sexta-feira, 31 de julho de 2009

O gênio peruano

Um jovem estudante de direito, jornalista da Radio Panamericana. Uma típica família, com todas as suas neuras, erros, sempre mais?,­ e acertos. A vida reinava tranquilamente no bairro de Miraflores, em Lima, Peru. O jovem estudante demonstrava grandes pretensões literárias e, a cada conto escrito, aludia a um determinado estilo com seus heróis da literatura: Borgers, Faulkner, Hemingway. Proust e outros.
Se o livro tivesse somente esse enredo, já seria, de todo?, digno de ser lido, no mínimo, com uma olhar curioso e ávido.
Eis que no decorrer da historia, quase ao mesmo tempo, entram dois personagens que dão o tempero complementar ao enredo: o novelista Pedro Camacho, e a recém-divorciada Julita. Ambos interferem diretamente na vida do jovem escritor.
Camacho veio da Bolívia com fama de grande escritor de radio-novelas, que mostra realmente ter incrível aptidão, mas devido a uma intensa sucessão de novas tramas, dia após dia, acabam se embaralhando, resultando numa metamorfose de personagens que pulam de historia em historia.
Já Julia, também boliviana, vai a Miraflores para descansar e obter um novo casamento. No entanto, acaba cruzando seu caminho com o (meio parente) jovem estudante e jornalista da Panamericana. E o romance está feito. É claro que não vou narrar meticulosamente as passagens do livro, coisa desnecessária de dizer, certo?
No livro Tia Julia e o Escrevinhador, Mario Vargas Llosa, um grande ícone da literatura, não só latino-americana, mas mundial, narra, ao mesmo tempo, a historia do Jovem Marito e a sua própria historia.
No entremeio, as novelas de Pedro Camacho, com suas criticas aos “hermanos platinos”, sua linguagem rebuscada e seus personagens cinquentões e com narizes aduncos, cobrem com um tom jocoso, inteligente e sagaz este excelente livro.
O ultimo capitulo é praticamente uma autobiografia da Vargas, onde narra seu casamento, a pesquisa para alguns de seus romances, Conversa Na Catedral e A Guerra do Fim do Mundo, o tempo em que viveu e trabalhou na Europa e outras fases, mas tudo isso como se fosse narrado por Marito. Mais uma obra atemporal, desse gênio das palavras.

Para quem quer ir além, no livro Conversas com Vargas Llosa, escrito pelo jornalista Ricardo A. Setti, o escritor peruano relata como foi o processo de criação do livro Tia Julia(...). No principio seria apenas uma historia sobre um escritor de novelas de rádio, que ele conheceu no inicio dos anos 50, quando trabalhava na Radio Central, em Lima.
Em certo momento, como contrapartida as novelas de Camacho, resolveu introduzir uma historia pitoresca e real, sem perder, no entanto, o tom “rocambolesco” das mesmas.
Com o seu humor fino e inteligente, e sua aguçada pena, romançeou a realidade de maneira ímpar.
Sendo assim, colocou o seu romance com Júlia Urquidi Illanes, irmã da esposa de seu tio, como um plano de fundo, ou as novelas que fazem fundo ao romance de Julia e Marito?
Um livro imprescindível.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Apenas boato?

E seguindo as especulações, que já rodam há algum tempo, o site SongKick, especializado em agendas de shows pelo mundo, anunciou as possíveis datas de Paul McCArtney pelo Brasil. O inglês deverá se apresentar nas cidades do Rio de Janeiro (16/4/2010), no estádio do Maracanã; em São Paulo (18/4/2010), no estádio do Morumbi, na Esplanada dos Ministérios (21/4/2010), em Brasília, e na cidade de Recife (23/4/2010), no estádio Arruda.
Apesar de ainda serem somente boatos, os brasileiros provavelmente não terão outra chance de ver McCArtney, que já se apresentou por aqui em 1990 e 1993. Esta provavelmente será sua última megaturnê mundial.
As assessorias dos estádios do Morumbi e do Maracanã disseram não haver nenhuma data reservada para shows. No site do britânico, também não há nenhuma data reservada para o Brasil. Segundo a coluna Radar, da revista Veja, a prefeitura do Rio estava negociando para que o show do ex-beatle ocorresse nos mesmos moldes dos Rolling Stones, em 2006. Inclusive no mesmo local: a praia de Copacabana.
Recentemente, em Nova Iorque, o músico fez um show na rua para milhares de fãs.
Vamos ver no que dá.

Fonte: Portal UOL

Além do nome

Mesmo com um processo em andamento, as coisas em torno do nome Black Sabbath continuam causando dores de cabeça. Recentemente, o guitarrista Tony Iommi anunciou que vai criar uma serie de filmes de terror com o nome de sua eterna banda. O musico registrou a marca Black Sabbath como sua propriedade no ano 2000, no entanto enfrenta um processo aberto por Ozzy Osbourne pelo uso do nome. Ozzy diz que a marca deveria pertencer aos quatro membros da banda: Geezer Butler, Bill Ward, Iommi e ele.
É uma pena que uma banda tão incrível e imprescindível para a história do rock se encontre numa briga inútil de dois senhores e seus agentes.
Atualmente, Iommi está na estrada com o Heaven & Hell, na Bible Black Tour, promovendo o disco The Devil You Know, uma reencarnação da fase Dio no Black Sabbath.
Voltando aos filmes, serão produzidos por Mike Fleiss, que trabalhou em O Albergue 1 e 2 e a refilmagem de O Massacre da Serra Elétrica. Iommi escreverá as trilhas sonoras e também estará envolvido com o enredo.
Leia a notícia no The Guardian, ou no G1.

Para lembrar os bons tempos de banda, três petardos:
Snowblind, do disco Vol.4;
Psycho Man, do disco Reunion
Sabbra Cadabbra, do disco Sabbath Bloody Sabbath.


Black Sabbath - Snowblind


Black Sabbath - Psycho Man


Black Sabbath - Sabbra Cadabra

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A formula que dá certo

Gravado durante o ano passado e lançado em março deste, o álbum Yes é o que se pode chamar de um disco perfeito. Isso não é uma grande novidade, pois, se tratando do Pet Shop Boys, eles já chegaram lá com discos como Actually, de 1987 e Introspective, 1988.
O duo inglês foi formado por Neil Tennant e Chris Lowe e iniciou as atividades no inicio da década de 80. O primeiro disco, Please, veio em 86; de lá pra cá já lançaram 10 discos de estúdio com mais de 30 musicas nas paradas de sucesso da Inglaterra.
Depois de três anos sem lançar material inédito, voltaram às paradas com Yes, produzido pelo próprio duo e pelo Xenomenia, um grupo de produtores. É difícil apontar as melhores do disco, desde o primeiro single, “Love etc”, passando por “Vulnerable”, “All Over The World” ou “The Way I Used To Be”. As letras caminham pelo otimismo, relacionamentos e protestos, com destaque para a voz de Tennant que continua excepcional e para o trabalho de teclados.
O álbum foi lançado em vários formatos, inclusive uma versão especial em vinil.
Extremamente recomendável.

FAIXAS:

1. Love etc.
2. All Over the World
3. Beautiful People
4. Did you see me coming?
5. Vulnerable
6. More Than a Dream
7. Building a Wall
8. King of Rome
9. Pandemonium
10. The Way It Used to Be
11. Legacy

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A falta do sarcasmo

Rio de Janeiro, inicio da década de 20, mais precisamente 1923. O casal Rangel Porto ganha, no dia 23 de janeiro, um garoto. Ate aqui, nada de mais. Entre tantas famílias daquele Rio ainda boêmio, sem as apelações do Carnaval, tiroteios de traficantes, a constante guerra por domínios, a decadência do futebol carioca, a vinda de uma criança representava apenas a propagação de uma família. No entanto, poucos anos depois, o pequeno Sérgio Marcos Rangel Porto, sobrinho do grande Lúcio Rangel, viria a se tornar um dos maiores e mais devastadores cronistas que já brilharam neste país.

Dono de uma escrita formidável, onde se destacava a permanente inteligência ácida e o sarcasmo, Sergio dominou por quase 20 anos as colunas da imprensa.
Fora o impresso, trabalhou no rádio e na TV, ainda no formato inocência/inteligência, com programas inovadores, entre eles o Jornal de Vanguarda, um dos marcos da extinta TV Excelsior, que inovou com a sua dinâmica e criatividade nas apresentações.

Além disso, Lalau foi um dos grandes pesquisadores do Jazz e da musica brasileira, defendendo bravamente o choro e o samba. O livro Pequena Historia do Jazz, editado pelo Serviço de Documentação do Ministério da Educação e Saúde, em 1953, foi o primeiro a falar sobre o assunto no Brasil; autoria de Sergio Porto. Mas foi como cronista que Sergio se destacou, sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta.
Esse nome surgiu quando Sergio Porto, que trabalhava no jornal Ultima Hora, na seção de musica popular, foi chamado para substituir seu tio, Lúcio Rangel, nas paginas sobre cotidiano, traduzindo: as vagabundagens da alta sociedade da época.
Sergio aceitou, mas com uma condição: teria que usar outro nome e abusando da gozação. Entre boatos e dúvidas diz-se que Rubem Braga lhe havia dado um toque sobre qual apelido usar, partindo do personagem Serafim Ponte Grande, de Oswald de Andrade. Porem, em crônica publicada no dia 4 de dezembro de 1956, Sergio faz alusão ao pintor Santa Rosa como sendo dele a sugestão de idealizar um personagem inovador, dotado de faro fino para comentar a sociedade.
Duvidas ou não, Stanislaw marcou para sempre a nossa literatura, com 7 excelentes livros. Como Sérgio Porto, lançou A casa Demolida, em 1963 e As Cariocas, em 1967.

O autor foi um legitimo boêmio carioca, envolvido em diversos romances, com um retrospecto arrasador quando o assunto era o sexo feminino. Apesar desse ritmo notívago, se entregou de corpo e alma à sua profissão, sendo apontado constantemente como exemplo de funcionário, incansável batalhador das teclas.
Criou personagens notáveis, como o ladino Primo Altamirando e a sábia e vivida Tia Zulmira, cada um ao seu modo, representando uma das facetas do grande autor.
Além disso, foi um grande cronista esportivo, tendo cobrido as copas de 58, 62 e 66.
Não bastasse esse extenso currículo, o famoso O Pasquim, teve suas raízes vindas de Sergio. No último ano de vida, Stan lançou o tablóide A Carapuça, que durou até o quinto número. Nove meses depois, Tarso de Castro, Murilo Pereira Reis, que havia sido sócio de Sergio no tablóide, Sergio Cabral e Jaguar decidiram fazer um jornal que seguisse o mesmo estilo de A Carapuça, o resto é historia.
Na madrugada que antecedeu o inicio de outubro de 1968, depois de uma pontada fulminante no coração, Stanislaw Sergio Ponte Porto Preta, deixou os brasileiros sem um dos seus grande heróis. O país que, ainda hoje, e como, é assolado pelo FEBEAPA (Festival de Besteiras Que Assola o País), outra cria de Sérgio, perdeu naquela madrugada a fina pena da crônica brasileira.
A primeira vez que tomei contato com o escritor foi em meados de 94. No auge dos meus 11 anos, fiquei completamente deslumbrado pelo estilo de narrativa irrepreensível daquele carioca.

Em 1998, 20 anos depois de sua morte, o jornalista Renato Sérgio lançou Dupla Exposição. O livro traça um perfil do Rio descrito no inicio deste texto, mas com um atrativo especial: Sergio Porto. Em pouco mais de 300 paginas, Sergio, talvez devido ao sobrenome (!!!) descreve de forma deliciosa, com depoimentos, crônicas e fatos históricos, sem se preocupar com uma linha de tempo, a fascinante trajetória de Stan.
O livro, que não é uma biografia, como a conhecemos, e mais se assemelha a um misto de crônica e perfil, tem um ritmo alucinante. Méritos do autor, que nos delicia com uma linguagem extremamente próxima a de Stan.
“É como se a flor dos Ponte Pretas voltasse do passado para nos provar que, na verdade, nunca esteve tão presente”, escreveu Ruy Castro no final do livro.
Na edição de Agosto/08, a revista Brasileiros publicou uma boa matéria sobre os 40 anos de morte de Sergio. Como homenagem é uma coisa ainda em fase de descoberta no Brasil, vale a pena dar uma conferida.

Ainda uma boa safra

Alguns torcem o nariz, dizendo que não esta entre os grandes momentos do grupo nos anos 70. Outros idolatram como uma das grandes formações que a banda teve. Come Taste The Band, lançado em 1975, apesar de tudo isso, é um bom disco do tradicional Deep Purple.
Após a saída do conturbado e polêmico Ritchie Blackmore para formar o Rainbow, os integrantes tiveram a dura missão de substituir o eterno ídolo. Tommy Bolin, na época um jovem de 24 anos e que já havia tocado com nomes como James Gang e o incrível baterista Billy Cobham, no seu álbum de estréia, Spectrum, foi o escolhido. Aliás, este álbum foi exatamente o responsável pela escolha de Bolin. David Coverdale se lembrava de um incrível guitarrista que havia gravado Spectrum. Após alguns telefonemas, Bolin já estava reunido com a banda.
O álbum segue a mesma linha do anterior, Stormbringer, com pitadas de funk, influência de Glenn Hughes, a possante voz de Coverdale, o estreante, Bolin e o restante da formação clássica.

As duas primeiras musicas, “Comin´Home” e “Lady Luck”, seguem uma linha mais tradicional do hard-rock praticado pela banda. Com bons fraseados de Bolin e as famosas levadas de Ian Paice na bateria.
Já na próxima faixa, Gettin´Tighter, impera o tempero funk. Com um vocal no melhor swing Marvin Gaye, com direito a falsetes, Glen Hughes impera.
O disco segue num ritmo simples, sem grandes inovações, até chegar às duas últimas faixas: “This Time Around/ Owed To ‘G’” e “You Keep On Moving”. Na primeira, a interpretação de Glenn Hughes segue com os vocais na linha de Stevie Wonder, sua influência declarada, que, acompanhados de uma bonita cama de teclados, transformam a musica numa das mais emotivas do disco, até cair na parte instrumental, onde a banda demonstra toda a sua capacidade de criação.
A ultima musica do disco, que é a mais famosa, foi composta por Coverdale e Hughes. Ambos dividem os vocais nesta que, também, é uma bonita balada, fechando o disco em grande estilo.
Come Taste The Band não esta entre os maiores destaques do grupo, ficou em 19° nas paradas inglesas e 42° nos Estados Unidos. Com ele, se fechou o ciclo de David Coverdale, Glenn Hughes e Tommy Bolin na banda. O primeiro se lançaria ao estrelato com o Whitesnake, onde conquistaria arenas de fãs. Hughes se envolveu com inúmeros artistas, entre eles, Black Sabbath e Pat Thrall. Lançou bons discos solo e continua na ativa, com a voz ainda em grande forma.
Já Bolin não teve um grande fim. Em 1976, afundado nas drogas, Bolin perdeu a batalha para a heroína. Um grande talento que deixou, apesar da pouca idade, uma boa quantidade de bons trabalhos, como, o já citado Spectrum, de 1973; seus dois discos solo, Teaser, de 75 e Private Eyes, de 76; Bang e Miami, do James Gang, lançados respectivamente em 1973 e 1974.

sábado, 18 de julho de 2009

Um negócio de família

A musica negra já produziu algumas centenas de milhares de clássicos, hoje muitos são sampleados por diversos artistas como fonte inesgotável de influência. Entre os artífices, pilares, ou seja lá como quiser chamar, se encontra a instituição do funk, senhor Sylvester Stewart e seu aclamado Sly & the Family Stone.
Formado na Califórnia nos anos 60, a banda ficou notória não somente pelo groove fenomenal de seus músicos ou a conotação política de suas letras, mas também por ser a primeira banda norte-americana a possuir uma formação multirracial, onde homens, mulheres, negros e brancos formavam a “Family Stone”.
Dentre os muito bons trabalhos da banda, destaco There´s a Riot Goin´On, de 1971. Nessa época, os Estados Unidos estavam afundados na carnificina do Vietnã, uma guerra sem propósitos fundamentais. O disco, entre tantos outros, teve papel relevante como propagação de idéias e discurso à nação norte-americana. Com a cabeça afundada nas drogas e distúrbios emocionais de Sly, aliados a intermináveis sessões e overdubs, There´s a Riot Goin´On se destaca por faixas como “Family Affair”, “Time”, “Thank You For Talkin´To Me África” e “Runnin´ Away”.
Entre as lendas que dizem sobre esse álbum, alguns falam que Miles Davis participou das gravações, mas são apenas boatos, até agora.
O disco marcou o inicio da total desintegração de Sly Stone, o que não levaria muito tempo. A formação clássica da banda, Sly Stone, Freddie Stone, Rosie Stone, Greg Errico, Larry Graham, Jerry Martini, Cynthia Robinson, acabou poucos anos depois. Ainda aconteceram outros sopros de vida, mas There´s a Riot(…) continua sendo como um dos grandes marcos do grupo.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Só para ver


Capas de discos sempre foram um atrativo à parte para os amantes da música. Afinal, uma boa capa chama sempre a atenção. Esse "artigo" vem caindo em desuso, devido a quantidade de álbuns baixados, pois a maioria do pessoal vai atràs da musica, e só.

Recentemente, fuçando na Internet, me deparei com algo que me chamou muito a atenção: capas de disco na versão lego. Sensacional. Já faz um tempinho que publicaram isso pelos blogs, mas só fui ver agora.

Para quem quiser saber um pouco mais da história das capas de disco no Brasil, leia o capítulo que trata do assunto, no livro "O Design Brasileiro Antes Do Design", da Editora Cosac Nayfi.
Dando uma pesquisada por aí, encontramos, eleitas pelo site Gigwise, as 50 melhores e piores capas de todos os tempos. Para os curiosos, eu incluso, seguem os 3 links.

50 piores

50 melhores

Capas Lego

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Não são as 10 mais


E hoje é o Dia Mundial do Rock. Tudo bem que tem muita gente comentando sobre isso, mas quero deixar minha opinião.
Fixado desde 1985, durante o Live Aid Festival que aconteceu simultaneamente em Londres e Filadélfia, o show beneficente foi em favor dos famintos da Etiópia, tristeza que antecede e muito o próprio rock. O festival foi criado por Bob Geldof, e transmitido mundialmente para uma audiência espetacular, algo em torno de 2 bilhões de pessoas.
Causas e conseqüências à parte, o dia 13 de julho terá atrações espalhadas por tudo quanto é canto. Com aquele eterno discurso de “eu quero é rock”, “a minha vida é o rock´n´roll” e por aí vai.
Tem muita gente que reclama quanto ao dia em que se comemora, afinal a data é sobre um festival beneficente, nada ligado a vida de uma lenda do rock. Bom, acho que tanto faz, pois o que tem de pessoas fanáticas por esse estilo espalhadas por aí, não é brincadeira. Sendo assim, qualquer data serviria.
Só acho que dão muito falatório pra isso, nada mais.
Então, já que estamos falando de rock, segue abaixo uma seleção de clássicos; lembrando que é uma coisa pessoal, logo não agrada todos.



Cream- “Strange brew”
Antes do Led Zeppelin lançar seus dois primeiros álbuns, o Cream já dava as bases do que serria o rock´n´roll. Obra do grande Eric Clapton. Essa abre o segundo e mais clássico disco da banda, Disraeli Gears, de 1967.
Cream - Strange Brew




Grand Funk Railroad- “Gimme Shelter”
O Grand Funk Railroad, assim como o Cream, foi um tremendo power trio. Com o incrível Don Brewer no comandando das baquetas a banda foi um dos pilares do rock nos anos 70. Essa, numa versão ao vivo, é Gimme Shelter, dos Rolling Stones, gravada no disco Let it Bleed, de 1969, e regravada dois anos depois, pelo Grand Funk, no disco Survivor.
Grand Funk Railroad - Gimme Shelter




The Who- “Baba O´Riley”
O disco mais vendido do The Who, Who´s Next, de 1971, mostrava a banda no topo da perfeição. Depois do anterior, e fracassado, Lifehouse, o grupo mergulhou neste trabalho, que traz três clássicos eternos: “Behind Blue Eyes”, “Won´t Get Fooled Again” e Baba O´Riley, apresentado aqui.
The Who - Baba o'Rilley



Led Zeppelin- “Good Times, Bad Times”
Em 1969, provavelmente ninguém esperava surgir algo como e Led Zeppelin, mas aconteceu. Lançada como single, tendo do outro lado “Communication Breakdown”, “Good Times(...)” abriu o debut da banda. Trabalho espetacular de Page e Bonham. Coisa de quem sabe.
Led Zeppelin - Good Times Bad Times



Chuk Berry- “Johnny B. Good”
Um dor riffs mais usados na historia do rock´n´roll. O mestre Chuk Berry lançou essa pérola em março de 1958. Desde então, a história da musica nunca mais seria a mesma.
Chuck Berry - Johnny B.Goode



Ten Years After- “I´m Going Home”
Alvin Lee é o que podemos chamar de incendiário da guitarra. Com seu estilo bluesy e rocker foi uma das grandes atrações do Woodstock Festival. “I´m Going Home” foi gravada em 1968 no álbum Undead, sendo um dos maiores clássicos do Tem Years After.
Ten Years After - I'm Going Home



Black Sabbath- “Wheels Of Confusion”
Não tem muito que falar. Minha banda de cabeceira. Abertura do álbum Vol.4, de 1972, que traz Ozzy na eterna posse: com as mãos para cima fazendo o símbolo de paz e amor. O destaque dela, sem dúvida, vai para Tony Iommi, que destila sua coleção de belos fraseados nos quase 9 minutos da música.
Black Sabbath - Wheels of Confusion



The Police- “Message In A Bottle”
Sim, o ska e o reggae também podem andar com o rock. Prova viva é o fenomenal trio The Police. “Message(..)” foi lançada no segundo disco da banda, Reggata De Blanc, de 1979. O baixo pulsante de Sting, aliado aos fraseados sutis de Andy Summers, deixam o caminho para Stewart Copeland brilhar nesta obra prima.
The Police - Message In A Bottle



Van Halen- “You Really Got Me”
Tudo o que uma banda de rock precisa ter: um visual chamativo, um vocal potente e, o básico, talento. O Van Halen foi muito além disso no seu disco de estréia, no qual foi gravado “You Really Got Me”. As guitarras de Eddie mudariam para sempre os rumos do instrumento. Essa música foi lançada originalmente em 1964, pelo seminal Ray Davies e seu grupo, Kinks.
Van Halen - You Really Got Me



Jimi Hendrix- “All Along The Watchtower”
O mago das cordas reinventou esse clássico de Bob Dylan. Lançado no disco Eletric Ladyland, em setembro de 68, mostra Hendrix no que sabia fazer de melhor: rock´n´roll com doses de funk e soul.
Jimi Hendrix - All along the watchtower


Sei que ficou muita coisa de fora, mas as listas tem essa poder, agradam poucos.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

A outra face

Atriz, cantora: Brigitte Bardot. Famosa por ser símbolo sexual do cinema, fato que muitas vezes é mais levado em conta do que os filme em que atuou,  propriamente ditos; além de seus inúmeros casos e descasos, com gente como Serge Gainsbourg, Roger Vadim e Bob Zagury, que a trouxe para o Brasil, entre as ondas da Bossa e a areia de Búzios.
Muitos podem não concordar com suas posições reacionárias e dos constantes problemas envolvendo seu nome e a proteção dos animais, mas não é disso que quero tratar.
Com mais de 50 filmes na carreira e uma modesta discografia, que inclui muitos singles, é inútil tentar passar incólume ao bom trabalho realizado em algumas de suas gravações, musicais e cinematográficas. Tudo isso, porém, custou caro para Bardot que, tal qual Michael Jackson e o rancho de Neverland, se viu obrigada a se retirar para sua mansão, La Madrague, e lá curtir a solidão que reside na vida dos mais badalados.
Enfim.
Brigitte Anne-Marie Bardot nasceu em 28 de setembro de 1934, em Paris. Da dança para a carreira de modelo e da lá para as câmeras não demorou muito tempo, e aos 17 anos estreou com o filme Le Trou Normand. Depois disso, se sucederam mais 15 filmes, ate que em 1956 sai aquele que a consagraria eternamente como símbolo do cinema: Et Dieu... créa la femme (E Deus Criou a Mulher). Se a sua carreira terminasse por aí, já era o bastante para colocar seu nome entre as inesquecíveis do cinema, pelo menos no quesito publicidade e falatório. A produção causou furor em muitos países quando exibida, transformando Brigitte numa sensação em poucos dias. Nos Estados Unidos,  o filme foi condenado pela Liga da Decência Católica, devido ao seu forte apelo sexual em torno da personagem Juliette (Bardot). Dentre as diversas cenas que chocaram a sociedade cristã americana, aquela em que Brigitte  dança descalça em cima de uma mesa é considerada uma das mais na longa  história do cinema (estamos falando de um filme dos anos 50, claro. Esqueça as produções de hoje e seu apelo sem fim).
Além disso, a atriz faz uso do biquíni, vestimenta até então muito contestada por uma sociedade conservadora, tornando-se definitivamente um sucesso a partir deste filme.
A trilha sonora desse filme trás composições de Paul Misraki, além de Solange Berry, Gilbert Bécaud e Sacha Distel, este um dos famosos e explorados casos da atriz. Como disse anteriormente, sua discografia não é extensa, se contarmos apenas os discos, não singles.

Seu primeiro lançamento foi o compacto L´Appareil a Sous, em 62, que continha a faixa título e
El Cuchipe de um lado, além de La Madrague e Les Amis De La Musique do outro. No ano seguinte sai o primeiro disco, Brigitte Bardot Sings, que reunia os seus singles lançados até então. Apesar de boas composições, parcerias com Gainsbourg, Sacha Distel e outros, a carreira de cantora nunca emplacou como um grande sucesso, ficando sempre em segundo plano na vida da atriz.
Em 2006, a Universal lançou a caixa Anthologie, que contem 45 canções, entre sucessos e raridades. Neste ano saiu Love is My Profession/ Une Parisienne, reunindo musicas que ela cantou em alguns de seus filmes. Briggite Bardot se afastou do cinema em 1973 com o filme L`Histoire Très Bonne Et Très Joyeuse De Colinot Trousse-Chemise. Uma carreira marcada pela alta exposição, inevitável, aos holofotes, filmes com notáveis do cinema, como o diretor Jean-Luc Godard e ao atores Jack Palance e Alain Delon. Bons discos que, mesmo não fazendo sucesso como os clássicos de Francoise Hardy, Jane Birkin ou Mireille Mathieu, mostram uma boa cantora que nem mesmo tinha pretensão de se tornar uma. Bardot é isso.

Para saber mais:Inicias BB (memórias) 1996
CASTRO, RUY: A onda que se ergueu no mar, cap.2, pág. 79. (2001)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Eterno companheiro de viagem

E neste mês um aparelho extremamente especial, pelo menos para quem gosta de música, está completando 30 anos: é o clássico Walkman. Lançado em 1/7/1979 pela Sony, a peça, que é vendida até hoje, teve como primeiro modelo o TPS-L2, que em apenas 2 meses caiu nas graças do povo e logo as 30 mil unidades se esgotaram. Mas é claro, quem não queria ouvir a musica preferida, na hora em que quisesse, sem ninguém para perturbar e ainda por cima curtindo uma caminhada, um ônibus atolado de pessoas ou uma pedalada por aí?

Dois anos depois saiu o modelo WM-2, o mais vendido de todos os tempos e em 83 o WM-20, compacto e muito parecido com uma fita K-7, invadiu o mercado. Além do formato, outra inovação: foi o primeiro a ser vendido em várias cores.

Só que a novidade não durou muito, e logo um forte concorrente surgiu: o Discman, e o modelo D-50 inaugurou essa série, em 84.
Até o fim da década de 80, a concorrência aumentou entre os fabricantes, e na virada para 90 a Sony, sempre ela, lançou o WM-805, que trouxe um grande atrativo: controle remoto sem fio.

Porém, foi em 1987 que o formato de MP3 surgiu. Neste ano, o IIS (Institut Integrierte Schaltungen), na Alemanha, juntamente com a Universidade de Erlangen, começou a trabalhar numa codificação perceptual de áudio para Digital Audio Broadcasting (Transmissão Digital de Áudio). Todo o trabalho resultou num algoritmo de compressão de áudio chamado MPEG Audio Layer-3, que tempos depois ficou conhecido como MP3.

Nos últimos anos, a quantidade de formatos musicais se tornou uma criatura incontrolável. Do Hi-MD, passando pela música no celular, aos MPs da vida até explodir no incrível NWZ-A829, que armazena quase 4.000 músicas e mais de 60Hs de vídeo, lembrando que ele também é um Walkman, fica praticamente impossível prever o que o mercado nos reserva.
Os downloads, a pirataria, o elevado preço dos CDs, onde vamos parar com isso? Sera que realmente existe um culpado por toda essa confusão de direitos autorais que a cada dia dá mais trabalho? Ou issó é apenas a evolução inexorável das coisas?
Bom, o certo é que a música SEMPRE vai continuar, não importa o formato.

domingo, 5 de julho de 2009

Aos mestres

Em 75, John Lennon já estava consagrado com sua carreira solo. Os Beatles haviam ficado para trás e os novos ventos assopravam em direção a uma nova década, que o compositor não viria a desfrutar.
Nesse mesmo ano, Lennon estava próximo de reatar seus laços com Yoko, o casal havia se separado em agosto de 73. Nessa fase de tristeza lançou Mind Games e Walls and Bridges. Ainda em 73, Lennon começou a trabalhar em um velho sonho: gravar um disco contendo musicas de seus grandes heróis. Finalizado durante 5 dias de outubro de 74 e lançado em fevereiro seguinte, Rock´n´Roll, cumpriu o papel de reverenciar o estilo.
O disco contou com a produção de Phil Spector em 4 faixas, e as restantes foram produzidas pelo próprio Lennon. O repertório é muito bem selecionado com uma banda extremamente eficaz, entre eles o baterista Jim Keltner. Com clássicos do soul e do rock, como o medley de “Bring On Home To Me”/’Send Me Some Love”, “You Can´t Catch Me”, Slippin´ And Slidin”, John Lennon juntou Sam Cooke, Fats Domino, Ben E. King, Alan Price, Chuk Berry, que segundo Lennon era o “rock´n´roll em pessoa, e outros nomes de peso num grande disco, começando pela capa, que traz o cantor no melhor estilo ROCKER, jaqueta de couro, camisa branca e topete. Em 2004, o trabalho foi relançado com 4 musicas bônus: “Angel Baby” (Rose Hamlin), a bonita balada “To Know Her is To Love Her” (Phil Spector), “Since My Baby Left Me”, do seminal Arthur Crudup e “Just Because”, de Alan Price, sendo que esta já havia saído na prensagem original.
O disco deveria ser o último lançamento do artista para a Capitol/EMI, já que daquele momento para frente ele gostaria de se dedicar mais à família. Mesmo assim a gravadora ainda lançou a coletânea Shaved Fish. Depois de um retiro de 5 anos, Lennon voltou, em 1980, aos estúdios, e lançou Double Fantasy, seu último disco. Entre tantas pérolas que ele deixou, com ou sem os Beatles, Rock´n´Roll mostra um artista fazendo o que sempre gostou, puro e simples rock.

sábado, 4 de julho de 2009

Os tais do AOR

Se existe uma coisa que me deixa confuso é quando alguém chega para mim e pergunta: mas essa banda toca qual estilo? Em meio a uma avalanche de nomes e siglas, fica difícil dizer o que cada uma faz. A única unanimidade é que tocam música, isso não se discute.
Dentre essa centena de nomes, um em especial sempre me chamou a atenção: AOR. Mesmo pesquisando, não consigo achar nexo algum nessa expressão, que significa Adult Oriented Radio, mas que também encontramos como Art Oriented Rock.
Na verdade essa sigla é usada para designar um formato de rádio FM americana.
Misturando esse molho todo podemos dizer que são bandas que tocam um rock comercial sério. Se você se sentiu confuso, não desanime, é prova de que o termo é realmente estranho.
Na música, AOR é usado para falar sobre bandas que tocam um som comercial, mas usam alguns itens que fogem desse rótulo, por exemplo, solos inspirados ou letras mais trabalhadas.
Podemos citar muitas bandas que se encaixam nesse estilo, algumas muito boas outras nem tanto, mas não é o caso. Então vou focar em uma que aprecio demais, o Journey.


Neal Schon (guitarra) ainda era um garoto quando se juntou a Carlos Santana, enquanto esse gravava seu terceiro disco. Ainda nessa época Schon conheceu Gregg Rollie (teclado), que já tocava com Santana. Após deixar a empreitada, começou a trabalhar com dois ex-membros do Sly & The Family Stone, o baterista Greg Errico e o baixista Larry Graham. O trio não durou muito, já que Schon não gostou da idéia de tocar funk, devido às poucas oportunidades de experimentar seus solos.
Depois de um tempo, Schon foi apresentado a George Tickner (guitarra), Prairie Prince (bateria) e Ross Valory (baixo), esse ex-Steve Miller Band.
Com o nome de Golden Gate Rhythm Section, depois mudado para Journey e com a adição de Gregg Rollie tocavam, no princípio, um som calcado no rock progressivo. Em 1974, ocorreu a primeira mudança, com a entrada do experiente baterista Aynsley Dunbar, que já havia tocado, entre outros, com Jeff Beck, Frank Zappa e John Mayall.
No mesmo ano, assinam com a CBS/Columbia Records e lançam, um ano depois, o primeiro disco, auto-intitulado. Em 76 e 77 saem, respectivamente, Look Into the Future, que já não contava com Gerge Tickner, e Next.
Foi nesse ultimo disco que decidiram recrutar um vocalista fixo. O escolhido foi Robert Fleischman, que se juntou ao Journey para uma turnê. No entanto, atritos com Schon levaram o vocalista a deixar o posto, não sem antes deixar um clássico para a banda: “Wheel In The Sky”, gravado em 78.
Novamente com a vaga de vocalista em aberto, encontraram um jovem baterista e cantor chamado Steve Perry, que, com uma certa relutância por parte da banda e da gravadora, se juntou ao grupo. Daí pra frente, as coisas começariam a mudar.
O álbum Infinity, lançado em abril de 78, foi um tremendo sucesso, trazendo o hit Patiently como carro–chefe. No ano seguinte ocorreu outra troca de bateristas, com Steve Smith, experiente musico da cena jazz-fusion, se reunindo com a banda. Essa formação durou até o disco Departure, lançado em 1980 e que também gravou a trilha sonora do filme Dream After Dream, no mesmo ano.

O tecladista Jonathan Cain entrou para o Journey no ano seguinte e já participou do maior sucesso de vendas da banda, o álbum Escape, que trouxe as famosas "Don't Stop Believin'", "Who's Crying Now" e "Open Arms". Um ano depois, lançaram Frontiers, que incluía "Send Her My Love", "Faithfully" e "Separate Ways". O lançamento de Raised on Radio, em 1986, foi o inicio da separaçõa do grupo, com a saida de Steve Smith e Ross Valory, no entanto os dois voltaram para participarem da turnê.
A banda se desfez três anos depois e voltaram em 93, lançando, em 96, Trial By Fire, com o sucesso de "Message of Love". Após problemas de saúde de Steve Perry, que o tiraram da banda; bem, isso é uma coisa meio mal contada até hoje, com versões de ambas as partes, a banda achou em Steve Augeri a solução. Nessa nova empreitada Steve Smith também largou o barco, entrando Deen Castronovo para o posto. Gravaram Arival (2001), o EP Red 13 (2002) e Generations (2005). Um infecção na garganta impediu que Augeri ficasse na banda. No seu lugar foi chamado Jeff Scott Soto, que permaneceu apenas para uma turnê.

Depois de passar dois dias assistindo vídeos no Youtube, Schon encontrou um Filipino chamado Arnel Pineda e pronto, estava solucionado o problema de vocalista. Chamado para um audição nos Estados Unidos, Pineda logo foi anunciado como novo cantor do Journey. Com um timbre de voz muito semelhante a Steve Perry, o musico participou de Revelation, ultimo lançamento do Journey, de 2008. O disco, triplo, apresenta 11 novas composições, 11 regravações e um DVD com a primeira aparição pública da nova formação, ocorrida em 6 de março de 2008, em Las Vegas.
Essa é a “pequena” história do Journey, um dos grandes representantes do inclassificável AOR, ao lado de Styx, Asia e outros. Quem se lembra dos comercias do cigarro Hollywood, certamente já ouviu alguns clássicos do AOR, como Keep The Fire Burning (Reo Speedwagon) ou Play The Game Tonight (Kansas).

domingo, 28 de junho de 2009

Mas vou até o fim

O que move o artista? A incessante busca pela perfeição, o contato com o publico, as luzes do show bussiness ou quem sabe a pura e simples paixão pelo que faz?
Recentemente estava escutando o disco Inclassificáveis, de Ney Matogrosso. Artista atemporal, dotado de uma presença de palco surreal e totalmente hipnotizante. É difícil saber o que move Ney, apenas posso afirmar que ele sabe mover seu público. Sempre ousando, gravando famosos e desconhecidos, ícones e esquecidos.
No caso de Inclassificáveis, o cantor coloca Edu Lobo, Itamar Assunção, Jorge Drexler, Pedro Luís, Cazuza e outros num caldeirão moderno, com um figurino extravagante e ousado e tudo acompanhado de uma banda de rock. Simples assim.
Isso, para Ney, não é nada estranho. Sempre foi assim, desde os anos 70, quando chocou todo mundo com o Secos & Molhados, uma mistura de teatro, rock, poesia e talento, principalmente. Passando pelas chamativas capas de seus discos solo, vide Feitiço (1978) e Mato Grosso (1982), até hoje, Ney sempre foi um espetáculo dentro dum show, chamativo, transpirando liberdade. Faz do palco o seu reino, onde todas as suas vontades são feitas, e se mostra soberano, no auge dos seus 67 anos.
O que move o artista?

Pequeno comentario sobre o grande poeta

Hoje o dia amanheceu cinza, sem nada de ímpar, bom para ler um livro, estirado no sofá ou com os pés sobre a terra, naquela varanda cheia de árvores.
Sempre gostei de poesia. Desde criança me enfio em meio às palavras que se encontram, rimam e tomam um novo significado. Confesso que em muitos casos fico com uma dúvida eterna quanto ao real valor daquelas letras. Códigos, apenas brincadeiras ou sentimentos indecifráveis?
Não é possível ler um poema como simples literatura cotidiana. Tal qual uma crônica que lhe delicia numa tarde qualquer, de chuvas nas janelas, triste vento assobiando...
O lirismo de Castro Alves, o jogo de palavras de Manuel Bandeira, os sonetos de Bilac, Augusto dos Anjos, Alceu Wamory, não há como lê-los como simples folhetos.
Centenas de vezes me entreguei a essa árdua tarefa de escrever sonetos, redondilhas, simples versos desconexos. Algumas vezes obtive certo êxito, mas na maioria fiquei lendo aquelas palavras e não consegui chegar à lugar algum. Isso não é para leigos, advertência de minha mente.
É por isso que tenho ciência de que há muito para aprender, e talvez seja necessário algumas “reencarnações” para tanto saber.
Bem, vamos ao ponto. Usei dessa pequena introdução porque há, entre tantos poemas que me acercam, um que não consigo parar de pensar. Não ele todo, mas três “simples” palavras: MUNEVADA GLIMOU VESTASSUDENTE.
Essa frase se encontra na introdução da segunda parte do poema Sombra e Luz, no livro O Encontro do Cotidiano, de Vinicius de Moraes.
Faz um bom tempo que elas mexem comigo, o que querem dizer? Uma língua morta, um sonoro palavrão, ou quem sabe não queira dizer nada?
É isso que me fascina nos poemas, o decifrar incessante de pensamentos alheios, a constante dúvida de pensar que sei algo e no fim reaprender, não que isso seja exclusivo da poesia.
Vinícius nunca foi meu poeta favorito, tampouco gosto daquela imagem cega de maior poeta lírico e tudo o mais. O que me encanta nele é aquela aura de poeta, que exalava com tanta simplicidade. A entrega incessante de compartilhar, ao mesmo tempo, o amor, puro e carnal e o amor literário. Sem dúvida está entre os grandes do estilo. Estilo esse que, por ser tão complexo, seria impossível, e até mesmo insensato, dizer que existe um "melhor".
Enquanto não acho o sentido de suas palavras, fico por aqui, mexendo em velhas páginas amareladas, com cheiro de conhecimento. Algumas confusas, outras óbvias, tão óbvias que também confundem. Provavelmente, quando descobrir o sentido dessa frase, algo se perderá, como uma coisa que desejamos muito e, quando conseguimos, toda aquela sede se vai.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

De Gary para o mundo. "Dear Michael"

Não há adjetivos para qualificar Michael Jackson, no que diz respeito a sua musicalidade. No mesmo dia que Farah Fawcet se despediu, o rei do pop também deu seu adeus.
Não importa quantos garotos apareçam na mídia, cantando, dançando ou tentando ter talento, o trono do pop pode até ser ocupado por outro artista, mas a coroa pertence a Michael.

Independente de ter se transformado num boneco da mídia, Michael Jackson morre como um artista dotado de enorme talento. Seja dançando, cantando, derramando o seu poder de contemplação, coisas que só um astro sabe fazer.
Explorado pelo pai e posteriormente pelo show bizz, em mais de 30 anos de carreira colecionou hits e fez o que poucos artistas conseguiram. Ao longo da carreira vendeu mais de 750 milhões de discos, 100 milhões só do clássico Thriller. Ganhou 59 discos de platina, lançou 13 singles No. 1 e recebeu 13 prêmios Grammys.
Começou aos 11 anos, cantando com seus irmãos, e logo os Jackson 5 se tornaram um grande sucesso da Motown Records. Mas foi na década de 80 que Jackson abalou o mundo da música. Partindo desta data, tudo o mais seria modificado. O cantor delineou toda uma década na cultura pop e influenciou profundamente artistas do pop, soul, R&B e hip-hop.
Jackson faz parte daqueles artistas ímpares, que hoje em dia não se encontram mais. Afastado há mais de 10 anos das grandes turnês, o cantor se preparava para uma serie de concertos no O2 Arena, em Londres. A turnê, com o nome de This Is It, iria ser iniciada em 13 de julho, com shows até março de 2010.
De sucessos como “Got To Be There”, “Ben”, “ABC”, passando por “Rock With You” até estourar nas eternas “Trhiller”, “Beat It” e “Bad”, Jackson enveredou pelo música e mostrou que a criatividade sempre foi sua força inspiradora, até que uma estúpida parada cardíaca veio abreviar o seu caminho.
Me entristece muito o fato de um artista como ele partir dessa forma.


We’ve been together
For such a long time now
Music, music and me
Don’t care whether all our songs rhyme now
Music, music and me
Only know wherever I go
We’re as close as two friends can be
There have been others
But never two lovers
Like music, music and me
Grab a song and come along
You can sing your melody
In your mind you will find
A world of sweet harmony
Birds of a feather
We’ll fly together
Now music, music and me
Music and me

Michael Jackson - Music And Me

Michael Joseph Jackson 1958-2009

terça-feira, 23 de junho de 2009

Breve visita

E o grupo Twisted Sister anunciou um show no Brasil, em Novembro. Segundo o site da Top Link Music, a banda se apresentará no dia 14, na Via Funchal. Será a primeira vez que aportam por aqui.

Com mais de 20 anos de carreira, o Twsited Sister é uma das mais cultuadas bandas de hard rock. Atualmente, conta com seu line-up clássico: o vocalista Dee Snider, o baixista Mark Animal Mendoza, o baterista AJ Pero e os guitarristas Eddie Ojeda e Jay Jay French.
Entre seus vários sucessos, podemos destacar “You Can´t Stop Rock´n´Roll”, I am (I´m me), e os carros chefes "I Wanna Rock" e “We´re Not Gonna Take It”.

A banda foi formada em 1972, em Nova Jersey pelo guitarrista Jay Jay French e tinha influências de Mott the Hoople, Rolling Stones, David Bowie e Lou Reed. Tocaram por cerca de 10 anos nos circuito de bares norte americanos, até que em 1982 lançaram o EP Ruff Cuts. O primeiro disco viria no mesmo ano. Com produção de Pete Way, baixista do UFO, Under the Blade fez sucesso suficiente para chamar a atenção da Atlantic Records.
Um ano depois, lançaram You Can´t Stop Rock`n`Roll, que trazia a faixa título como destaque. No entanto, só em 1984 que eles definitivamente alcançaram o estrelato. Stay Hungry foi lançado e caiu nas graças dos fãs com extrema eficácia. As já citadas “I Wanna Rock” e “We´re Not Gonna Take It” junto com a balada “The Price” e as sinistras "Captain Howdy" e "Street Justice", levaram o nome do grupo ao topo das bandas americanas da época. Esse sucesso se deve, também, aos clipes constantemente executados pela MTV.

O grupo se separou em 1987, ano em que lançaram Love is for Suckers. Dee Snider formou o Desperado, lançando Bloodied But Unbowed que acabou se tornando um fiasco. A banda contava com o ex- Iron Maiden Clive Burr, na bateria.
Depois disso, Snider formou o Widowmaker, lançando dois bons discos: Blood and Bullets, em 1992 e Stand By For Pain, em 1994. Ainda se enveredou pela carreira de cineasta e lançou um disco solo em 2000, Never Let The Bastards Wear You Down.

O Twisted Sister voltou no começo dos anos 2000 e lançou o álbum de regravações Still Hungry e A Twisted Christmas. Essa será á ultima turnê com os músicos maquiados.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Outra nova ordem

E depois do fim certeiro do New Order, os remanescentes Bernard Sumner, Stephen Morris e Phil Cunningham acabam de anunciar a formação de um novo grupo, chamado Bad Lieutenant. A empreitada não conta com o baixista Peter Hook. Para o seu lugar foi recrutado Alex James, do Blur.

Um dos grandes nomes dos anos 80, o New Order estreiou em 1981, com o disco Movement. Os integrantes já contavam com um certo nome, afinal fizeram parte do cultuado Joy Division, banda do falecido Ian Curtis. Com muitos hits na mala, entre eles “Bizarre Love Triangle”, “Ceremony” e “The Perfect Kiss”, o New Order marcou toda uma geração, com suas boas melodias vocais e a junção de musica eletrônica com uma pegada rock, o que pode ser conferido no clássico Low Life de 85. Nisso tudo, ainda podemos somar a sonoridade marcante de um dos mais destacados músicos da banda: o baixista Peter Hook.

O New Order anunciou o fim de sua atividades de maneira ainda nebulosa. Em 2007, Hook afirmou "estar realmente aliviado, e que odiou carregar um segredo terrível fingindo que tudo estava normal", se referindo ao fim da banda. “Então vamos adiante, podemos?", conclui o baixista. Já Bernard Summer comentou “nós nos dividimos em duas facções: uma tem Steve, Phil e eu, a outra tem Peter Hook. Basicamente, foi ele quem deixou a banda, e isso é tudo o que eu quero dizer sobre o assunto.”


O grupo Eletronic, que contava com Bernard Summer. (Segundo da esquerda para a direita)


Não e a primeira vez que ex-membros da banda estão envolvidos com outros projetos. Em 91, Summer se juntou ao ex-Smiths Johnny Marr e ao Pet Shop Boys Neil Tennant, para o projeto Eletronic. Lançaram três discos: Eletronic (91), Raise The Pressure (96) e Twisted Tenderness (99). Já Hook montou o Revenge; lançando One True Passion, em 90, One True Passion V.2.0, em 2004 e No Pain no Gain, de 2005. Ainda teve tempo de colher um certo sucesso com o Mônaco, com Music for Pleasure, em 97 e Monaco, de 2000. Nesse ultimo projeto, lançou o hit “What do You Want From Me”.
Calma, calma. Ainda nessa trupe também encontramos o The Other Two, que contava com Stephen Morris e Gillian Gilbert. Lançaram The Other Two and You, em 93 e Super Highways, em 99.

Fontes: Portal G1 e Revista Bizz. NOv. 2006

domingo, 14 de junho de 2009

"The Boss", o menino que não se cansa

E parece que o “The Boss” fez um belo trato com o tempo. Afinal, Bruce Springesteen já contabiliza mais de 40 anos de carreira, apesar de ter lançado seu primeiro disco, Greetings from Asbury Park, N.J., em 73. De lá pra cá foram milhões de discos vendidos e uma postura de palco que não mostra sinais de aposentadoria. Foi o que aconteceu nesta madrugada, durante o festival de Bonnaro. Com mais de 3:00Hs de show, Springsteen deitou e rolou com o publico, fazendo jus os apelido the “Boss”. Com a incrível E Street Band, que inclui, entre outros, Clarence Clemons e Nils Lofgren, como apoio o cantor passa suas turnês a rasgar repertórios e atender pedidos do publico. Como um moleque que não quer parar, vai encantando as platéias por onde passa, na turnê do ultimo álbum, Working on a Dream.
Bruce Springsteen possui cerca de 15 álbuns de estúdio. Neles, sempre primou pelo som simples e, principalmente, pelas suas letras. A luta de um policial com seu irmão, um criminoso; a dificuldade de se encontrar uma boa pessoa; as memórias de alguém que vive nas estradas; a decadência de uma sociedade. São tantos os assuntos abordados pelo cantor, e com tanta intensidade, que fica difícil não dizer que Springsteen é um tremendo contador de historias. Daquelas que nos fazem não querem nunca que cheguem ao fim.
Dentre seus trabalhos, pelo menos meia dúzia de clássicos podemos destacar: Born to Run (1975); Darkness on the Edge of Town (1978); Nebraska (1982); Born in U.S.A (1984); The Ghost of Tom Joad (1995) e Devils and Dust (2005). É claro que essa pequena lista é uma opinião pessoal, podendo muita gente discordar, mas certamente pelo menos um desses discos entra nos preferidos do artista.

Enfim, para aqueles que nunca viram um show de Springsteen, como eu (#%$¨), resta a torcida para que a turnê passe por terras latinas. O cantor se apresentou no Brasil apenas uma vez, em 12 de outubro de 1988, num show pelos Direitos Humanos, encerrando uma maratona que teve também Peter Gabriel, Sting e Yossou N´ Dour.

E assim o americano de New Jersey, que completa 60 anos em setembro, faz do palco seu eterno quintal, onde tudo é uma grande brincadeira. E é aí que reside a essência da coisa, aquele toque especial que transforma tudo numa festa sem fim e mantém as pessoas vivas a fazerem o que gostam.

Ouça musicas de Bruce Springsteen aqui.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Um bom papo pra descontrair

Entrevistas sempre funcionaram para sabermos mais sobre determinada personalidade que gostamos ou temos curiosidade. Dependendo de quem a puxa, o texto ganha um caráter intimo que logo conquista o leitor. Quem nunca comprou um jornal ou revista apenas para acompanhar as palavras de um ídolo? Pois é, isso é super normal e, sem dúvida alguma, serve de grande fonte de pesquisa. São muitas as publicações que reuniram algumas de suas melhores entrevistas e as lançaram no formato de um livro.
Recentemente eu li duas dessas publicações. Uma é Entrevistas: International Magazine. Esse jornal teve inicio em outubro de 1990, como um tablóide. Em janeiro de 2005 se tornou profissional, marcando sempre pelo bom gosto nas entrevistas e bom conhecimento de assunto. Como coisas boas não duram, às vezes, o jornal saiu de circulação, o que foi uma pena, pois se tratava de um belo periódico sobre musica, escrito por quem entende do assunto: Marcelo Fróes. O pesquisador carioca escreveu e publicou o primeiro livro sobre os Beatles para o mercado brasileiro, Os Anos da Beatlemania, em 1992. Além de Fróes, que foi editor da revista, junto com o produtor Marcos Petrillo, a publicação ainda mantinha uma linha periódica de colaboradores.
O livro reúne 17 entrevistas, que são:

Renato Russo

Gilberto Gil
Ivan Lins
Milton Nascimento
Yoko Ono
Rita Lee
George Martin
Lobão
João Barone
Kid Abelha
Roberto Frejat
Paulo Ricardo
Erasmo Carlos
Jorge Mautner
Robertinho do Recife
Lou Reed
Renato Russo


Dentre todas, algumas memoráveis, como a com o produtor dos Beatles, George Martin; aquelas com personalidades do rock brasileiro; com as lendas Erasmo e Lou Reed e, por último, a derradeira entrevista de Renato Russo, feita em 6/7/1996. O cantor viria a falecer três meses depois.
Já o segundo livro é O Som do Pasquim. Como o nome já delata trás entrevistas concedidas ao famoso semanário O Pasquim. Lançado pela primeira vez em 1976, ganhou uma nova edição, organizada pelo ex- colaborador e pesquisador musical Tárik de Souza e com ilustrações de Nássara.
Ao todo são 10 entrevistas. Concedidas durante os anos 70, aquelas que contém personalidades “pensantes” de nossa música, sem duvida estão entre as mais interessantes do livro. Entre os momentos hilários, certamente o ponto alto está na última entrevista, com Agnaldo Timóteo. Sem papas na língua, o cantor não perdoa ninguém, transformando Caetano, Chico e Milton em figuras desprovidas de talento. Para essa reedição, Agnaldo se retratou, escrevendo no fim da entrevista: “a historia desses personagens está acima de uma análise ignorante e preconceituosa de décadas atrás”.
Há ainda passagens marcantes, como a compra de “Na Subida do Morro”, que Moreira da Silva pagou 1300 réis para Geraldo Pereira; a posição machista de Waldick Soriano; as artimanhas de Tom Jobim para se livrar de ser jurado do Festival Internacional da Canção, entre outras.
Os entrevistados são:

Chico Buarque
Waldick Soriano
Lupicinio Rodrigues
Tom Jobim
Luiz Gonzaga
Caetano Veloso
Martinho da Vila
Moreira da Silva
Raul Seixas
Agnaldo Timóteo




Dois ótimos livros, com pedaços da historia do Brasil, contadas por algumas de suas figuras mais ilustres.

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