domingo, 28 de junho de 2009

Mas vou até o fim

O que move o artista? A incessante busca pela perfeição, o contato com o publico, as luzes do show bussiness ou quem sabe a pura e simples paixão pelo que faz?
Recentemente estava escutando o disco Inclassificáveis, de Ney Matogrosso. Artista atemporal, dotado de uma presença de palco surreal e totalmente hipnotizante. É difícil saber o que move Ney, apenas posso afirmar que ele sabe mover seu público. Sempre ousando, gravando famosos e desconhecidos, ícones e esquecidos.
No caso de Inclassificáveis, o cantor coloca Edu Lobo, Itamar Assunção, Jorge Drexler, Pedro Luís, Cazuza e outros num caldeirão moderno, com um figurino extravagante e ousado e tudo acompanhado de uma banda de rock. Simples assim.
Isso, para Ney, não é nada estranho. Sempre foi assim, desde os anos 70, quando chocou todo mundo com o Secos & Molhados, uma mistura de teatro, rock, poesia e talento, principalmente. Passando pelas chamativas capas de seus discos solo, vide Feitiço (1978) e Mato Grosso (1982), até hoje, Ney sempre foi um espetáculo dentro dum show, chamativo, transpirando liberdade. Faz do palco o seu reino, onde todas as suas vontades são feitas, e se mostra soberano, no auge dos seus 67 anos.
O que move o artista?

Pequeno comentario sobre o grande poeta

Hoje o dia amanheceu cinza, sem nada de ímpar, bom para ler um livro, estirado no sofá ou com os pés sobre a terra, naquela varanda cheia de árvores.
Sempre gostei de poesia. Desde criança me enfio em meio às palavras que se encontram, rimam e tomam um novo significado. Confesso que em muitos casos fico com uma dúvida eterna quanto ao real valor daquelas letras. Códigos, apenas brincadeiras ou sentimentos indecifráveis?
Não é possível ler um poema como simples literatura cotidiana. Tal qual uma crônica que lhe delicia numa tarde qualquer, de chuvas nas janelas, triste vento assobiando...
O lirismo de Castro Alves, o jogo de palavras de Manuel Bandeira, os sonetos de Bilac, Augusto dos Anjos, Alceu Wamory, não há como lê-los como simples folhetos.
Centenas de vezes me entreguei a essa árdua tarefa de escrever sonetos, redondilhas, simples versos desconexos. Algumas vezes obtive certo êxito, mas na maioria fiquei lendo aquelas palavras e não consegui chegar à lugar algum. Isso não é para leigos, advertência de minha mente.
É por isso que tenho ciência de que há muito para aprender, e talvez seja necessário algumas “reencarnações” para tanto saber.
Bem, vamos ao ponto. Usei dessa pequena introdução porque há, entre tantos poemas que me acercam, um que não consigo parar de pensar. Não ele todo, mas três “simples” palavras: MUNEVADA GLIMOU VESTASSUDENTE.
Essa frase se encontra na introdução da segunda parte do poema Sombra e Luz, no livro O Encontro do Cotidiano, de Vinicius de Moraes.
Faz um bom tempo que elas mexem comigo, o que querem dizer? Uma língua morta, um sonoro palavrão, ou quem sabe não queira dizer nada?
É isso que me fascina nos poemas, o decifrar incessante de pensamentos alheios, a constante dúvida de pensar que sei algo e no fim reaprender, não que isso seja exclusivo da poesia.
Vinícius nunca foi meu poeta favorito, tampouco gosto daquela imagem cega de maior poeta lírico e tudo o mais. O que me encanta nele é aquela aura de poeta, que exalava com tanta simplicidade. A entrega incessante de compartilhar, ao mesmo tempo, o amor, puro e carnal e o amor literário. Sem dúvida está entre os grandes do estilo. Estilo esse que, por ser tão complexo, seria impossível, e até mesmo insensato, dizer que existe um "melhor".
Enquanto não acho o sentido de suas palavras, fico por aqui, mexendo em velhas páginas amareladas, com cheiro de conhecimento. Algumas confusas, outras óbvias, tão óbvias que também confundem. Provavelmente, quando descobrir o sentido dessa frase, algo se perderá, como uma coisa que desejamos muito e, quando conseguimos, toda aquela sede se vai.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

De Gary para o mundo. "Dear Michael"

Não há adjetivos para qualificar Michael Jackson, no que diz respeito a sua musicalidade. No mesmo dia que Farah Fawcet se despediu, o rei do pop também deu seu adeus.
Não importa quantos garotos apareçam na mídia, cantando, dançando ou tentando ter talento, o trono do pop pode até ser ocupado por outro artista, mas a coroa pertence a Michael.

Independente de ter se transformado num boneco da mídia, Michael Jackson morre como um artista dotado de enorme talento. Seja dançando, cantando, derramando o seu poder de contemplação, coisas que só um astro sabe fazer.
Explorado pelo pai e posteriormente pelo show bizz, em mais de 30 anos de carreira colecionou hits e fez o que poucos artistas conseguiram. Ao longo da carreira vendeu mais de 750 milhões de discos, 100 milhões só do clássico Thriller. Ganhou 59 discos de platina, lançou 13 singles No. 1 e recebeu 13 prêmios Grammys.
Começou aos 11 anos, cantando com seus irmãos, e logo os Jackson 5 se tornaram um grande sucesso da Motown Records. Mas foi na década de 80 que Jackson abalou o mundo da música. Partindo desta data, tudo o mais seria modificado. O cantor delineou toda uma década na cultura pop e influenciou profundamente artistas do pop, soul, R&B e hip-hop.
Jackson faz parte daqueles artistas ímpares, que hoje em dia não se encontram mais. Afastado há mais de 10 anos das grandes turnês, o cantor se preparava para uma serie de concertos no O2 Arena, em Londres. A turnê, com o nome de This Is It, iria ser iniciada em 13 de julho, com shows até março de 2010.
De sucessos como “Got To Be There”, “Ben”, “ABC”, passando por “Rock With You” até estourar nas eternas “Trhiller”, “Beat It” e “Bad”, Jackson enveredou pelo música e mostrou que a criatividade sempre foi sua força inspiradora, até que uma estúpida parada cardíaca veio abreviar o seu caminho.
Me entristece muito o fato de um artista como ele partir dessa forma.


We’ve been together
For such a long time now
Music, music and me
Don’t care whether all our songs rhyme now
Music, music and me
Only know wherever I go
We’re as close as two friends can be
There have been others
But never two lovers
Like music, music and me
Grab a song and come along
You can sing your melody
In your mind you will find
A world of sweet harmony
Birds of a feather
We’ll fly together
Now music, music and me
Music and me

Michael Jackson - Music And Me

Michael Joseph Jackson 1958-2009

terça-feira, 23 de junho de 2009

Breve visita

E o grupo Twisted Sister anunciou um show no Brasil, em Novembro. Segundo o site da Top Link Music, a banda se apresentará no dia 14, na Via Funchal. Será a primeira vez que aportam por aqui.

Com mais de 20 anos de carreira, o Twsited Sister é uma das mais cultuadas bandas de hard rock. Atualmente, conta com seu line-up clássico: o vocalista Dee Snider, o baixista Mark Animal Mendoza, o baterista AJ Pero e os guitarristas Eddie Ojeda e Jay Jay French.
Entre seus vários sucessos, podemos destacar “You Can´t Stop Rock´n´Roll”, I am (I´m me), e os carros chefes "I Wanna Rock" e “We´re Not Gonna Take It”.

A banda foi formada em 1972, em Nova Jersey pelo guitarrista Jay Jay French e tinha influências de Mott the Hoople, Rolling Stones, David Bowie e Lou Reed. Tocaram por cerca de 10 anos nos circuito de bares norte americanos, até que em 1982 lançaram o EP Ruff Cuts. O primeiro disco viria no mesmo ano. Com produção de Pete Way, baixista do UFO, Under the Blade fez sucesso suficiente para chamar a atenção da Atlantic Records.
Um ano depois, lançaram You Can´t Stop Rock`n`Roll, que trazia a faixa título como destaque. No entanto, só em 1984 que eles definitivamente alcançaram o estrelato. Stay Hungry foi lançado e caiu nas graças dos fãs com extrema eficácia. As já citadas “I Wanna Rock” e “We´re Not Gonna Take It” junto com a balada “The Price” e as sinistras "Captain Howdy" e "Street Justice", levaram o nome do grupo ao topo das bandas americanas da época. Esse sucesso se deve, também, aos clipes constantemente executados pela MTV.

O grupo se separou em 1987, ano em que lançaram Love is for Suckers. Dee Snider formou o Desperado, lançando Bloodied But Unbowed que acabou se tornando um fiasco. A banda contava com o ex- Iron Maiden Clive Burr, na bateria.
Depois disso, Snider formou o Widowmaker, lançando dois bons discos: Blood and Bullets, em 1992 e Stand By For Pain, em 1994. Ainda se enveredou pela carreira de cineasta e lançou um disco solo em 2000, Never Let The Bastards Wear You Down.

O Twisted Sister voltou no começo dos anos 2000 e lançou o álbum de regravações Still Hungry e A Twisted Christmas. Essa será á ultima turnê com os músicos maquiados.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Outra nova ordem

E depois do fim certeiro do New Order, os remanescentes Bernard Sumner, Stephen Morris e Phil Cunningham acabam de anunciar a formação de um novo grupo, chamado Bad Lieutenant. A empreitada não conta com o baixista Peter Hook. Para o seu lugar foi recrutado Alex James, do Blur.

Um dos grandes nomes dos anos 80, o New Order estreiou em 1981, com o disco Movement. Os integrantes já contavam com um certo nome, afinal fizeram parte do cultuado Joy Division, banda do falecido Ian Curtis. Com muitos hits na mala, entre eles “Bizarre Love Triangle”, “Ceremony” e “The Perfect Kiss”, o New Order marcou toda uma geração, com suas boas melodias vocais e a junção de musica eletrônica com uma pegada rock, o que pode ser conferido no clássico Low Life de 85. Nisso tudo, ainda podemos somar a sonoridade marcante de um dos mais destacados músicos da banda: o baixista Peter Hook.

O New Order anunciou o fim de sua atividades de maneira ainda nebulosa. Em 2007, Hook afirmou "estar realmente aliviado, e que odiou carregar um segredo terrível fingindo que tudo estava normal", se referindo ao fim da banda. “Então vamos adiante, podemos?", conclui o baixista. Já Bernard Summer comentou “nós nos dividimos em duas facções: uma tem Steve, Phil e eu, a outra tem Peter Hook. Basicamente, foi ele quem deixou a banda, e isso é tudo o que eu quero dizer sobre o assunto.”


O grupo Eletronic, que contava com Bernard Summer. (Segundo da esquerda para a direita)


Não e a primeira vez que ex-membros da banda estão envolvidos com outros projetos. Em 91, Summer se juntou ao ex-Smiths Johnny Marr e ao Pet Shop Boys Neil Tennant, para o projeto Eletronic. Lançaram três discos: Eletronic (91), Raise The Pressure (96) e Twisted Tenderness (99). Já Hook montou o Revenge; lançando One True Passion, em 90, One True Passion V.2.0, em 2004 e No Pain no Gain, de 2005. Ainda teve tempo de colher um certo sucesso com o Mônaco, com Music for Pleasure, em 97 e Monaco, de 2000. Nesse ultimo projeto, lançou o hit “What do You Want From Me”.
Calma, calma. Ainda nessa trupe também encontramos o The Other Two, que contava com Stephen Morris e Gillian Gilbert. Lançaram The Other Two and You, em 93 e Super Highways, em 99.

Fontes: Portal G1 e Revista Bizz. NOv. 2006

domingo, 14 de junho de 2009

"The Boss", o menino que não se cansa

E parece que o “The Boss” fez um belo trato com o tempo. Afinal, Bruce Springesteen já contabiliza mais de 40 anos de carreira, apesar de ter lançado seu primeiro disco, Greetings from Asbury Park, N.J., em 73. De lá pra cá foram milhões de discos vendidos e uma postura de palco que não mostra sinais de aposentadoria. Foi o que aconteceu nesta madrugada, durante o festival de Bonnaro. Com mais de 3:00Hs de show, Springsteen deitou e rolou com o publico, fazendo jus os apelido the “Boss”. Com a incrível E Street Band, que inclui, entre outros, Clarence Clemons e Nils Lofgren, como apoio o cantor passa suas turnês a rasgar repertórios e atender pedidos do publico. Como um moleque que não quer parar, vai encantando as platéias por onde passa, na turnê do ultimo álbum, Working on a Dream.
Bruce Springsteen possui cerca de 15 álbuns de estúdio. Neles, sempre primou pelo som simples e, principalmente, pelas suas letras. A luta de um policial com seu irmão, um criminoso; a dificuldade de se encontrar uma boa pessoa; as memórias de alguém que vive nas estradas; a decadência de uma sociedade. São tantos os assuntos abordados pelo cantor, e com tanta intensidade, que fica difícil não dizer que Springsteen é um tremendo contador de historias. Daquelas que nos fazem não querem nunca que cheguem ao fim.
Dentre seus trabalhos, pelo menos meia dúzia de clássicos podemos destacar: Born to Run (1975); Darkness on the Edge of Town (1978); Nebraska (1982); Born in U.S.A (1984); The Ghost of Tom Joad (1995) e Devils and Dust (2005). É claro que essa pequena lista é uma opinião pessoal, podendo muita gente discordar, mas certamente pelo menos um desses discos entra nos preferidos do artista.

Enfim, para aqueles que nunca viram um show de Springsteen, como eu (#%$¨), resta a torcida para que a turnê passe por terras latinas. O cantor se apresentou no Brasil apenas uma vez, em 12 de outubro de 1988, num show pelos Direitos Humanos, encerrando uma maratona que teve também Peter Gabriel, Sting e Yossou N´ Dour.

E assim o americano de New Jersey, que completa 60 anos em setembro, faz do palco seu eterno quintal, onde tudo é uma grande brincadeira. E é aí que reside a essência da coisa, aquele toque especial que transforma tudo numa festa sem fim e mantém as pessoas vivas a fazerem o que gostam.

Ouça musicas de Bruce Springsteen aqui.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Um bom papo pra descontrair

Entrevistas sempre funcionaram para sabermos mais sobre determinada personalidade que gostamos ou temos curiosidade. Dependendo de quem a puxa, o texto ganha um caráter intimo que logo conquista o leitor. Quem nunca comprou um jornal ou revista apenas para acompanhar as palavras de um ídolo? Pois é, isso é super normal e, sem dúvida alguma, serve de grande fonte de pesquisa. São muitas as publicações que reuniram algumas de suas melhores entrevistas e as lançaram no formato de um livro.
Recentemente eu li duas dessas publicações. Uma é Entrevistas: International Magazine. Esse jornal teve inicio em outubro de 1990, como um tablóide. Em janeiro de 2005 se tornou profissional, marcando sempre pelo bom gosto nas entrevistas e bom conhecimento de assunto. Como coisas boas não duram, às vezes, o jornal saiu de circulação, o que foi uma pena, pois se tratava de um belo periódico sobre musica, escrito por quem entende do assunto: Marcelo Fróes. O pesquisador carioca escreveu e publicou o primeiro livro sobre os Beatles para o mercado brasileiro, Os Anos da Beatlemania, em 1992. Além de Fróes, que foi editor da revista, junto com o produtor Marcos Petrillo, a publicação ainda mantinha uma linha periódica de colaboradores.
O livro reúne 17 entrevistas, que são:

Renato Russo

Gilberto Gil
Ivan Lins
Milton Nascimento
Yoko Ono
Rita Lee
George Martin
Lobão
João Barone
Kid Abelha
Roberto Frejat
Paulo Ricardo
Erasmo Carlos
Jorge Mautner
Robertinho do Recife
Lou Reed
Renato Russo


Dentre todas, algumas memoráveis, como a com o produtor dos Beatles, George Martin; aquelas com personalidades do rock brasileiro; com as lendas Erasmo e Lou Reed e, por último, a derradeira entrevista de Renato Russo, feita em 6/7/1996. O cantor viria a falecer três meses depois.
Já o segundo livro é O Som do Pasquim. Como o nome já delata trás entrevistas concedidas ao famoso semanário O Pasquim. Lançado pela primeira vez em 1976, ganhou uma nova edição, organizada pelo ex- colaborador e pesquisador musical Tárik de Souza e com ilustrações de Nássara.
Ao todo são 10 entrevistas. Concedidas durante os anos 70, aquelas que contém personalidades “pensantes” de nossa música, sem duvida estão entre as mais interessantes do livro. Entre os momentos hilários, certamente o ponto alto está na última entrevista, com Agnaldo Timóteo. Sem papas na língua, o cantor não perdoa ninguém, transformando Caetano, Chico e Milton em figuras desprovidas de talento. Para essa reedição, Agnaldo se retratou, escrevendo no fim da entrevista: “a historia desses personagens está acima de uma análise ignorante e preconceituosa de décadas atrás”.
Há ainda passagens marcantes, como a compra de “Na Subida do Morro”, que Moreira da Silva pagou 1300 réis para Geraldo Pereira; a posição machista de Waldick Soriano; as artimanhas de Tom Jobim para se livrar de ser jurado do Festival Internacional da Canção, entre outras.
Os entrevistados são:

Chico Buarque
Waldick Soriano
Lupicinio Rodrigues
Tom Jobim
Luiz Gonzaga
Caetano Veloso
Martinho da Vila
Moreira da Silva
Raul Seixas
Agnaldo Timóteo




Dois ótimos livros, com pedaços da historia do Brasil, contadas por algumas de suas figuras mais ilustres.

A Bíblia do Pop

Lançado em 2007, o livro 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer é praticamente uma bíblia para os amantes da musica. Reunindo cerca de 90 profissionais da área, entre críticos e jornalistas, o livro trás um vistoso catálogo de pérolas musicais lançadas nos últimos 50 anos.
Com mais de 900 imagens, o livro não tem o intuito de funcionar como “o verdadeiro guia” da música, servindo tanto para aqueles que já são rodados no meio, quanto aos iniciantes. Sabendo que listas desse tipo sempre causam conflito- faltou aquele disco, como esse é melhor que aquele, o negocio e folhear como um espectador ávido por conhecimento, fazendo assim com que o livro se torne uma eterna fonte de pesquisa.
Soul, Jazz, MPB, Funk, Blues, Punk, Heavy Metal e tantos outros ritmos marcam mostram a sua cara. Com textos simples e consistentes, sem puxar o saco dos artistas ou desperdiçar adjetivos, essa publicação é de extrema serventia para se conhecer um pouquinho de grandes pérolas.
So para citar 10 delas:
The Band- Music From the Big Pink (1968)
Nick Drake- Five Leaves Left (1969)
Madness- The Rise and The Fall (1982)
Slade- Slayed (1972)
Parliament- Mothership Connection (1976)
Paul Weller- Wild Wood (1993)
Otis Redding- Otis Blue: Otis Sing Soul (1965)
Gram Parsons- Grievous Angel (1974)
The Specials- The Specials (1979)
Serge Gainsbourg- Historie De Melody Nelson (1971)
É claro que encontramos centenas de outras obras e artistas mais usuais, como Bruce Springsteen, Neil Young, Rod Stewart e os brasileiros Milton Nascimento e Chico Buarque. Na maioria dos textos há um contextualização com a época que foi lançado o disco e um box com informações sobre as gravações, selo, duração da faixa e outros itens. Ah, já ia me esquecendo, o livro foi editado por Robert Dimery, escritor e editor independente, autor de vários livros e contem prefácio de Michael Lydon, editor e co-fundador da Rolling Stone.
Se você gosta do assunto, não deixe de conferir.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Da irreverência para a pregação

Não vou me ater ao direcionamento religioso de Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Isso seria uma perda de tempo e uma discussão que levanta ódio, admiração e conflito. O fato é que Baby Consuelo ou, se preferirem, Baby do Brasil, é uma das cantoras mais talentosas e peculiares de nossa musica.

A carioca, de Niterói, começou a sua carreira muito cedo, inclusive vencendo um festival de musica aos 14 anos. Três anos depois, foge para Salvador. Por lá, mora na rua, participa de um filme, depois vai para São Paulo; volta para o Rio e, finalmente, marca seu nome na musica nacional, ingressando nos Novos Baianos.

Em 70 o grupo, formado por Luiz Galvão, Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor e Baby, lança o primeiro disco, Ferro na Boneca. Entre os participantes especiais, estão os Leif´s, banda que contava com o futuro marido de Baby e integrante dos Novos Baianos, o genial guitarrista Pepeu Gomes. Até 78 lançam mais 7 discos, com destaque para o eterno Acabou Chorare (1972). O grupo se tornou um dos mais cultuados nomes da MPB com muitos sucessos, marcados por um visual despojado e um extremo talento de seus músicos.

Mas vamos lá. Em 78, após a dissolução do grupo, Baby partiu para uma carreira solo, lançando no mesmo ano o auto intitulado Baby Consuelo. No primeiro disco a cantora já mostra toda a sua interpretação característica, na escola de Ademilde Fonseca, como em “O Que Vier eu Traço”, “O Fole Roncou” e “Ele Mexe Comigo”. Misturando forró, reggae, xote, rock e tudo o mais, o disco é de uma musicalidade marcante. Os músicos que a acompanham são os mesmos dos Novos Baianos, como Pepeu na guitarra e seu talentoso irmão Jorginho Gomes na bateria.
Em 79 sai Pra Enlouquecer. Entre o clássico da dupla Moraes-Pepeu, “Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira” e interpretações para Ernesto Nazaré, “Apanhei-te Cavaquinho” e Jacob do Bandolim, “Assanhado”; a cantora gravou a versão derradeira de “Menino do Rio”, de Caetano, se tornando a musica umas das mais famosas de repertório de Baby.

Em 80 participa do Festival de Montreaux, gravando um tremendo disco ao vivo, marcando o show com uma performance excelente. Cinco anos depois volta às paradas, com Sem Pecado e Sem Juízo e sua famosa faixa título.

Para matar a vontade dos saudosistas, em 1997, a cantora volta a se apresentar com os Novos Baianos, gravando o ao vivo Infinito Circular. Com canções novas e eternos clássicos, o disco funciona como a despedida de uma época.

"Na imagem e no som
Era uma vez uma tribo
Brincando de paz e amor
Enquanto o homem mandava à luz
O seu disco voador
Nem todos eram baianos
Mas todos eram novos baianos
Gerando ser
Unindo arte e viver"
Anos 70 (Moraes/Pepeu/Galvão/Baby/Paulinho)

Para soterrar de vez o passado, Baby Consuelo mudou o nome para Baby do Brasil e auto proclamou-se evangélica, lançando o disco Exclusivo Para Deus, em 2000.
Como ninguém é de ferro, Baby, vez ou outra, ainda se apresenta com Os Novos Baianos, no entanto sem contar com Moraes e o baixista Dadi.
A telúrica dos cabelos roxos é uma figura ímpar da Brasil.
Abaixo, o clip de Emíla, a Boneca-Gente, do musical Pirlimpipim, exibido pela Rede Globo em outubro de 1982 e faixa do disco Cósmica. E para fechar uma apresentação num "quintal" dos Novos Baianos tocando "A menina Dança", do disco Acabou Chorare.



domingo, 31 de maio de 2009

O talento da separação

Com apenas um disco lançado, So Red the Rose, em 1985, o Arcádia foi formado por três integrantes do Duran Duran: Roger Taylor, Simon LeBon e Nick Rhodes. Na época, os duranies atravessavam uma grande crise, devido aos clássicos excessos que toda banda famosa esta sujeita. Após o lançamento de três discos: Duran Duran, Rio e Seven and the Ragged Tiger e do ao vivo, Arena, todos estavam no limite. Os outros dois integrantes do Duran Duran formaram o Power of Station, com o falecido Robert Palmer no vocal e o grande baterista do Chic, Tony Thompson .

So Red the Rose não trás uma sonoridade muito diferente do que o trio estava acostumado a fazer e mostra os integrantes com um visual “mais enxuto”, entenda-se menos colorido. O disco conta com participações de alto calibre, como David Gilmour, Sting, Herbie Hancock e Nile Rodgers, que viria a trabalhar na volta do D.D, no disco Notorious e, posteriormente, em Astronaut.
Infelizmente, o Arcádia nunca teve seu trabalho lançado por aqui, apenas em vinil, sobrando a clássica surrupiada pelos sites de Download. Vale a pena conferir musicas como “Election Day”, "The Promisse”, "The Flame", "El Diablo" e "Missing".



sábado, 30 de maio de 2009

Comentários de um sábado

E hoje fui dar uma boa pernada pelo centro de São Paulo. Com seu asfalto imundo e prostituído e tantos outros problemas socias, a cidade ainda mantém um ar histórico inabalável. O charme do viaduto Santa Efigênia ou da Catedral da Sé faz com que, por alguns minutos, você esqueça de tudo. Bem, meu destino foram os sebos que ali se encontram. Quem vai com uns R& 70,00 no bolso, pensando que irá fazer grandes negócios, pode se decepcionar. O preço não é o forte dos locais. Eu não sei se apenas por aqui aconteçem essas coisas: livros novos e usados, o mesmo preço. No entanto, com uma boa dose de paciência e pés dispostos a andar muito, pode-se encontrar boas coisas. Com R$ 30,00 consegui cinco livros do subestimado paulista Monteiro Lobato. Confesso que guardo um enorme carinho por sua obra, afinal foi o primeiro escritor que li. Pedrinho, a boneca Emília e os outros foram bons "amigos de infância". Bem, a parte boa acabou por aí. Os outros títulos adquiridos foram na base da barganha verbal, desconfio que com uma boa vitória por parte dos vendedores. Além do estado lastimável de algumas obras (igual ao asfalto de São Paulo) ainda temos aquela incomoda sensação de estarmos sendo observados. No final até que voltei para casa satisfeito, com livros para algumas semanas, para vários gostos e momentos.
Pra fechar mesmo o sábado, fui ao show dos Paralamas do Sucesso. É sempre um prazer assistir Herbert Vianna e sua trupe. Com uma qualidade de som muito boa, a banda apresentou um repertório repleto de clássicos (já era de se esperar), com destaque para a versão "POLICE" de "Uma Brasileira". Muito bom.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Despedida e retorno

E o vocalista Paul Rodgers anunciou o fim de sua parceria com os membros remanescentes do Queen. O cantor se juntou à Brian May e Roger Taylor em 2004, e no ano seguinte começaram uma turnê por vário países, a primeira desde a morte de Freddy Mercury. Lançaram, no ano passado, o disco Cosmos Rock, que mostrou os músicos ainda em grande forma.
No entanto, Rodgers não descartou a possibilidade de trabalhar novamente com eles em algum evento beneficente ou algo do gênero.



Recentemente, Rodgers voltou com seus velhos parceiros do Bad Company, e anunciaram uma turnê americana para o fim do ano. Para relembrar, duas músicas:
Say it´s no true, do disco Cosmos Rock e a clássica Run with the pack, do Bad Company.

domingo, 3 de maio de 2009

BREAD: Melodias de uma década

Suaves melodias e refinadas harmonias vocais foram as marcas do Bread. Formado em Los Angeles, no final dos anos 60, o grupo ficou conhecido pelas suas belas baladas emotivas e seu “soft rock”.
Seu talentoso trio de compositores era formado por David Gates, Robb Royer e James Griffin. Lançado em 69, o primeiro disco, apesar de contar com sucessos como “The Last Time” e "Friends And Lovers”, não agradou.

“Nós percebemos que não é so porque você forma um grupo e apresenta algumas músicas boas que você tem a garantia de que haverá um hit no rádio”. “O segundo álbum tem que estourar para nós - se isso não acontecer, teremos que dissolver o grupo”, disse Gates em uma entrevista.
E foi o que aconteceu. Recrutaram o talentoso Mike Botts, que aos 12 anos já havia acompanhado o notável Wes Montgomery, para a bateria e lançaram On the Waters. Com o hit “Make It With You” alcançando o topo da Billboard, em agosto de 1970 e vendendo mais de um milhão de cópias, o álbum ganhou o disco de ouro.
Com uma popularidade crescente, o grupo embarcou na gravação do próximo disco: Manna. O trabalho trouxe conflitos entre os integrantes quanto ao direcionamento da banda. Royer e Griffin gostariam de explorar o lado mais rock do Bread.

“Let Your Love Go” foi o primeiro single do disco e alcançou apenas a posição 28 nas paradas. Logo a gravadora Elektra lançou o segundo single, “If”. A música chegou ao quarto lugar. O disco ainda mostrava as countrys “Too Much Love” e “Truckin´”, essa com grande performance de Botts.
Em 72 eles lançaram Baby I´m-A Want You. No mesmo ano James Griffin saiu da banda, sendo chamado o experiente Larry Knetchel para seu lugar.
O álbum contava com excelentes composições, se destacando um dos maiores sucessos da banda: "Everything I Own", uma canção que Gates escreveu em memória ao seu pai, e que 15 anos depois estourou com Boy George. Também podemos destacar “Diary”, “Down on my Knees” e a faixa titulo.
O disco precedeu o lançamento de Guitar Man, outro sucesso instantâneo e que marcou o fim da banda. No período de 70 até 73, a banda contou com 11 sucessos nas paradas da Billboard.
Em 1977 decidem voltar aos estúdios e gravam Lost Without Your Love. A faixa título, com uma veia Beatles, foi o maior êxito do disco. No entanto, ao fim da turnê a banda se desfaz novamente, com seus integrantes partindo para suas próprias carreiras. Em 1996 se reúnem mais uma vez, apenas para fazerem shows. Foi o fim de uma era.

David Gates possui oito discos solo, tendo alcançado certo sucesso com a música "Take Me Now" e "Goodbye Girl". Acompanhe no link uma entrevista com Gates, onde ele conta um pouco de sua formação musical antes do Bread. James Griffin tambem lançou alguns álbuns solo, aliás, o primeiro foi em 1963 "Summer Holiday", e particiou de discos de outros músicos. Faleceu em 2005 vítima de câncer. Mike Botts, após sair do grupo, trabalhou com Linda Ronstadt por dois anos e ainda excursionou com Richard Carpenter e Dan Fogelberg. Lançou o seu único álbum solo, "Adults Only", em 2000. Faleçeu cinco anos depois, tambem em decorrência de um câncer. Rob Royer mantem um permanente trabalho como produtor e compositor. Larry Knetchel vive em semi reclussão, dividindo o tempo entre sua fazenda, e algumas gravações com artistas renomados, como Jim Diamond. Um detalhe: Knetchel é quem toca piano na famosa "Bridge Over Trouble Waters", de Simon & Garfunkel e baixo na faixa Mr. Tambourinie Man, com os Byrds.

O grupo ficou marcado mais pelas suas baladas emotivas do que pelo enorme talento de seus componentes em criar melodias sofisticadas.
Me lembro até hoje da primeira vez em que ouvi o grupo. Tinha uns 7 anos e, fuçando nas fitas de meu pai, me deparei com Guitar Man. Provavelmente seja por isso que, sempre ao ouvir a banda, uma nostalgia me invade.


domingo, 19 de abril de 2009

Um senhor Talento: Entrevista com Sérgio Ricardo

João Lufti, mais conhecido como Sérgio Ricardo, nasceu na cidade de Marília, interior de São Paulo. Escritor, pintor, cineasta e, acima de tudo, um exímio compositor.
Tornou-se conhecido após Maysa gravar a sua canção, “Bouquet de Izabel”. Entre 57 e 58 lançou seis compactos, e, ainda em 58, grava seu primeiro disco: Dançante n°1.
A sua extensa vida musical inclui a participação no Festival da Bossa Nova, no Carnegie Hall, em 1962; movimento que acabou como dissidente. Em 1967 ficou marcado para sempre pelo incidente do violão quebrado, durante a execução da música “Beto Bom de Bola”, fato muito bem narrado em seu livro de memórias “Quem Quebrou meu Violão”.
Com uma extensa discografia, grande parte fora de catálogo; cerca de 12 produções cinematográficas, entre curtas, longas e documentários e três livros segue sua vida artística, com shows pelo país e projetos diversos.
Por email, Sérgio Ricardo concedeu esta entrevista ao Batida Sonora.
Com a palavra, um senhor talento.


BS• A sua musica agrega uma enorme sonoridade, envolvendo ritmos nordestinos, samba e tantos outros espalhados por esse Brasil. Comente um pouco sobre sua formação musical.
Ricardo - Comecei a estudar piano com oito anos de idade, em conservatório. Desde cedo, minhas preferências musicais variavam entre o erudito e o popular . Buscava a beleza das melodias, harmonias e ritmos em qualquer tipo de música. Mais tarde, ao virar cantor e compositor, minhas preferências giravam em torno dos criadores brasileiros. Sou vidrado na nossa musica autêntica, de qualquer região do pais, dada a sua diversidade infinita. Com essa diversidade continuo aprendendo e imitando nas minhas canções. Acho, com exceção do Jazz e de alguns ritmos latino-americanos, tudo dispensável.

BS• Vou citar quatros nomes e gostaria que você fizesse um comentário: Sidney Miller e Glauber Rocha, Geraldo Vandré e Nelson Pereira dos Santos.
Ricardo - Quatro grandes figuras e criadores magníficos. Cada qual com seu instrumento de trabalho, criou sua obra, imprimindo seu caráter, sua visão de mundo, deixando para sempre, sua contribuição cultural e política, sua poética, sua atuação renovadora, na nossa memória.

BS• Certa vez você declarou que o seu afastamento da bossa nova foi em virtude de Zelão, que o levou para um lado mais da critica social. O seu trabalho é calcado em canções com esse enfoque. Como você desenvolveu essa visão?
Ricardo - Não precisou de esforço algum. Bastou abrir os olhos para o que estava e continua estando à minha volta, por todo canto do nosso imenso continente. Movido pelo amor ao próximo, e descartando o caminho do sucesso a qualquer custo, indiferente ao prejuízo material que pudesse advir.

BS• Afastado da grande mídia, você passou um bom tempo se apresentado no circuito universitário, que o acompanhou fielmente. Como você analisa a juventude (universitária ou não) atualmente?
Ricardo – A ditadura calou o estudante, alem das outras categorias sociais. A sua atuação política desintegrou-se, como aconteceu com os demais. O pais se desarticulou e todos caímos num fundo de poço, de onde se tenta sair muito vagarosamente. Espera-se que essas crises internacionais, vivendo o engodo do sistema capitalista, acordem não só os brasileiros, como o resto do mundo, para uma tomada de posição contra a descarada roubalheira que ainda vai acabar levando a espécie humana a um fim trágico.

BS• Qual o papel que os maestros Moacir Santos e Radames Gnatalli tiveram na sua formação como musico?
Ricardo - Moacir Santos foi meu professor de contraponto e Radamés Gnatalli meu grande incentivador. Gostava do meu trabalho e me instigava a escrever para orquestra, achando que eu estava pronto para a tarefa.

BS• Sobre a Sombras, como é a sua opinião hoje em termos de direitos autorais. O senhor concorda com o excessivo numero de discos que circulam ilegalmente, vistos que alguns estão fora de catálogo?
Ricardo – A questão do direito autoral é a coisa mais intrincada que se possa imaginar. Está sendo gerida por pessoas que buscam seu lucro no direito do artista. Eles levam a carroça pelo caminho que querem, pois o cabresto está em suas mãos. O artista é a mula que puxa a carroça. Mais nada. Se for boazinha, eles dão mais capim. Se relinchar muito só vai levar chicotadas. O ECAD é do governo, mas o governo não controla. Fecharam o CNDA e virou bagunça. Só intervenção pode resolver. O que circula ilegalmente é uma faca de dois gumes. É bom pro artista porque divulga seu trabalho sem precisar pagar jabá, mas por outro lado o direito autoral desaparece.

BS• Você possui uma vasta obra musical e cinematográfica, infelizmente, na sua maioria, fora de catalogo. Nunca houve uma proposta de relançar esses trabalhos?
Ricardo - Propostas há. Mas aceita-las é que é o x do problema. Mas estamos estudando uma forma.

BS• Tem escutado algum artista novo que lhe chamou a atenção?
Ricardo – Vários. A nova geração de músicos brasileiros, hoje beneficiados com cursos muito bem estruturados estão se mostrando mais bem preparados que os de minha geração, que embora tenha produzido grandes gênios, não contava com um numero tão expressivo como os de hoje. Por outro lado, quanto mais avançados no domínio da linguagem brasileira, tanto mais distanciados vão ficando da mídia.

BS• Cite três momentos marcantes de sua carreira.
Ricardo – Sem dúvida, o mais marcante foi o episódio do violão que quebrei no festival da Record. Outro episódio, sem tanta repercussão, mas para mim importante, foi o dia em que conquistamos no Vidigal o interdito proibitório suspendendo a remoção dos favelados para Antares. A primeira vitória do nosso povo contra a ditadura. A custa da união da comunidade e da defesa de Sobral Pinto. Outro momento marcante da minha carreira foi a realização do show comemorativo dos meus cinquenta anos de carreira, no teatro Municipal do Rio de Janeiro, com a exibição do cordel sinfônico que musiquei para o poema de Drummond de Andrade, executado pela orquestra sinfônica do teatro, com orquestração de Radamés Gnatalli. No palco Chico Buarque, Elba Ramalho, Alceu Valença, Marina Lutfi e Zélia Duncan cantaram o cordel e minhas canções na segunda parte.

BS• Planos para um novo projeto?
Ricardo - Projetos são vários. Exposição de pintura (pronta) a espera de galeria. Um livro de poemas (pronto). Canções inéditas na fila para gravar novo disco. Dois roteiros de filmes a espera de produção. Enquanto se espera esta ou aquela coisa se decidir, vou fazendo shows do meu novo disco que está nas lojas: Ponto de Partida.

BS• Diga algumas palavras finais.
Ricardo - Sou um homem de sorte. Como nunca corri atrás da fortuna, é claro, ela também não correu atrás de mim. Talvez tenha sido melhor assim. Porque vivo ocupado criando isto ou aquilo, pintando o sete, para sobreviver, o que não me predispõe a queixumes de qualquer espécie.
Não me sobra tempo para isto. Por outro lado não tenho do que me arrepender. Durmo muito bem, sem culpas.

Muito obrigado, Sérgio.

Roberto, Lygia e os Índios. Tudo no mesmo dia

“Antes que o homem aqui chegasse/ as terras brasileiras eram habitadas e amadas por mais de três milhões de índios/ Todo dia era dia de Índio...mas agora ele só tem o dia 19 de Abril”
Jorge Ben (todo dia era dia de Índio)

Ano: 1500. Pedro Álvares Cabral aporta em terras brasileiras e a nossa história, banhada em sangue, roubos e doenças, mudaria para sempre. Índios, naquela época, aos milhares, cores, cheiros, nuances, matas, coisas jamais vistas pelo homem branco que em pouco mais de 500 anos conseguiu, com extrema eficácia, destruir quase que totalmente.
A sanha desenfreada dos colonizadores; a “catequização e salvamento” dos índios por parte das missões; os ciclos da borracha; a guerra dos agropecuários, tudo isso ajudou a dizimar uma população gigantesca de nações indígenas.

Importante dizer que nem só na Amazônia, paraíso verde deste mundo cor de chumbo, é que habitavam os “legítimos” moradores do Brasil; de norte a sul do país, tribos e mais tribos indígenas mantinham o bem estar e equilíbrio da terra.
Cren- Acárore, Waimiri-Atroari, Guarani, Pataxós, Bororó, Avá-Canoeiro, Suriá. Antes, bravos guerreiros, dotados de grande liberdade, donos das próprias vontades, felizes no seu meio. Hoje, famélicos, bêbados, pedintes, prostituídos; com nomes de João, Pedro, José, sem raízes.

O Parque Nacional do Xingu, apesar da boa proposta de manter as nações indígenas intactas, ainda é pouco. Em 1971, com poucos anos de funcionamento, sofreu um duro golpe: a rodovia BR-080 cortou uma parte do parque, tirando, dos 22 mil quilômetros, oito mil. Era o progresso mostrando mais uma das suas artimanhas construtivas.

Tanto a música quanto a literatura já dedicaram obras aos índios. Moacyr Scliar escreveu “Majestade Xingu”, que narra a saga de Noel Nutels (1913-1973), médico que dedicou sua vida aos índios. O jornalista Edílson Martins escreveu o ótimo “Nosso Índios, Nossos Mortos. Os olhos da emancipação”, uma séria de reportagens que fez ao longo de cinco anos para jornais e revistas. Com prefácio de Antônio Callado, autor do seminal “Quarup”, que também tem o índio como um de seus motes, e Apoena Meireles, eterno herói dos silvícolas, o livro trás entrevistas e depoimentos, dentre eles dos irmãos Villas Boas e de chefes indígenas.
De todos os textos, um me marcou profundamente e que abaixo transcrevo:

“Há também um episódio, e eles são tantos, que fornece o tipo de tragédia que os Waimiri-Atroari enfrentam há mais de um século nas suas relações com a chamado mundo civilizado.
Os 18 índios conduzidos a Manaus como troféu, em 1906, submetidos a uma rigorosa disciplina militar, com ordem unida e tudo, numa tentativa de integração rápida e patriótica urgentes, evidentemente não resistiram.
Houve um, entretanto, que morreu na Santa Casa de Misericórdia de Manaus. Morreu sem nada entender, perdido em suas memórias, alquebrado, dobrado.
Sentindo que ia acabar, muito fraco, conseguiu erguer a cabeça, e se apoiou na cabeceira da cama. Fitou as duas enfermeiras que se encontravam na local com um medico de Manaus. Uma lágrima desceu pelo seu rosto, indo diluída molhar, quase invisível a olho nu, o lençol encardido que o cobria.
Diante daquele pequeno grupo de pessoas ele então entoou uma canção, triste, longa e insuportável, tal o lamento, aos ouvidos de quem ali se encontrava. Cantou em sua língua, que era a única que sabia, invocando seus heróis míticos, numa prece talvez de dor, talvez de alegria, abandonando enfim o mundo dos vivos, de tão triste memória.
Cessada a cantiga, recolheu-se à postura anterior, cerrou os olhos, afastou sem violência um mosquito que pousara no seu rosto, e morreu. Morreu sereno, calmo, assim como com uma vela que se apaga, sem ruído, ao sopro de uma brisa mais forte”. (sic)

Um ponto: no dia 19/4/1959 foi realizado o 1° Festival do Índio, no Ibirapuera, em São Paulo. Coisa que deveria ser anual.

“Um índio descera de uma estrela colorida,
Brilhante. De uma estrela que virá numa velocidade
Estonteante.
E pousara no coração do hemisfério sul na América.
Num claro instante
Depois de exterminada a ultima nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançada que a mais avançada das tecnologias”.
Caetano Veloso (Um Índio)


Outras comemorações
Bem, nem só os Índios têm a sua comemoração no dia de hoje. Roberto Carlos celebra seus 68 anos e 50 de carreira, com uma vasta programação. Show em Cachoeiro do Itapemirim, sua cidade natal; apresentação no Maracanã; espetáculos com cantores sertanejos, no estádio do Pacaembu; com cantoras- no Teatro Municipal de São Paulo; tributo de bandas de rock, no Ibirapuera e para fechar, uma exposição na Oca, em Janeiro de 2010. Já faz tempo que o cantor não apresenta algo relevante, e o repertório já se solidificou em canções manjadas. No entanto, Roberto Carlos ainda mantém a velha classe, cantando com maestria.
Também hoje é a vez da grande Lygia Fagundes Telles assoprar as velas. Chega aos 86 anos de vida, ainda com o título de Primeira Dama da Literatura Brasileira. Com várias obras publicadas estreou aos 15 anos com o livro de contos Porões e sobrados (1938), que a autora, mais tarde, excluiria de sua biografia. Em 1944 lança Praia Viva, este realmente considerado o inicio.
Lançou, com grande destaque, As Meninas (1973); Ciranda de Pedra (1981) e o seu maior êxito: Horas Nuas (1989).
Enfim, o dia de hoje se reflete na acomodada carreira de um astro, nas sábias palavras de uma escritora e no triste fim de uma nação.

sábado, 4 de abril de 2009

Ainda Fa-Tal?

Sim, ela já teve a sua fase cabeleira, sem os blazers brancos, com roupas largas (ou a falta delas), contestação e talento. Este, aliás, dura até hoje.
Maria Da Graça Costa Penna Burgos, ou como ela canta “Meu nome é Gal”, quarenta anos de carreira, e muito mais do que quarenta sucessos.
Das musicas com um ar bucólico e minimalista de seu disco de estréia, dividido com Caetano, Domingo, passando pelos petardos psicodélicos e rockeiros, dos discos de 68 até 70, Gal explodiu com Fa-tal.
Esse clássico veio a consolidar um movimento e uma fase inteira na vida da artista. O disco/show é dividido em 2 partes: a primeira, com a cantora e o violão; a segunda, eletrificada pela guitarra do inesquecível Lanny Gordin e apoiada numa banda que contava com Jorginho Gomes, Novelli e Baixinho. Fa-tal (a todo vapor) representa um marco, não só pela obra em si, mas também pelo momento político/cultural no qual o Brasil estava enfiado, mergulhado até a cabeça no “calar os pensamentos”. Negro momento, triste momento, excelentíssimo disco.

Misturando os geniais Geraldo Pereira e Ismael Silva; passando por Roberto e Erasmo; Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira; pinceladas de Caetano, até os novatos Luiz Melodia e Jards Macalé o trabalho traz uma artista ainda em formação, lapidando a sua voz que a levaria, poucos anos depois, ao estrelato da MPB. O triste samba “Antonico”; a interpretação imortalizada de “Vapor Barato”; o canto melancólico de "Assum Preto”, ou ainda “Pérola Negra”, “De um Role” e “Hotel da Estrelas” são obras de beleza ímpar.

Com o disco India, de 1973, ela ainda manteve um certo ar de rebeldia, que iria diminuir gradualmente nos próximos lançamentos, mas sempre mantendo uma qualidade impecável.

Para mais detalhes, e novidades sobre a cantora, entre em http://www.galcosta.com.br/

Cada um no seu estilo

Flerte, piedade, horror, concentração, determinação e hilariedade; junte tudo isso com um trio de talentosos músicos, e o que temos? Os Paralamas do Sucesso e seu primeiro disco Cinema Mudo.

Lançado em 1983, o disco trazia (sim) certa influência do The Police; mais por parte de João Barone, que impunha um estilo muito proximo ao de Stewart Copeland, do que do resto da banda, e alguns fraseados de Herbert Vianna que lembram os de Andy Summers. Faixas como “Vital e sua moto”, Foi o mordomo” e “Patrulha Noturna” mostram uma forte dose do trio inglês dos primeiros trabalhos: The Police e Zeniatta Mondatta. Os Paralamas ainda flertaram com Tim Maia, fase anos 80, na música “Volúpia”.

Apesar dessas inspirações, o grupo já mostrava uma sonoridade própria, se distanciando de outras bandas nacionais.
No ano seguinte sairia O passo do Lui. O segundo disco da banda ainda trazia uma sonoridade de Sting & Cia. “Fui eu” lembra muito a musica “Man in a Suitcase” e “Mensagem de Amor” poderia perfeitamente fazer parte de Synchronicity, último disco to The Police.

Mas foi neste disco que os Paralamas começaram a mostrar a marca que caracterizaria sua musica pelos anos seguintes: o belo trabalho de metais e a mistura de rock e ritmos latinos. A faixa título e “Ska” são exemplos disso. Nessa última, Leo Gandelman dá um show particular. Importante dizer que praticamente todas as faixas desse disco se tornaram clássicos e presença constante nos shows da banda. Dentre elas “Meu Erro”, que talvez seja a musica mais conhecida do grupo.

No dia 13 de janeiro de 1985 eles tocaram para uma platéia de 90 mil pessoas, no mesmo palco que Lulu Santos, Blitz, Nina Hagen, Go-Go´s e Rod Stewart se apresentaram. O Rock in Rio marcava a história dos shows no Brasil, e o rock nacional, inocente e talentoso, trilhava o seu caminho.

Em 1986 eles lançaram Selvagem e levaram o nome da banda ao exterior, culminando numa apresentação no Festival de Montreaux e no disco ao vivo “D” lançado em 1987.
Nos anos seguintes Herbert Vianna se tornaria um dos melhores letristas da geração rock; João Barone reinaria absoluto atrás de seu instrumento e a história vai longe...


sábado, 28 de março de 2009

Salve um cachorro e sua criança também

E hoje, não somente, os nossos cachorros possuem tudo: spas, discotecas, aniversários, cosméticos, roupas, táxis, hotéis e o que mais se puder imaginar. Pobres bichinhos, desamparados, jogados na rua, dormindo junto com crianças, também na rua. Ate que certa hora surge uma senhora dotada de bondade extrema, e retira o cachorro das ruas...deixando apenas as crianças.

Eduardo Dusek e Leo Jaime são vistos por uns como artistas bregas, por outros apenas tiradores de sarro. O fato é que em 1982, com letra de Leo Jaime, Eduardo Dusek lançou “Rock das Cachorras”. Talvez uma simples paródia, mas cabe muito bem nos dias de hoje.
Dondocas de vestido e carros importados, com suas casas enormes e corações pequenos, sorrisos moldados e carteiras cheias, deem as mãos e cantem bem alto:





Troque seu cachorro por uma criança pobre
Sem parente, sem carinho, sem rango, sem cobre.
Deixe na historia de sua vida uma noticia nobre
(...)
Tem muita gente por ai que ta querendo levar uma vida de cão
Eu conheço um garotinho que queria ter nascido pastor alemão
Esse é o rock despedida para minha cachorrinha chamada sua mãe.
É pra sua mãe..
Seja mais humano
Seja menos canino
De guarita pro cachorro, mas também de pro menino.
Se não um dia desses você vai amanhecer latindo.



Eduardo Dusek nasceu no Rio de Janeiro, em 1/1/1957. Sempre notabilizado pelas suas letras satíricas e com boas sacadas, possui vários sucessos, entre eles as tocantes baladas "Cabelos Negros" e "Eu velejava em você", regravada com sucesso por Zizi Possi. Já o goiano Léo Jaime nasceu em 23/4/1960. Participou da efervescência da cena pop/rock 80´s no Brasil, com letras também debochadas e despretensiosas. Fez parte do João Penca e seus Miquinhos Amestrados.
Não são os maiores letristas da música, mas o que tem isso? O recado está dado, com bom humor e zombaria, tudo ganha ourto ar.
Abaixo, dois momentos: Dusek no programa Um toque de classe, apresentado por César Camargo Mariano, cantando a balada "Aventura", com o seu humor costumeiro. Em seguida a versão "Rock´n´Rio" de "Brega Chic (o vento levou black)", com direito a vaias programadas e sua letra com final "feliz".




quinta-feira, 12 de março de 2009

No blog com o professor: Entrevista com Daniel Daibem

As tardes paulistanas sempre ganham um charme a mais quando ouvimos o bom programa "Sala dos Professores". De segunda à sexta, Daniel Daibem nos proporciona, de forma clara e didática, pérolas e histórias do Jazz e da MPB. Como se todos os ouvintes fossem seus amigos, sem um pingo de arrogância, destila seu repertório.
Ja trabalhou na Rádio 89Fm (saudosa rádio rock!) e posteriomente na Brasil 2000. Quem quiser conferir o trabalho do rapaz entre na Rádio Eldorado.
Com sua tradicional simpatia Daniel Daibem concedeu esta entrevista ao Batida Sonora.

Então vamos começar o “improviso”.

BS •Quando começou o interesse pela música?
Daibem- Desde pequenininho. Minha avó tinha aquele móvel com uma vitrola. O que eu me lembro e tenho até hoje, alguns compactos em vinil eram: o disco da Vila Sésamo, Mauro Celso, com Farofa-fa, Biquíni de Bolinha Amarelinha e João da Praia, com O Boi Vai Atrás (esse cara andava na praia, no Rio de Janeiro, com um violão de uma corda só e gravou...aonde a vaca vai, o boi vai atrás). Também lembro que quando passava a abertura do Sitio do Picapau Amarelo com o Gilberto Gil, eu já prestava atenção nos arranjos de flauta e outros detalhes. Aquilo era muito claro prá mim. Também tem aquela abertura original do Globo Repórter, que me pegava na veiz. Depois veio 1980, com a Blitz, o Thriller do Michael Jackson, Ultraje à Rigor, Paralamas e para fechar o tempo AC/DC. Lembro que eu já tinha a coleção inteira do AC/DC (com o Bon Scott) em vinil, mas não tinha aparelho de som em casa. Toda tarde, religiosamente, eu pegava esses discos e fazia uma romaria até a casa da minha avó, para ouvir enquanto fazia a tarefa da escola. Ouvia um por um. Depois veio Pink Floyd, que me levou aos Secos e Molhados, que me abriu para a música brasileira. O rock, inevitavelmente, me levou para o rhythm ‘n’ blues, que me levou para o soul, para o funk e, finalmente para o jazz.

BS•Falar sobre Jazz sem aquela arrogância típica. Qual o segredo dessa improvisação?
Daibem- Na verdade, desde o primeiro dia em que comecei no rádio, eu decidi que não iria fazer locução daquele jeito bobo, unilateral, gritalhão, distribuidor de prêmios. Eu trabalhava na 89 FM (quando ainda era a Rádio Rock). Sempre procurei contar as histórias sobre as bandas, como fazia nas tardes em Bauru, na casa dos amigos. A coisa rola assim até hoje. Acho que nem saberia fazer de outra forma. Tem mais uma coisa que eu queria falar sobre esse lance de abordar as coisas complexas com simplicidade. Li uma vez aquele livro Pai Rico, Pai Pobre, que fala sobre educação financeira e o autor diz que, dando algumas palestras, percebeu o seguinte: o adulto se sente ofendido com explicações simplórias e, muitas vezes, deixa de aprender com isso.

BS•A música instrumental ainda tem espaço nas rádios?
Daibem- Claro que tem. Mas não adianta enfiar no ouvido do cara que não está acostumado; assim, ele muda de estação na hora. Tem que criar curiosidade, contar uma história, dizer que por trás do instrumental tem sempre uma “letra”, uma historinha. Com o tempo o cara começa a ouvir esse “recado subliminar”. É justamente por isso que o Sala dos Professores tem 20 minutos. Para aproximar aquelas pessoas que ainda não tem o hábito de ouvir esse tipo de som e deixar as que já gostam com gostinho de quero mais.

BS•Muita informação em apenas 20 minutos. Como você cria o “Sala dos professores”?
Daibem- Quer saber a real? Eu tenho um caderno desses de 10 matérias. Eu risco uma página com a caneta dividindo de seis em seis linhas (segunda, terça, quarta, quinta e sexta). Ali eu anoto os nomes das músicas e apenas uns caquinhos com o que eu quero falar sobre cada uma delas. Prefiro não escrever texto para não ficar aquela coisa formal, lida. Aí eu gravo tudo na segunda-feira na rádio; os cinco programas de uma vez. No começo eu fazia ao vivo, mas como saí da programação normal da Eldorado, agora eu gravo tudo de uma vez. Na verdade, eu produzo os programas enquanto ando na rua, cantarolando, ouvindo meu Ipod, tirando um som, descobrindo algum detalhe. Digo sempre que na Sala, não importa muito qual música a gente vai ouvir, mas o que a gente vai ouvir daquela música.

BS•Profissão locutor. Como ligar música com informação e ainda prender a atenção do público?
Daibem- Sinceramente, eu não sei. Pra mim essa curiosidade já veio junto com o som. Mas é claro que eu penso num mínimo de senso estético, entre uma música e outra. Sempre fico imaginando qual o som que vai fazer o cara mais ingênuo e leigo continuar ouvindo a sequência. Lembro sempre de um amigo meu, o Pedro Barros (que é contato comercial da MTV). Ele tem um ouvido bem simplório. É ele que eu tenho que segurar. Mas sempre com um repertório de primeira, só com os mestres.

BS•O rádio é ainda o melhor meio para difusão de informações?
Daibem- Não vejo assim. Para mim cada meio tem a sua linguagem adequada. Veja, por exemplo, o Pânico na TV e o Pânico no rádio. Os dois formatos trabalham com o escracho, mas o “time” na TV e no rádio são bem diferentes. Já sei que alguém vai pensar: - O que é que esse imbecil do Daniel está falando? Mas eu vejo assim. Não tenho preconceito. Adoro bobagem. Talvez seja por isso que eu trate um assunto tão intelectualóide e acadêmico (que é o que fizeram com o Jazz) com essa tal simplicidade.

BS•Qual o disco que marcou sua vida?
Daibem- High Voltage, do AC/DC. Aquele timbre de guitarra dos irmãos Young. É um limpo “sujo” que nem eles conseguiram reproduzir de novo. Dizem eles que era uma sala de um estúdio em Sidney, que não existe mais. Essa banda até hoje é uma lição de simplicidade. Não tem viagem. Batera e baixo numa pegada só e as guitarras no contratempo, dando um balanço que nem é típico do rock. Mas ali tem coisa. Sem falar nas letras do Bon Scott, que não gritava, contava a história. Vai entender...

Valeu Daniel!

Atenção Classe

Batucando com arte

Já disse Armando Pittigliani: “Não há realmente um baterista jovem que não
tenha um pouquinho de Dom Um no seu jogo de pratos (...)”
Se de todo fosse verdade, seria maravilhoso, mas não é bem assim, infelizmente.
Dom Um Romão foi genial até a sua morte. Dono de uma técnica espetacular e um suingue mágico, comandou suas baquetas em vários clássicos aqui e no exterior.

Nasceu no Rio de Janeiro a 3 de agosto de 1925. Antes de soltar seu clássico disco de estréia, já havia tocado no “Bossa Nova at Carnegie Hall” e gravado com J.T Meirelles e outros papas da nossa música.
Em 1964 lança Dom Um. Com um time de primeira, entre eles Paulo Moura e Cipó, e um repertório com pérolas como, Telefone, Vivo Sonhando e Diz que Fui Por Aí, assinava para sempre o seu nome na historia da bateria brasileira.

Depois ganhou o mundo com o Brasil 66, de Sérgio Mendes, além de tocar e gravar com uma enorme quantidade de astros do jazz e da música internacional. Ao lado de Edson Machado é, sem dúvida alguma, um dos mais influentes bateristas da década de 60.

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