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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Bônus e mais bônus

E para os fanáticos pelo Duran Duran vem aí um belo pacote. Após relançarem o disco Rio, de 1982, em CD duplo com versões demo, remix e ao vivo, além de B- sides, a banda prepara para o primeiro trimestre de 2010 o relançamento dos discos Duran Duran (1981) e Seven And The Ragged Tiger (1983).

Atualmente em estúdio, trabalhando no seu 13º disco, com a produção de Mark Ronson, a banda não se apresenta desde julho deste ano. O ultimo show ocorreu no Lovebox Music Festival, em Londres.

Outro lançamento para o próximo ano é o disco So Red The Rose, do Arcadia. Banda formada por Nick Rhodes, Simon LeBon e Roger Taylor, quando o Duran Duran se separou. Vem com um CD extra contendo singles e mais um DVD.

Para quem quiser mais informações sobre os lançamentos, entre no link e procure pelos álbuns.

Duran Duran/ News

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Fim de ano é tempo de caixinha

Pois é, o fim de ano esta próximo, muito próximo. Com ele, vem aquela palavra já bem conhecida em centenas de estabelecimentos: caixinha.

Não importa o modelo, com babado em volta, de madeira, sapato ou mesmo aquelas decoradas com biscuit, tem pra todos os gostos.

Bom, mas para quem não gosta de depositar nada nesses recipientes, resta, então, ir atrás das suas próprias caixinhas. Estas, bem caras.

Estou falando das fabulosas caixas de filmes, discos ou livros que infestaram o mercado neste ano, e outros que já rodam de águas passadas.

Vale destacar que, a não ser que você esteja disposto a desembolsar uma bela grana, é bom nem passar perto desses mimos incríveis.

Alguns (de música) que saíram no ano passado e neste:
O canto da Cigarra nos Anos 70 (Simone)- 11 primeiros discos remasterizados, com faixas bônus, depoimentos da cantora e historia de cada disco. Em média R$ 190,00.

Salve Jorge (Jorge Bem Jor)- 13 primeiros discos, que ele lançou pela Philips, mais um duplo com raridades de 63 até 76. Em média R$250,00.

Camaleão (Ney Matogrosso)- Essa é uma das melhores. São 15 discos de carreira, mais Brazil Night/Montreux 83, com Ney, João Bosco e Caetano Veloso, e um disco com 21 raridades. Todos apresentam textos com curiosidades e depoimentos do cantor, além da parte gráfica, que apresenta capa, contra capa e os rótulos dos vinis originais. Foi um trabalho de três anos do pesquisador e produtor musical Rodrigo Faour. Em média R$ 300,00.

Quarenta anos Caetanos e Todo Caetano (Caetano Veloso)- A segunda, conta com 41 discos. Vai de 1967, com Domingo (Gal e Caetano) até Eu Não Peço Desculpas (Caetano e Jorge Mautner), de 2002. Fora os brindes, como o disco Bicho Baile Show, com Caetano e Banda Black Rio, de 1978 e um disco com singles.
Já a outra se trata de um pacotão, imenso mesmo. São quatro caixas. A terceira, lançada neste ano. A primeira compreende o período 67/74, a segunda é de 75/82 e a ultima é de 83/94. Todas apresentam os discos de trabalho e um com raridades.
Os preços variam muito. Já vi por R$1.300,00 até R$ 800,00 (Todo Caetano) e R$ 550,00 até R$300,00 (Quarenta anos Caetanos).

Wilson Simonal na Odeon (Wilson Simonal)- Essa é a mais em conta. Foi lançada em 2004, mas saiu de circulação dois anos depois. Relançada agora, na onda do filme e da biografia de Simonal. Contém nove discos, lançados de 1961 até 1971, e um disco duplo com raridades. Além de um livreto recheado de informações e fotos. Em média R$110,00.

Tem também aquelas preciosidades que já estão fora de catálogo, podendo serem encontradas ainda escondidas em lojas espalhadas por aí. Estou falando das caixas Mesmo Que Seja Eu (Erasmo Carlos) e os dois box de Nara Leão. Tremenda raridade e preços nada módicos.

É claro que tem muitas outras caixas que você encontra por aí, como a de Chico Buarque, Gilberto Gil, Dorival Caymmi, Nelson Gonçalves, RPM, Clara Nunes, Mário Reis e tantas outras. Tem pra todos os gostos, mas não pra todos os bolsos.

É isso aí, pessoal!

sábado, 5 de dezembro de 2009

Ele sabe o que faz

Rod Stewart completou neste ano quatro décadas do lançamento de seu primeiro disco, The Rod Stewart Álbum. O cantor entrou para o rol dos grandes artistas com os trabalhos seguintes: Gasoline Alley (1970), Every Picture Tells a Story (1971), Never a Dull Moment (1972) e Smiler (1974).

Na verdade, a carreira desse inglês vem de antes, dos grupos obscuros Jimmy Powell and the Five Dimensions e o Hoochie Coochie Men, onde abriu para Rolling Stones e Walker Brothers e chegou a gravar um disco.

Em 1966 entrou para o Jeff Beck Group, e foi aí que começou a ser lapidado o seu sucesso. Com o grupo lançou os álbuns Truth (1968) e Beck–Olá (1969). Após sair da banda, foi chamado para integrar o Cactus, mas rejeitou, entrando depois para o Small Faces, substituindo Steve Marriott, que foi para o Humble Pie. Nessa empreitada estava Ron Wood, que foi baixista do Jeff Beck Group.

Mudaram o nome para The Faces e lançaram, em 1970, First Step. Nesse ínterim, Stewart já havia lançado seu primeiro disco solo, como mencionei no começo do texto.
Rapidamente a sua carreira solo estava fazendo mais sucesso do que com o The Faces, que participavam das gravações de Stewart. Em 1974 estava tudo acabado, e o inglês estava livre para fazer sues vôos particulares.

É nessa primeira metade da década de 70 que clássicos como “Maggie May”, “You Wear It Well”, “Man Of Constant Sorrow” e “Mandolin Wind” foram lançados e o nome de Rod Stewart virou sinônimo de boas canções. O cantor nunca escondeu suas influências, principalmente dos cantores de soul, em especial Sam Cooke.

Nas décadas seguintes os sucessos aumentaram, as musicas mudaram e seu nome se consolidou em definitivo.
Desde 2004 que o cantor vem prestando tributos e tributos, primeiro foram com clássicos standarts da musica americana, depois com sucessos do rock dos anos 70, e por último uma volta às influencias: Soul Book, perolas da Motown e de cantores do movimento soul.

“São as canções ao som das quais dancei, namorei, gritei e que me acompanharam toda a vida. Estas canções foram o oxigênio que alimentou a minha paixão pela música”, declarou Stewart.
Com participações de Stevie Wonder, Mary J. Blige e Jeniffer Hudson o álbum mostra um cantor calejado, com a manha necessária para cantar; sem frescuras na voz. Claro e ciente de seu talento. “You Make Me Feel Brand New”, If You Don´t Know Me By Now” e “You Really Got a Hold On Me” são algumas das musicas interpretadas no disco.

Alias, 2009 ganhou, alem do tributo de Rod Stewart, o bom disco de covers do Tower Of Power, Great American SoulBook, com versões, entre outras, de “Me & Mrs. Jones”, “Heaven Must Be Missing An Angel” e “It Takes Two”, sucessos indiscutíveis da musica negra.

E falando em musica negra 2009 também apresentou a volta de um velho medalhão do estilo, Smokey Robinson. Na verdade este post seria sobre ele, mas acabei me desviando, e bastante.
Enfim. Ficam as dicas para alguns bons discos neste final de ano. Ah, o de Smokey se chama Times Flies When You´re Having Fun.
Para quem quiser escutar o disco de Rod Stewart, entre no link.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Plugados, barulhentos e geniais

Quem não gosta de ir a um show, ver o artista do coração, gritar, rasgar as roupas, empurrar os outros, enfim... coisas de shows. Mas nem sempre isso é possível, pelo menos pra quem mora aqui no Brasil. Quando calha de determinada banda aparecer... bem, acontece algo como a novela AC/DC, que prefiro não comentar, de tão ridícula.

Para aqueles que nunca tiveram a oportunidade de ver seus grandes ídolos em carne e osso, Batida Sonora selecionou 10 álbuns ao vivo que apresentam artistas no auge de sua potencia criativa (talvez não). Alguns já pisaram, mais de uma vez, em terras brasileiras, mas não custa lembrar.

Unleashed The East- Judas Priest
Há quem torça o nariz para este disco. Gravado em Tóquio e lançado em outubro de 79, trazia o Judas Priest extremamente afiado. Rob Halford ainda não era o “Metal God”, mas já lançava as bases para a explosão Heavy Metal dos próximos anos. O álbum foi produzido por Tom Allom que, a partir deste disco, trabalhou com o Judas até o penúltimo lançamento, Angel of Retribution. Apesar dos ajustes feitos em estúdio, o álbum e extremamente bom, com destaques para "Diamonds & Rust" e a versão definitiva de "Victim of Changes". Eles estavam na turnê do Hell Bent For Leather .

No Sleep Till´Hammersmith- Motorhead
Lemmy e sua trupe estavam no auge da pancadaria quando lançaram este disco. Apesar do título, não foi gravado no Hammersmith Odeon, mas em 4 cidades: Leeds, Newcastle e Norfolk, na Inglaterra, e Belfast, na Irlanda do Norte; o Hammersmith fica em Londres. Em 81 o Motorhead estava com sua formação clássica: Lemmy Kilmster com seu eterno baixo Rickenbaker, Phil Animal Taylor na bateria e Fast Eddie Clark na guitarra. O disco foi gravado na turnê do Ace Of Spades. Apesar da gravação não ser das melhores, mostra o trio em plena forma artística (nos termos MOTORHEAD, é claro), destacando "Iron Horse", "Bomber", "Stay Clean", ah ta bom, o disco inteiro é bom. Ponto final.

Live & Dangerous- Thin Lizzy
Este é clássico demais. Gravado no ano de 77, durante a turnê dos discos Johnny The Fox e Bad Reputation, trazia o Thin Lizzy em grande forma. Contando com uma de suas melhores formações, senão a melhor, que tinha Brian Downey – bateria, Scott Gorham – guitarra, Phil Lynott – baixo e voz e Brian Robertson – guitarra, o album é mais um caso de “ao vivo no estúdio”.
As únicas partes ao vivo deste disco são as da bateria e o público, todo o resto foi gravado em estúdio. Para quem gosta de perolas como “Rosalie”, “Johnny the Fox Meets Jimmy the Weed” ou a baladona "Still In Love With You", é uma otima pedida.

World Wide Live- Scorpions
A década de 80 representou o ponto alto na carreira do Scorpions. Os alemães haviam atravessado os anos 70 com seis discos, mudanças de formação e alguns hits na bagagem. Na virada da década, o grupo abraçou o som que estava em evidência: aquela sonoridade que nos remete a uma apresentação em grandes estádios, o estouro do Hard Rock de arena. O disco Animal Magnetism (1980) já apontava para as mudanças no som da banda, que iriam ficar evidentes em Blackout (1982) e eternizados em Love At First Sting (1984). Gravado durante a turnê deste, World Wide Live mostra todo o poder de fogo da banda, em hits como "Coming Home", "Big City Nights" e "Dynamite". O grupo ainda continua com suas apresentações eletrizantes, mas… cada beleza na sua época. Ótimo disco.

Live- Entertainment or Death- Motley Crue
Este disco é muito bacana e faz um apanhado da carreira do Motley Crue de 82 até 99, ano em que Randy Castillo comandava as baquetas. O trabalho só não cobre a fase John Corabi, o que é uma coisa obvia, visto a irrelevância do material em relação à toda a sua discografia, não pela qualidade. O Motley é uma das mais famosas e duradouras bandas da safra Hard Farofa (termo rídiculo, por sinal), tendo lançado nove discos em seus 28 anos de carreira. Entertainment passeia pelas desafinadas clássicas de Vince Neil ate as performances alucinadas de Tommy Lee. E, claro, composições do início da carreira, como a pouco inspirada "Merry-Go-Round", numa versão de 82, até musicas mais elaboradas, como a ótima "Dr. Feelgood", em show de 99. De amadores para mestres do entretenimento, o disco mostra a ascenção do grupo.

Live & Loud- Ozzy Osbourne
Ozzy Osbourne é uma divindade no rock. Com inumeros discos gravados, seja com o Black Sabbath ou carreira solo, o musico tem uma trajetoria de altos e baixos. Solo, lançou cinco disco ao vivo, um deles sendo Ep, todos muito diferentes um do outro. Live & Loud saiu em 1993, gravado na turnê do disco No More Tears. Ozzy estava no máximo de sua carreira pós Sabbath, e contava com uma banda afiadíssima: Randy Castillo (olha ele aí de novo), Zakk Wylde e Michael Inez. Além de versões poderosas para "I Don´t Want To Change The World", "Bark At The Moon", "Mr. Crowley", entre outras, o disco traz a musica "Black Sabbath", gravada em Costa Mesa com os membros originais do Black Sabbath. Esse episódio culminou com a segunda saída de Ronnie James Dio do grupo, mas isso é outra história. Talvez por Live & Loud ter sido o primeiro disco de rock que comprei, ou simplesmente porque ele é bom mesmo, não sei, o fato é que o trabalho é insdicutivelmente fantástico, e traz o Madman soberano.

Arena- Recorded Around The World 1984- Duran Duran
Este com certeza apresenta uma banda no máximo de sua força criativa: o Duran Duran na primeira metade da década de 80. Com três discos na época: Duran Duran (81), Rio (82) e Seven and The Ragged Tiger (83) o quinteto lançou Arena contendo a maioria de seus sucessos até o momento. "Is There Something I Should Know", "Save A Prayer", "The Chauffer" estão todas presentes, além da inédita "The Wild Boys", produzida por Nile Rodgers. Este disco representou o fim da era de ouro da banda, que só iria contar com a formação clássica 20 anos depois. No entanto, não passaram de dois discos, um deles ao vivo. Arena mostra uma das mais influentes bandas dos anos 80 em pleno estado criativo. Em 2004, foi lançado uma versão com duas musicas bonus: "Girls on Film" e "Rio".

Live!- The Police
O The Police teve uma carreira tão curta e igualmente tão fantástica, que é pratiamente impossível dizer que eles estiveram no auge em determinado tempo e noutro não. Todos os cinco discos são escenciais, e relamente não consigo destacar um do outro. Bom, o primeiro, e unico, registro ao vivo do grupo só foi lançado 12 anos apos terem encerrado as atividades. Live! traz o Police em duas perfomances. O primeiro CD é de uma apresentação em Boston, em 1979, durante a turnê de Reggatta de Blanc. Nesta apresentação, o grupo está bem mais cru, com uma pegada punk, pesada, típico da época. Vale lembrar que Reggatta foi o primeiro disco de sucesso do grupo, onde clássicos como a faixa título e "Message in A Bottle" mostraram do que a banda era capaz. O segundo disco é de um show am Atlanta, em 1983, durante a turnê de Synchronicity. Já traz a banda bem mais madura, com composições mais elaboradas e complexas. No entanto, como ponto negativo, no segundo disco algumas musicas contam com cantores de apoio, o que as tornam obras de difícil assimilação, distanciado do estilo cru do primeiro disco.

All Those Wasted Years- Hanoi Rocks
Uns dizem que era punk demais, outros já falam que foram um dos alicerces do hard rock. No fundo é apenas rock´n´roll. Básico, batido, mas fundamental; a frase e a banda.
O Hanoi Rocks chama a atenção, primeiro pela sua origem: são finlandeses, apesar da carapaça glam inglesa. A outra é a sonoridade. Tinha influencia tanto dos papas do rock, como Chuky Berry, até New York Dolls e The Stooges.
Este disco foi gravado no Marquee Club, em Londres. Clássicos como "Taxi Driver", "Visitor" e "Don´t Never Leave Me", além de covers para Alice Cooper, Stooges e a básica "Train Kept-A-Rollin´" são apresentadas numa sonoridade crua e chocante, como manda a cartilha do estilo. Grande disco, que representou o ultimo lançamento da formação clássica da banda. O baterista Razzle morreu em um acidente de carro, provocando profundos problemas com os remanescentes. Apesar de ainda tentarem com Terry Chimes (ex- The Clash), o grupo se separou, só voltando em 2002 e encerrando as atividades sete anos depois.

If You Want Blood, You Got It- Ac/DcJa que citei o AC/DC no começo deste post, nada melhor do que fechar com os australianos. Este disco traz a banda num dos melhores momentos de sua carreira. A turnê de Powerage, que antecedeu Highway to Hell. Além de ainda contar com Bon Scott nos vocais, as musicas da banda, até aquele momento, apresentavam o som típico que caracterizou a banda: o blues encharcado em whisky e riffs alucinantes de Angus. De "Riff Raff", passando por "The Jack" e "Whole Lotta Rosie" até "Let There Be Rock" e "The Rocker", a álbum é o registro de uma banda que ja era grande e passou ao mainstream dois anos depois.

É isso aí. Depois de coçar a cabeça, reescrever, ir e voltar, eis que terminei com isso. Não foquei em bandas de pop e rock por algum motivo específico, pois gostaria de falar sobre outros estilos ou mesmo discos que ficaram de fora. Mas como essa lista não tem o intuito de “os melhores”, então acho que está bom.
Quem tem esses discos, continuem escutando. Para os outros, vão atrás.
Abraços.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O mago das melodias

Quando eu era criança, uma coisa que gostava de fazer era fuçar nos discos e fitas de meu pai. Não era uma grande coleção, mas me chamava a atenção enormemente. Entre os títulos, alguns nunca me esqueço, como a trilha sonora de Saturday Night Fever, Children Of The World e Spirit Having Flown, dos Bee Gees, e um em especial: Captain Fantastic & The Brown Dirt Cowboy, de Elton John.

É bom frisar que não foi propriamente o som que me marcou, mas a capa. As musicas, só fui ouvir com atenção uns 15 anos depois. Passava horas e horas olhando para aquele emaranhado de figuras, tentando encontrar o máximo de “coisas escondidas”. Um homem carregando um relógio, um castelo de cabeças, mãos saindo da parte de cima de um chapéu, e uma profusão de animais estranhos. Fantástico, mesmo. Lembro que eu, meu irmão e meus primos levávamos muito tempo decifrando aquela capa. Essa que vocês estão vendo é só uma parte. Ao abrir o disco, vemos as duas, formando uma espetacular alucinação.

Quanto as musicas, se tratando de Elton John, ainda mais dessa fase, não é preciso dizer que são extremamente sensacionais. Com suas melodias cativantes, refrões bem estruturados e a típica musicalidade do artista. O titulo do álbum faz referência ao próprio Elton como Captain Fantastic e seu grande parceiro de composições, o letrista Bernie Taupin como o Brown Dirt Cowboy. Sendo assim, a obra funciona como uma autobiografia de ambos. A versão original do álbum, de 1975, possui apenas 10 musicas. Ao ser relançado em 1996, trouxe as faixas "Lucy in the Sky With Diamonds", "One Day (At a Time)" e "Philadelphia Freedom". A edição comemorativa dos 30 anos, de 2005, ainda trouxe a faixa “House Of Cards”, que havia saido como lado B de Someone Saved My Life Tonight, e um show gravado em junho de 1975, no estádio de Wembley. A magnifica arte gráfica desse disco é obra de Alan Aldridge, que já trabalhou com Cream, Beatles, The Who, Tears for Fears, entre outros.

O disco foi o nono da carreira de John, e o primeiro a alcançar o topo das paradas americanas, permanecendo durante 7 semanas no #1.

Não sei que fim deu o disco, assim como todos os outros da coleção de meu pai, só sei que guardo Captain Fantastic com enorme saudade.
Ah, hoje meu pai está completando 51 anos. Parabéns...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Um bolachão esquecido

Praticamente um desconhecido para muita gente, inclusive para este que escreve, Amado Maita foi um dos ilustres músicos da noite paulistana na década de 70.

Com uma vida muita curta, faleceu com 57 anos, e uma carreira fonográfica menor ainda, lançou apenas um disco auto intitulado, em 1972. Tive contato com sua obra faz pouquíssimos dias, e o que me chamou a atenção, fora sua voz, foi a musicalidade muito próxima ao que Milton Nascimento fazia em inicio de carreira. Uma mistura muito moderna de samba e jazz, acompanhada pelo sensacional Edison Machado na Bateria.

O disco é realmente muito bom, possuindo composições do próprio Maita e outras alheias. Faixas como “Reflexão”, “Samba do Amigo” e “Mariana” e “Sabe Você”, de Vinícius de Morais, mostram um artista dotado de extremo bom gosto. Com um timbre de voz melancólico na medida, boas letras e um excelente time de músicos o trabalho de Maita é uma pérola perdida na multidão.

Uma curiosidade. O pianista Guilherme Vergueiro, que participou do trabalho, diz que o Quinteto de Edison Machado foi chamado para tocar no disco. No entanto, Vergueiro e Edison foram expulsos pelo produtor, por serem “muito loucos”; foram pegos fumando um baseado no telhado do estúdio. Sendo assim, os dois gravaram apenas uma faixa, e não se sabe quem assumiu o lugar nas outras.

Como é raro encontrá-lo, resta a oportunidade de baixar uma cópia. Isso é muito mais fácil. Vale a pena.

Músicos :
Ion Muniz : Sax
Silas : Trombone
Guilherme Vergueiro : Piano*
Ricardo Pereira dos Santos : Baixo
Edison Machado : Bateria*
Arranjos : Mozar Terra
Músicas :
01 - Samba de Amigo
02 - Mariana
03 - Os Mergulhadores
04 - Cemiterio dos Vivos
05 - Piedade
06 - Gestos
07 - O Monstro Verde do Mal
08 - Sabe Voce
09 - Não Me Diga Adeus
10 - Reflexão

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A formula que dá certo

Gravado durante o ano passado e lançado em março deste, o álbum Yes é o que se pode chamar de um disco perfeito. Isso não é uma grande novidade, pois, se tratando do Pet Shop Boys, eles já chegaram lá com discos como Actually, de 1987 e Introspective, 1988.
O duo inglês foi formado por Neil Tennant e Chris Lowe e iniciou as atividades no inicio da década de 80. O primeiro disco, Please, veio em 86; de lá pra cá já lançaram 10 discos de estúdio com mais de 30 musicas nas paradas de sucesso da Inglaterra.
Depois de três anos sem lançar material inédito, voltaram às paradas com Yes, produzido pelo próprio duo e pelo Xenomenia, um grupo de produtores. É difícil apontar as melhores do disco, desde o primeiro single, “Love etc”, passando por “Vulnerable”, “All Over The World” ou “The Way I Used To Be”. As letras caminham pelo otimismo, relacionamentos e protestos, com destaque para a voz de Tennant que continua excepcional e para o trabalho de teclados.
O álbum foi lançado em vários formatos, inclusive uma versão especial em vinil.
Extremamente recomendável.

FAIXAS:

1. Love etc.
2. All Over the World
3. Beautiful People
4. Did you see me coming?
5. Vulnerable
6. More Than a Dream
7. Building a Wall
8. King of Rome
9. Pandemonium
10. The Way It Used to Be
11. Legacy

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Ainda uma boa safra

Alguns torcem o nariz, dizendo que não esta entre os grandes momentos do grupo nos anos 70. Outros idolatram como uma das grandes formações que a banda teve. Come Taste The Band, lançado em 1975, apesar de tudo isso, é um bom disco do tradicional Deep Purple.
Após a saída do conturbado e polêmico Ritchie Blackmore para formar o Rainbow, os integrantes tiveram a dura missão de substituir o eterno ídolo. Tommy Bolin, na época um jovem de 24 anos e que já havia tocado com nomes como James Gang e o incrível baterista Billy Cobham, no seu álbum de estréia, Spectrum, foi o escolhido. Aliás, este álbum foi exatamente o responsável pela escolha de Bolin. David Coverdale se lembrava de um incrível guitarrista que havia gravado Spectrum. Após alguns telefonemas, Bolin já estava reunido com a banda.
O álbum segue a mesma linha do anterior, Stormbringer, com pitadas de funk, influência de Glenn Hughes, a possante voz de Coverdale, o estreante, Bolin e o restante da formação clássica.

As duas primeiras musicas, “Comin´Home” e “Lady Luck”, seguem uma linha mais tradicional do hard-rock praticado pela banda. Com bons fraseados de Bolin e as famosas levadas de Ian Paice na bateria.
Já na próxima faixa, Gettin´Tighter, impera o tempero funk. Com um vocal no melhor swing Marvin Gaye, com direito a falsetes, Glen Hughes impera.
O disco segue num ritmo simples, sem grandes inovações, até chegar às duas últimas faixas: “This Time Around/ Owed To ‘G’” e “You Keep On Moving”. Na primeira, a interpretação de Glenn Hughes segue com os vocais na linha de Stevie Wonder, sua influência declarada, que, acompanhados de uma bonita cama de teclados, transformam a musica numa das mais emotivas do disco, até cair na parte instrumental, onde a banda demonstra toda a sua capacidade de criação.
A ultima musica do disco, que é a mais famosa, foi composta por Coverdale e Hughes. Ambos dividem os vocais nesta que, também, é uma bonita balada, fechando o disco em grande estilo.
Come Taste The Band não esta entre os maiores destaques do grupo, ficou em 19° nas paradas inglesas e 42° nos Estados Unidos. Com ele, se fechou o ciclo de David Coverdale, Glenn Hughes e Tommy Bolin na banda. O primeiro se lançaria ao estrelato com o Whitesnake, onde conquistaria arenas de fãs. Hughes se envolveu com inúmeros artistas, entre eles, Black Sabbath e Pat Thrall. Lançou bons discos solo e continua na ativa, com a voz ainda em grande forma.
Já Bolin não teve um grande fim. Em 1976, afundado nas drogas, Bolin perdeu a batalha para a heroína. Um grande talento que deixou, apesar da pouca idade, uma boa quantidade de bons trabalhos, como, o já citado Spectrum, de 1973; seus dois discos solo, Teaser, de 75 e Private Eyes, de 76; Bang e Miami, do James Gang, lançados respectivamente em 1973 e 1974.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Antes da fama

E lá se vão mais de trinta anos do Zimbo Trio. No entanto, antes dessa trupe se juntar, Luiz Chaves lançava seu disco solo em 1963, Projeção. Já contando com os futuros membros do Zimbo, e ainda Luiz de Andrade, Demétrio, Hector Costita, Magno e Alberto D´Alcantara, o disco trazia um repertório consistente, com destaque para "Pra que Chorar" e "Tormenta".
Pode ser encontrado com certa facilidade. Se você gosta de boa música, não deixe de adquirir. Indispensável.

Com o King Cole Trio e o Quarteto de Radamés Gnatalli como “primeiros professores”, Chaves deu início a sua jornada musical. Ainda novo estuda com Maurício Ferreia e Vasile Yemere, contrabaixistas da sinfônica Municipal e da Sinfônica Brasileira.
Em início de carreira já acompanha Johny Alf e daí vai ganhando reconhecimento pelo talento incontestável.

Com seu baixo “Clodot”, sobrenome do luthier espanhol Felix Clodot, brilhou com o Zimbo Trio até a sua morte, em fevereiro de 2007.
Deixou um legado fantástico na música.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Eterna influência

É triste lembrar da imensa quantidade de ídolos brasileiros que caíram no ostracismo. Sem biografias, sem tributos ou sequer a mínima menção em publicações especializadas que, aliás, também são raras, eles acabam se tornando peças desconhecidas e muitas vezes recebem a triste e vazia alcunha de artistas “cult”. A lista é enorme e seria cansativo e maçante se estender nisso. Porém, lá fora é um pouco diferente.

Lançado em 2005, “Inspired by genius... the music of Ray Charles”, no que diz respeito a manter o nome do artista, é um ótimo trabalho. O disco apresenta musicas que ficaram famosas na voz de Charles interpretadas por artistas diversos entre os anos 60 até 2000, portanto antes e depois de serem gravadas por Ray.

Ao longo das 21 faixas fica difícil destacar alguma. Dentre elas posso citar The Animals no petardo Mess Around, (Jesse Stone); Don´t let the Sun Catch you Crying, (M. Greene), numa versão ao vivo arrebatadora de Paul McCartney; a sensual I Believe To My Soul, (Ray Charles), com o Love Sculpture; a linda I´ve Got News for You, (Alfred), com Terry Reid. O disco num todo é excelente, não só pelas músicas, mas também pelos músicos que participam do projeto.

Ray Charles sempre foi daqueles artistas que transcendem o seu tempo. Através da música mostrou a sensibilidade que seus olhos não podiam captar. Seja no country, blues, jazz. gospel, soul, não importa o ritmo, ele dominou tudo com a mesma maestria, influenciando posteriormente uma parcela generosa de músicos.
Um artista tão universal quanto Zé Kéti ou João do Vale, só com uma pequena diferença, e lamentável, teve reconhecimento.

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