram outros sopros de vida, mas There´s a Riot(…) continua sendo como um dos grandes marcos do grupo.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

De Gary para o mundo. "Dear Michael"

Não há adjetivos para qualificar Michael Jackson, no que diz respeito a sua musicalidade. No mesmo dia que Farah Fawcet se despediu, o rei do pop também deu seu adeus.
Não importa quantos garotos apareçam na mídia, cantando, dançando ou tentando ter talento, o trono do pop pode até ser ocupado por outro artista, mas a coroa pertence a Michael.

Independente de ter se transformado num boneco da mídia, Michael Jackson morre como um artista dotado de enorme talento. Seja dançando, cantando, derramando o seu poder de contemplação, coisas que só um astro sabe fazer.
Explorado pelo pai e posteriormente pelo show bizz, em mais de 30 anos de carreira colecionou hits e fez o que poucos artistas conseguiram. Ao longo da carreira vendeu mais de 750 milhões de discos, 100 milhões só do clássico Thriller. Ganhou 59 discos de platina, lançou 13 singles No. 1 e recebeu 13 prêmios Grammys.
Começou aos 11 anos, cantando com seus irmãos, e logo os Jackson 5 se tornaram um grande sucesso da Motown Records. Mas foi na década de 80 que Jackson abalou o mundo da música. Partindo desta data, tudo o mais seria modificado. O cantor delineou toda uma década na cultura pop e influenciou profundamente artistas do pop, soul, R&B e hip-hop.
Jackson faz parte daqueles artistas ímpares, que hoje em dia não se encontram mais. Afastado há mais de 10 anos das grandes turnês, o cantor se preparava para uma serie de concertos no O2 Arena, em Londres. A turnê, com o nome de This Is It, iria ser iniciada em 13 de julho, com shows até março de 2010.
De sucessos como “Got To Be There”, “Ben”, “ABC”, passando por “Rock With You” até estourar nas eternas “Trhiller”, “Beat It” e “Bad”, Jackson enveredou pelo música e mostrou que a criatividade sempre foi sua força inspiradora, até que uma estúpida parada cardíaca veio abreviar o seu caminho.
Me entristece muito o fato de um artista como ele partir dessa forma.


We’ve been together
For such a long time now
Music, music and me
Don’t care whether all our songs rhyme now
Music, music and me
Only know wherever I go
We’re as close as two friends can be
There have been others
But never two lovers
Like music, music and me
Grab a song and come along
You can sing your melody
In your mind you will find
A world of sweet harmony
Birds of a feather
We’ll fly together
Now music, music and me
Music and me

Michael Jackson - Music And Me

Michael Joseph Jackson 1958-2009

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Eterna influência

É triste lembrar da imensa quantidade de ídolos brasileiros que caíram no ostracismo. Sem biografias, sem tributos ou sequer a mínima menção em publicações especializadas que, aliás, também são raras, eles acabam se tornando peças desconhecidas e muitas vezes recebem a triste e vazia alcunha de artistas “cult”. A lista é enorme e seria cansativo e maçante se estender nisso. Porém, lá fora é um pouco diferente.

Lançado em 2005, “Inspired by genius... the music of Ray Charles”, no que diz respeito a manter o nome do artista, é um ótimo trabalho. O disco apresenta musicas que ficaram famosas na voz de Charles interpretadas por artistas diversos entre os anos 60 até 2000, portanto antes e depois de serem gravadas por Ray.

Ao longo das 21 faixas fica difícil destacar alguma. Dentre elas posso citar The Animals no petardo Mess Around, (Jesse Stone); Don´t let the Sun Catch you Crying, (M. Greene), numa versão ao vivo arrebatadora de Paul McCartney; a sensual I Believe To My Soul, (Ray Charles), com o Love Sculpture; a linda I´ve Got News for You, (Alfred), com Terry Reid. O disco num todo é excelente, não só pelas músicas, mas também pelos músicos que participam do projeto.

Ray Charles sempre foi daqueles artistas que transcendem o seu tempo. Através da música mostrou a sensibilidade que seus olhos não podiam captar. Seja no country, blues, jazz. gospel, soul, não importa o ritmo, ele dominou tudo com a mesma maestria, influenciando posteriormente uma parcela generosa de músicos.
Um artista tão universal quanto Zé Kéti ou João do Vale, só com uma pequena diferença, e lamentável, teve reconhecimento.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

O reverendo do Soul

Quando o talento rege o artista ele se torna eterno. É assim que podemos falar sobre Al Green. O cantor lançou recentemente o álbum Lay It Down, já considerado um clássico e podendo figurar entre os famosos "Let´s Stay Together" e "I´m Still In Love With You".

Com uma produção bem moderna, remetendo ao disco "I Can´t Stop", a cargo de Ahmir "Questlove" Thompson e James Poyser, o trabalho conta com as participações de Corinne Bailey-Rae, John Legend e Anthony Hamilton.

Ao longo das 11 faixas, Green nos brinda com o que sabe fazer de melhor: falsetes, levadas suingadas, letras falando de amor, e seu talento nato, somado aos anos de estrada e malícia.
"Lay It Down" só veio a consolidar a carreira de Green que, aos 62 anos, carrega a bandeira do soul.
STAY WIHT ME( BY THE SEA)

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Who's bad...

Este mês de Agosto é de grande celebração no universo "POP". No último dia 16, a cantora Madonna comemorou 50 anos com badalada festa, e hoje é a vez do eterno astro Michael Jackson assoprar as velas. Nascido no dia 29/08/1958 na cidade de Gary, Indiana, Michael Joseph Jackson está no showbussiness há mais de 40 anos!

Jackson nunca deixou de ser um artista de extrema competência na música, redirecionando o mercado fonográfico e a cultura pop na década de 80. Mesmo com os escândalos envolvendo o seu nome, ainda mantém uma fiel legião de fãs.

Colecionando hits desde a infância, Jackson já havia lançado 5 discos solo quando gravou o álbum Off The Wall de 79, sob a batuta do influente Quincy Jones que ainda produziu os 2 próximos discos do cantor, e iria conquistar o mundo 4 anos depois com o disco Thriller que contém as clássicas "Beat It" ( marcada pelo riff de Steve Lukather e solo de Eddie Van Halen); "The girl is Mine"- com Paul McCartney; "Wanna Be Startin`Somethin`" e a famosa faixa título, com direito a mega produção no clip e risadas macabras do ator Vincent Price. Até hoje, Thriller é o disco mais vendido da história fonográfica.

Depois do disco Bad, de 87, e Dangerous, de 91, a carreira do cantor mergulhou numa fase de turbulência, criticas e insucesso. Ainda lançou o álbum Invincible, em 2001, sem o mesmo brilho de antes e com uma divulgação que o deixou praticamente esqueçido. Jackson prepara novo material para lançamento entre este ano e o próximo.




Blood On The Dance Floor

domingo, 10 de agosto de 2008

Who is the Man... Shaft!!!

Morreu nesta manhã o musico americano Isaac Hayes. Encontrado pela sua esposa caído no chão de sua casa, foi levado ao Hospital Batista de Memphis, no estado do Tennessee, mas não resistiu e faleceu em seguida.

Hayes ficou mais conhecido quando fez a trilha sonora do filme "Shaft", ganhando o prêmio Grammy em 72. Ao longo de sua extensa carreira colecionou muitos hits como "Disco Connection", "Wonderful", "The Look of Love"- da dupla Burt Bacharach/Hall Davis- e "Theme from Shaft", seu maior sucesso. O músico, nascido em 42, foi um dos grandes nomes da gravadora Stax. Foi responsável, além de seus próprios sucessos, pela produção de nomes como Ottis Redding e Sam & Dave.
Em 97, participou do seriado South Park, dando voz ao personagem Chef. Largou a produção devido a "ridicularizações inapropriadas" relativas à sua religião, a cientologia.

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