segunda-feira, 2 de março de 2009

A chama que não se apaga


É fato que o beatle que mais levanta questões quanto a sua musicalidade é Ringo Starr. O baterista sempre optou por uma carreira calcada em musicas extremamente simples, com arranjos básicos e econômicos.
No entanto, além de marcar historia no quarteto de Liverpool, é de sua autoria- aliás sua e do produtor executivo David Fishof-, a grande iniciativa de reunir, sob o nome de All Starr Band, lendas e ícones da música internacional e excursionar pelo mundo afora.
Formado pela primeira vez em 1989, passaram pelos Estados Unidos e Japão. A turnê foi de 23 de julho até 3 de setembro, e contava com Clarence Clemons, Rick Danko, Levon Helm, Dr. John, Jim Keltner, Nils Lofgren, Billy Preston e Joe Walsh. O repertório se baseava em canções do Beatles, da carreira solo de Ringo e músicas que os envolvidos participaram.


A terçeira formação da All Starr Band


A idéia é que a cada nova turnê o cast seria renovado também. Assim de 1989 até 2008, data da última turnê, as formações foram as seguintes:
● Burton Cummings, Dave Edmunds, Nils Lofgren, Todd Rundgren, Tymothy B. Schmidt, Zak Starkey, Joe Walsh e Tim Cappello (2/6 - 28/9/1992 Estados Unidos e Europa).
●Randy Bachman, Felix Cavaliere, John Entwistle, Mark Farner, Billy Preston, Zak Starkey e Mark Rivera (2/7 – 28/8/1995 Estados Unidos e Japão).
●Gary Brooker, Jack Bruce, Peter Frampton, Simon Kirke, Mark Rivera (28/4 – 7/7/1997 Estados Unidos, Europa e Russia).
● Gary Brooker, Jack Bruce, Simon Kirke, Todd Rundgren e Timmy Cappello (12/2 – 29/3/1999 Estados Unidos).
●Simon Kirke, Dave Edmunds, Eric Carmen, Jack Bruce e Mark Rivera (1/5 – 29/6/2000).
●Ian Hunter, Roger Hodson, Howard Jones, Greg Lake, Sheila E. e Mark Rivera (2001).
●Colin Hay, Paul Carrack, John Waite, Sheila E. e Mark Rivera (2003).
●Billy Squier, Richard Marx, Edgar Winter, Rod Argent, Hamish Stuart, Sheila E. e Graham Russel. (2006).
●Billy Squier, Colin Hay, Edgar Winter, Gary Wright, Hamish Stuart e Greeg Bissonette. (2008). PS* não encontrei informações precisas quanto às datas das últimas turnês.


Ringo Starr e Billy Squier

Ringo nunca mais havia excursionado após o álbum Old Wave, de 1983, se limitando a aparições em programas e gravando uma ou outra faixa em álbuns de outros artistas. Nesse meio tempo, também decidiu se tratar do seu problema de alcoolismo. Foi aí que o produtor executivo David Fishof ligou para ele dizendo que poderia colocá-lo na estrada e se estaria interessado. Algumas ligações depois e o conceito da All Star Band estava pronto. Além da figura do próprio Ringo, o que chama a atenção são os músicos que tocam com ele. Membros da E-Street Band, The Who, Procol Harum, Crazy Horse, Cream, Love Sculpture, The Rascals, The Eagles, Grand Funk Raiload, Guess Who, Bachman Turner Overdriver, alguns deles sendo diretamente influenciados pelos Beatles, como o caso do guitarrista Nils Lofgren.

A idéia de juntar tantos artistas num show ou turnê geralmente ocorre em atrações beneficentes para arrecadarem fundos. Esse foi outro dos motivos que chamaram a atenção na All Star Band. Em quase 20 anos de turnês, não contínuos, milhares de pessoa ao redor do mundo tiveram a oportunidade de desfrutar de uma das maiores lendas da musica. Independentemente da técnica de Ringo, o seu passado trata de colocá-lo na historia. Vale lembrar que o baterista foi o primeiro beatle a tocar na Rússia, coisa que causou extremo alvoroço.

O último disco de Ringo

As turnês da All Starr Band podem ser encontradas em DVDs e CDs. Há uma versão, num CD triplo, lançada pela Sun Records, que cobre até 2000. Ouvir Felix Cavaliere revivendo o hit “Groovin´”; Simon Kirke cantando clássicos do Bad Company; Joe Walsh dando vida à pérola dos Eagles, “Desperado” ou Jack Bruce marcando presença em “Sunshine of Your Love” é muito bom. Uma parte da historia da musica passou por esses músicos.
Apesar das apresentações anuais da All Starr Band, Ringo mantem a sua própria carreira solo a todo vapor, sendo que seu último álbum foi Liverpool, de 2008.
Para nós brasilieros fica a espera, quase “quimerica”, de que um dia, mesmo que distante, essas lendas passem por aqui.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A alma do espetáculo

“Eu vou mostrar, eu vou mostrar
Que o povo paulista também sabe sambar
Eu vou mostrar, eu vou mostrar
Que o povo paulista também sabe sambar
Eu sou paulista
Gosto de samba
A Barra Funda também tem gente bamba” (...)


Geraldo Filme de Souza nasceu em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, em 1928. Ainda muito cedo foi para a capital, se instalando no lugar propício: o bairro da Barra Funda. Quando criança ajudava a mãe, tornando-se entregador de marmitas. Ele e seu amigo de toda vida Zeca da Casa Verde. Nas suas andanças pelas ruas de São Paulo, nos anos 30, tomou contato com a cultura do povo. Com uma memória privilegiada transformou essas idas e vindas na base para seus sambas.

Arredio aos estudos, contrariando sua mãe que sonhava com o filho médico, dizia “Mas que doutor? Doutor em samba até que ainda vai”.
Sempre adotando o samba como bandeira, e não uma escola em especial, começou compondo para o Cordão Carnavalesco Paulistano da Glória, e se envolveu com a Camisa Verde, Vai-Vai, Colorados do Brás e Unidos do Peruche, deixando sempre a sua marca registrada: o “puro samba”, que defendeu até os últimos minutos de sua vida. “Na escola em que eu estiver, eu defendo ela mesmo pra valer, ta me entendendo?” (sic), disse á Fernando Faro, durante o programa Ensaio, em 1992.

Deixou pérolas do samba paulista como, “Tebas”, “Eu vou mostrar”, “Silêncio no Bexiga”; sobre a triste e misteriosa morte de seu amigo Walter Gomes de Oliveira, o Pato N´Água, “Vai no Bexiga pra ver”, homenagem ao bairro que “lhe adotou”.
Sempre defendeu o samba como movimento do povo, sem necessidade de apelar ao visual. “O carnaval de São Paulo? Eu, graças a Deus, vi carnaval em São Paulo, porque hoje em dia é espetáculo. Os próprios sambistas estão preocupados com os carros alegóricos, que eu chamo de “porta-veado”. As meninas sacudindo o bumbum, a televisão não pega outra coisa, não pega ninguém sambando no pé, não se preocupa com musica. Os itens que tem ligação com o samba não estão interessando, o que está interessando é a beleza, aquela coisa toda”.


Morreu em 1995, ás vésperas do carnaval, dando instruções do telefone do hospital, se entregando para aquilo que foi a sua vida.
Pois é. Daqui onze dias as escolas vão sair na avenida e desfilar os seus enredos. Paetês, plumas, luzes, nudez, dinheiro... e o samba ? Esse estará lá, certamente. Sentido por poucos, cantado por alguns, aplaudidos por todos... e esquecidos no dia seguinte. Diluídos nas latas de cerveja que vão dar nova cara par as cidades. Neste ano Rio sem Jamelão e, a há 14, São Paulo sem Geraldo.
Vão-se as almas e ficam os corpos.

O samba vai vencer
Quando o povo perceber
Que é o dono da jogada
(Caetano Veloso- Samba em Paz)

Mais do que João

João Batista do Vale, maranhense da cidade de Pedreiras, nasceu em 11 de outubro de 1934. Quinto numa família de 8 irmãos, até os 12 anos vendia na rua bolos preparados pela mãe. Aos 13 trocou os bolos pelas laranjas, na feira de Praia Grande, em São Luís.
Até chegar ao Rio, com 16 anos, ainda passou por Piauí, Ceará, Pernambuco e Bahia. Lá trabalhou como ajudante de pedreiro, largando a profissão depois de ser desacreditado por um companheiro de serviço.

Até aqui esses fatos poderiam ser “apenas mais um João” que veio tentar a vida numa cidade grande. Mas a historia mostra que João do Vale foi muito mais do que isso. Compositor com mais de 400 composições gravadas, começou ainda criança com o bumba-meu-boi de sua terra natal.


Zé Keti, Nara Leão e João do Vale

Foi Zé Kéti que o convidou ao Zicartola. Logo chamou atenção, devido a grande quantidade de musicas conhecidas que cantava e ninguém sabia que ele era o autor.
O pessoal do grupo teatral Opinião sempre ia ao local, e logo surgiu a idéia de um espetáculo reunindo Zé Kéti, Nara Leão, depois substituída por Maria Bethânia, e João.
Com a interpretação contundente que Bethânia mostrou em “Carcará” o nome do compositor ganhou grande renome. Apresentou-se pela Europa, Estados Unidos, Cuba e Angola.


João do Vale. Poeta do Sertão

Suas inúmeras composições, como “Pisa na Fulô”, “A voz do Povo”, ”Lavadeira e Lavrador”, “Sina de Caboclo”, “Segredo do Sertanejo” e “Minha História” ganharam interpretações de Jackson do Pandeiro, Clara Nunes, Nara Leão, Dolores Duran, Marlene, Ivan Lins e tantos outros.

Com sua fala rude e pouco estudo, mostrou que a sabedoria não se adquiri somente nos bancos de escola. Denuncias sociais, lamentos do sertanejo, a seca, tudo isso foi relatado por João do Vale, sempre de uma forma triste e verdadeira, de quem viveu na carne.

Faleceu em 6 de dezembro de 1996, num hospital de São Luís, após um derrame.
Com uma obra tão vasta e vigorosa o compositor é mais um que faz parte do “baú sem chave dos artistas brasileiros”, condenados eternamente a viverem na lembrança de pouquíssimos.

Inestimável.

Simplesmente Márcia

Ronda (1977)


Márcia Elizabeth Raimundo Barbosa, ou simplesmente Márcia, é uma das excelentes vozes que brotaram neste lugar.Antes do sucesso de “Ronda”, em 1977, a cantora já trazia uma grande bagagem. Começou cedo, cantando na orquestra do Maestro Erlón Chaves e em 1958 foi contratada pela Radio Tupi. No começo dos anos 60 foi trabalhar no Sul, na radio Farroupilha e na TV Piratini. Volta a São Paulo se apresentando em boates e teatros, e, em 1965, recebe o Berimbau de Ouro (melhor cantora) pela interpretação de "Miss Biquíni" (de Silvio Mazzuca) no Festival de Música Popular Brasileira, da TV Excelsior. Dois anos depois defende a canção “Eu e a Brisa”, de Johny Alf, no 3º Festival da Música Popular Brasileira, na TV Record.


Apesar de não conseguir classificação, a musica se tornou umas das mais conhecidas gravações da cantora e se tornaria o nome de seu primeiro disco, gravado em 1968.


Já nos anos 70 gravou, em parceria com Edurado Gudin e Paulo César Pinheiro, o disco “O importante é que nossa emoção sobreviva”, em 1975, e um segundo volume no ano seguinte.

Durante as décadas de 80 e 90, lançou ainda uma obra consistente, tendo parado de gravar e fazer shows nos anos 2000. Porém, como o lugar do artista é na palco, voltou a se apresentar em 2008, com shows durante a Virada Cultural de São Paulo, ao lado de Gudin e Pinheiro.

O irrequieto Zoólogo

“No tempo em que eu era rapaz, a boemia se centrava na Avenida São João, do Largo Paissandú um pouco para cima. Era uma boemia de bares de orvalho, de dancings que furavam cartão, de restaurantes de sopa barata de madrugada. Era uma boemia de conversas de pouca coisa e devagar por noite afora. Às vezes entrava no bar uma mulher de jeito preocupado, olhava bem na cara de todos e saía como tinha entrado- ia provavelmente para outro bar. Um dia pensei em fazer um samba que começasse: de noite eu rondo a cidade...”
A boa e velha São Paulo
Lendo essas linhas, fica difícil imaginar a cena ocorrendo nos dias atuais. Muitos dizem que “Ronda” é a música símbolo de São Paulo. Gostos à parte, Vanzolini possui, além da citada, um vasto leque de canções eternas. Com uma linguagem simples e ao mesmo tempo tão completa, é difícil dizer o que mais chama atenção em sua obra.
Vanzolini e Cristina Buarque
Nascido em São Paulo, em 25 de Abril de 1924, Paulo Emílio Vanzolini é, além de um exímio compositor, um dos maiores nomes da zoologia nacional, tendo sido premiado, em 2008, pela Fundação Guggenheim devido a suas contribuições para a ciência.
Lançado em 2002, pela gravadora Biscoito Fino, a caixa “Acerto de Contas de Paulo Vanzolini”, traz 4 CDs com treze faixas cada. Faz um belo apanhado da vasta obra musical do compositor, trazendo gravações de, Paulinho da Viola, Ana Bernardo, Eduardo Gudin, Carlos Vergueiro, Paulinho Nogueira, Márcia, Trovadores Urbanos e outros. O disco pode ser comprado pelo site da Biscoito Fino, ou em lojas especializadas.

“O que eu fiz é muito pouco,
Mas é meu e vai comigo(...)”
Paulo Vanzolini - Quando eu for, eu vou sem pena.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

No auge


E enquanto o Led Zeppelin não da sinal de voltar a estrada, e aparentemente não vai mesmo, Robert Plant aproveita para fazer o que sabe melhor: sucesso.
Na premiação do Grammy, que aconteceu no último Domingo, Plant levou, junto com Alison Krauss, cinco estatuetas nas seguintes categorias:


Gravação do Ano- "Please read the letter",
Melhor Interpretação Pop em colaboração- "Rich Woman",
Melhor Interpretação Country em colaboração- "Killing the Blues",
Melhor álbum contemporâneo de Folk- "Raising Sand",
Álbum do Ano- Raising Sand.


Aos 60 anos o cantor ainda demonstra quem tem muita lenha para queimar. Independente do que tenha gravado, seu talento continua enorme. Plant se mostrou, segundo sua palavras, “perplexo”.

Durante toda a carreira do Led Zeppelin o grupo nunca recebeu um Grammy. Sendo assim, as estatuetas só vieram a coroar a carreira de Plant.
Entre no link e veja entrevistas e mais sobre o artista.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Além dos olhos

Simplício nasceu, segundo suas próprias palavras, com um defeito: “míope; pior do que isso, duplamente míope, física e moralmente.”
Não distinguindo a feição de ninguém a “duas polegadas de distância”; e sem enxergar suas próprias idéias, sempre escravo da palavra alheia; ludibriado, deixado para trás.
Cercado de sua pequena família composta pela sua tia Domingas, sua prima Arnica e Domingos, seu irmão mais velho, possuía certa riqueza, herdada dos falecidos pais e administrada pelo irmão.
Foram árduos e difíceis os anos tentando achar uma cura para o seu duplo defeito; a vontade de saber e de ver sempre foi uma obsessão. Fortunas foram gastas e os resultados nunca se fizeram aparecer. Todos lhe passavam a perna, visando apenas as suas posses.
Depois de algumas tentativas, frustradas por sinal, eis que surge alguém na trama: um Armênio, com fama de “sabido em magias”.

Cashiel! Schaltiel! Afiel! Zarabiel! Depois de muita tensão, o artefato está pronto: A Luneta Mágica!!! Com ela tudo poderá enxergar. Além de três minutos habita o mal; além de treze minutos está o futuro...

Vendo o que não deveria, sabendo o que não convém, torna-se juiz das ações alheias, encantado pelos avessos... No fim, bem... a surpresa está em descobrir.


Joaquim Manoel de Macedo é mais conhecido pela obra “A Moreninha”. Nasceu no Rio de Janeiro em 1820 e faleceu em 1882. Formou-se em medicina e foi professor de Historia e Corografia, além de exercer o papel de deputado por duas vezes.

A Luneta Mágica è um romance extremamente inteligente e atual, mesmo passados mais de cem anos de sua publicação. O autor destila o olhar interesseiro e oportunista da sociedade sobre todos, e as conseqüências que arcamos quando lutamos contra fatos consumados.
Uma obra imortal.

O passeio com o "Tal"

Já está escuro. Aliás, bem escuro e tarde. Talvez daqui a pouco chegue a tal “hora neutra”, sim, aquela sentida e comentada por Rubem Braga.
E com ela o “tal Bebu” pode aparecer e começar a me fazer perguntas, ou quem sabe ler minha mente e nada dizer. Pura psicologia; inerte, calada, horripilante.
Isso assusta, e como. Imagino como seria passar um dia inteiro ao lado de Belzebu, compartilhando o dia a dia, o café preto, a rua cheia de carros, os pedestres se afastando, os mendigos nas praças, as crianças por aí. Algumas brincando, outras famintas...
E é esse o mundo que dividiríamos. Talvez, ao entardecer, tomássemos algumas cervejas num bar qualquer, como amigos que falam pouco.
Talvez até fosse bom andar por aí e ver as coisas comuns com alguém incomum ao lado. Certamente tiraríamos uma bela lição disso tudo.
Mas, se a revolução celeste houvesse acontecido, se o mal tivesse derrubado todos aqueles anjos e querubins, se o céu não fosse tão azul, mas talvez cinza e triste, algo teria mudado?

É essa a indagação de Belzebu, coisa que nem mesmo o matuto e inteligente escritor "cachoeirense do itapemirim" soube responder.
Rubem Braga sempre me fascinou pela sua destreza em escrever. Suas crônicas sempre trouxeram uma simplicidade e sofisticação na dose certa. Dotado de perfeito olhar do cotidiano, retratou os dias de uma maneira peculiar. Crônicas como: O caminhão, O conde e o passarinho, Aventura em Casablanca, Os amigos na praia e tantas outras, mostram o potencial exuberante e atraente de sua escrita.
Nascido em Cachoeiro do Itapemirim, Espírito Santo, a 12 de janeiro de 1913, foi repórter, redator, editorialista e cronista, trabalhando em diversos veículos de comunicação, como “Diário Carioca”, “O Estado de Minas”, “Folha do Povo”, "O Globo", "Correio da Manhã" e fundou com Samuel Wainer a revista mensal “Diretrizes”.
Escreveu inúmeras obras, se destacando “Um pé de Milho” (1948); “A Borboleta Amarela” (1956); “Ai de ti, Copacabana” (1960). Escreveu também, como correspondente de guerra para o Diário Carioca na Itália, "Com a F.E.B na Itália".
Em 1968, fundou, com Fernando Sabino e Otto Lara Resende, a editora Sabiá, responsável pelo lançamento no Brasil de escritores como Gabriel Garcia Márquez, Pablo Neruda e Jorge Luis Borges.
Faleceu em 17 de dezembro de 1990, em Ipanema, Rio de Janeiro.
Lendo as crônicas de hoje em dia, espalhadas por jornais e revistas, com a linguagem rebuscada e cheia de floreios, fica a saudade e a curiosidade de saber como era se defrontar diariamente com as palavras de Rubem Braga.
O escritor, sempre que pode, me acompanha em muitas “horas neutras”, que se estendem além das madrugadas, tomando dias e dias seguintes.

"Doçes" memórias

"Chamei de verdes anos os tempos da minha primeira infância. E em livros de memórias procurei reter tudo o que ainda me resta daquela “aurora” que, para o poeta Casimiro, fora a das saudades, dos campos floridos, das borboletas azuis. Em meu caso as borboletas estiveram misturadas a tormentos de saúde, a ausência da mãe, a destemperos de sexo. E tantos espantos alarmaram os meus princípios que viriam eles me arrastar ás tristezas que não deviam ser as de um menino (...) Mas me ficou a realidade do acontecido como o grão na terra. A sorte está em que a semente não apodreça na cova e que o fato não tenha o pobre brilho do fogo fátuo. È tudo o que espero dos “verdes anos” que se foram no tempo, mas que ainda se fixam no escritor que tanto se alimentou de suas substâncias”.
Esse e só um trecho da introdução do livro “Meus Verdes Anos” (1956), nas palavras do próprio autor: José Lins do Rego.
Dono de uma escrita forte e marcante, o escritor retratou de forma brilhante a queda dos engenhos e a expansão das usinas de açúcar no Brasil. Deixou obras memoráveis, como “O Moleque Ricardo” (1935); “Riacho Doce” (1939); “Fogo Morto” (1943); “Usina” (1936) e tantos outros.

Suas obras lhe renderam: Prêmio da Fundação Graça Aranha, pelo romance Menino de engenho (1932); Prêmio Felipe d’Oliveira, pelo romance Água-mãe (1941), e Prêmio Fábio Prado, pelo romance Eurídice (1947).

No seu livro de memórias conta, com extrema paixão e sensibilidade, passagens marcantes de sua infância. Logo no início, duas mortes são narradas, já mostrando que o livro não tem o intuito de florear a infância do escritor. A criação no engenho de seu avô que, posteriormente, lhe rendeu frutos para algumas de suas obras, o descobrimento do sexo, a morte de sua mãe; um livro maravilhoso, que transborda sensibilidade. Afinal de contas, todos nós temos histórias de infância para contar, não importando se nos tornamos homens tristes ou crianças crescidas...
José Lins do Rêgo Cavalcanti nasceu em Pilar, Paraíba, em 3 de Junho de 1901, e faleceu no Rio de Janeiro, em 12 de Setembro de 1957.
Exerceu a carreira de jornalista, romancista, cronista e memorialista, tendo sido um escritor com profundo senso crítico do meio onde foi criado.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O de sempre (na sombra do passado)






















Em fins dos anos 80 e inicio dos 90, a musica passava por um momento delicado. Ícones eram derrubados. Alguns graúdos, e outros bem pequenos.
Nos Estados Unidos, a cena Hard de Los Angeles estava saturada. Tendo alcançado o estrelato e, consequentemente, a fama de uma maneira devastadora, as bandas do estilo estavam se afundando em seus próprios egos.
Apesar da música sempre ter sido explorada em detrimento da imagem, tivemos muitas bandas que realmente possuíam certa dose de talento. Se as temáticas não tiveram mudanças significativas, o mesmo não pode ser dito quanto gravação, maturidade dos músicos e principalmente: sonoridade.
Centenas da bandas invadiram as rádios do mundo. Cinderella,Danger Danger, Tuff, Enuff Z´Nuff, Poison, Ratt e tantas outras passaram a ditar novas regras nas vestimentas e direcionamentos musicais. Aqueles 10 anos se transformaram numa explosão de cores e visual. A Música? Bem, não era ruim, de maneira alguma, porém...
Dentre os trabalhos da época destaco Native Tongue, do Poison (1993); Dr. Feelgood, do Motley Crue (1989); New Jersey, do Bon Jovi (1988) e Pull, do Winger (1993). Todos esses discos traziam músicos maduros, talvez já prevendo a queda e iminente fim do movimento. Menos cores, mais música.

Das bandas citadas algumas seguiram um caminho bem diferente. O Bon Jovi aprendeu como ninguém a ganhar milhões fazendo trabalhos medianos. O Motley Crue não produziu muita coisa depois disso. Seus integrantes investiram em suas próprias carreiras, fracas por sinal, e depois de um tempo na geladeira lançaram o bom New Tatoo, que precedeu o mediano Generation Swine. O Poison voltou a fazer o som que o consagrou. Coloridos, alegres e sem pretensões, investiram na velha formula de Los Angeles. Talvez pelo fato de que o ótimo guitarrista Richie Kotzen, um dos grandes responsáveis pela mudança na sonoridade da banda, tenha saído após Native Tongue.
Já o Winger manteve a linha de Pull. Seja pelo excelente nível técnico de seus músicos, seja por ter lançado o primeiro disco quando o movimento já estava em derrocada, o grupo hoje demonstra uma postura muito profissional em relação aos shows.
Não foram somente essas bandas que lançaram trabalhos relevantes, é claro. Alguns medalhões dos anos 70 também tiveram papel fundamental nesse meio. Talvez os exemplos mais notórios sejam Whitesnake e Aerosmith.
Hoje, passados 20 anos de tudo isso, infelizmente muitos ainda continuam com as mesmas falas e trejeitos, numa estagnação teatral. Repito que havia muito talento naquele meio, mas nem sempre usado da melhor forma.
"Don't need nothin' but a good time"

Eterna influência

É triste lembrar da imensa quantidade de ídolos brasileiros que caíram no ostracismo. Sem biografias, sem tributos ou sequer a mínima menção em publicações especializadas que, aliás, também são raras, eles acabam se tornando peças desconhecidas e muitas vezes recebem a triste e vazia alcunha de artistas “cult”. A lista é enorme e seria cansativo e maçante se estender nisso. Porém, lá fora é um pouco diferente.

Lançado em 2005, “Inspired by genius... the music of Ray Charles”, no que diz respeito a manter o nome do artista, é um ótimo trabalho. O disco apresenta musicas que ficaram famosas na voz de Charles interpretadas por artistas diversos entre os anos 60 até 2000, portanto antes e depois de serem gravadas por Ray.

Ao longo das 21 faixas fica difícil destacar alguma. Dentre elas posso citar The Animals no petardo Mess Around, (Jesse Stone); Don´t let the Sun Catch you Crying, (M. Greene), numa versão ao vivo arrebatadora de Paul McCartney; a sensual I Believe To My Soul, (Ray Charles), com o Love Sculpture; a linda I´ve Got News for You, (Alfred), com Terry Reid. O disco num todo é excelente, não só pelas músicas, mas também pelos músicos que participam do projeto.

Ray Charles sempre foi daqueles artistas que transcendem o seu tempo. Através da música mostrou a sensibilidade que seus olhos não podiam captar. Seja no country, blues, jazz. gospel, soul, não importa o ritmo, ele dominou tudo com a mesma maestria, influenciando posteriormente uma parcela generosa de músicos.
Um artista tão universal quanto Zé Kéti ou João do Vale, só com uma pequena diferença, e lamentável, teve reconhecimento.

Boa prosa

O pacato José Maria, depois de mais de 30 anos seguindo a rotina de escritórios, finalmente se aposentou. Chega de compromissos, reuniões, colarinhos apertados, gravatas, paletós; a vida seria, daquele momento em diante, um “domingão sem fim.”
Formalidades e monotonias, tudo se foi. O jeito é curtir o tempo que agora resta. Eternas noites em claro, sem mulher, sem filhos, na solidão da casa triste e escura, somente com a luz da Lua fazendo companhia na parede descascada com o passar dos anos, isso é o mais difícil de suportar, e é isso que sobrou para José Maria.

Nas entranhas da noite os sonhos surgem como raios de Sol numa manhã qualquer. Um nome, um simples nome, e já é o bastante para bulir com a memória.
Duília, Duília, Duília...

No dia seguinte, José Maria tenta ocupar seus dias, sem conseguir, no entanto, se fixar em nada. Aquele nome com seis letras ainda ecoava em sua cabeça.
Decide então ir atrás de sua história, na cidade de Pouso Triste, aos seios de Duília, ou, como dizem outros, Dona Dudu. Durante a viagem a sua vida vai se destrinchando aos poucos. Resíduos da memória, coisas que ficaram para trás. Bom, o resto é história, triste história de uma época que sobreviveu apenas na cabeça de João Maria, mas não ao tempo...

Nascido em Sabará, Minas Gerais, em 9 de dezembro de 1894, Aníbal Monteiro Machado foi um mestre na arte de escrever contos. Nos seus 70 anos de vida foram diversas as histórias que ficaram registradas. Com a escrita simples e hipnotizante deixou clássicos da prosa na literatura brasileira, como O Homem Alto; O telegrama de Ataxerxes; Tati a garota, posteriomente transformado em música e filme; Viagem aos seios de Duília e o seu conto mais famoso: A morte da porta estandarte.
Excelente.

domingo, 11 de janeiro de 2009

O trovador

Tristeza, melancolia, ódio, fúria, amor, saudade dos que se foram, esperança de um novo tempo. Tudo o que se puder imaginar já foi escrito por centenas de letristas, bons ou não.
Dentre tantos nomes, quem será o grande arauto dos anos 60/70, aquelas que são consideradas épocas marcantes na música? Tempo de protestos, guerras, torturas, drogas e a eterna esperança.

Em 1974, Neil Young lançou o disco On the Beach. A capa, como diz o repórter Theunis Bates no livro “1001 discos para ouvir antes de morrer”: “retrata Young rompido com o ambiente decadente de uma Costa Oeste estragada pela cocaína: sozinho numa praia cinzenta, ele dá as costas para uma pilha de refugos da vida californiana”.

Ao longo de seus trabalhos em carreira solo, com o Crazy Horse, Crosb, Still, Nash & Young ou Buffalo Springfield, o canadense sempre destilou uma melancolia ácida e inteligente, com toques de amor devastadores ao longo dos seus 40 anos de carreira. Isso antes de ele ser “redescoberto” em fins dos anos 90, graças a uma carta de um certo senhor Cobain, mas isso é outra história.

Certamente Young não foi o maior propagador de idéias dos anos 70, no entanto está entre os bons letristas que essa década presenciou. Ao longo do ano eu irei comentar brevemente sobre outros nomes que foram fundamentais para a música, no que diz respeito as letras, principalmente em 60/70.

Segue o link da música Philadelphia, presente no filme "Streets of Philadelphia" de 1993. A música foi indicada ao Oscar perdendo a estatueta para a famosa canção de Bruce Springsteen que possui o mesmo nome do filme.

A arte de contar a História

Prostitutas, políticos, estudantes, comunistas, empregadas domésticas, um país afundado em suas próprias convicções partidárias. Num bar chamado “La Catedral”, em Lima, Peru, os dois personagens centrais, Ambrósio e Santiago, dialogam durante quatro horas, e dez anos são dissecados.
Lançado em 1970, o livro “Conversa na Catedral”, do escritor peruano Mario Vargas Llosa, é um clássico da literatura latino-americana.
Uma historia onde o tempo é mero espectador, fatos e diálogos se movem num ritmo frenético, deixando o leitor menos atento profundamente confuso.
Dinastias políticas, movimentos estudantis e de trabalhistas e assassinatos fazem trilha sonora para este romance impecável, onde Vargas Llosa destila toda sua técnica literária.

Com sólida formação cultural e política o escritor nascido em 1936, no mesmo Peru, já escreveu entre outros títulos Batismo de Fogo (1962); O paraíso na outra esquina (2003); Os Cachorros (1968) e ensaios sobre Flaubert e Garcia Márquez, além de um livro onde mistura ficção e realidade dedicado a saga de Antônio Conselheiro e a guerra de Canudos, chamado A Guerra do Fim do Mundo (1981).

O pequeno Summer.

Depois de um certo recesso, volto a postar por. Após pensar bastante, decidi escrever sobre outros assuntos de meu interesse como literatura e quadrinhos, coisa que já gostaria de ter feito. Logicamente que a música ainda continuará a ser o plano de fundo. Espero que gostem.

O grande homem me encara.
“Sting, hein ?”
“Sim senhor”, respondo.
“Sting”, diz outra vez, saboreando a palavra na boca como uma bola de cuspe, “você tem uma puta cabeçona.”. Sua voz é pouco mais que um sussurro de maldade.
Dou uma leve estremecida com isso, para dizer o mínimo.
“O que exatamente você que dizer com isso, hein, Miles ?”
“Vi você na porra de um filme cara, e sua cabeça enchia a porra da tela inteira.”
O trecho acima é só um dos casos encontrasdos no livro "Sting. Fora do Tom", lançado em 2003.



A obra soa, em certos momentos, mais como um típico romance inglês do que um livro de memórias. Narra passagens desde sua infância até os primeiros tempos do The Police, e a perseverança de Sting em se tornar o bom músico que é.
A sua formação musical e cultural, a cena pré-punk londrina, o tempo como professor, filhos e amores, o primeiro encontro com Stewart Copeland e sua excêntrica família, tudo narrado com certo teor de arrogância e bom humor.
Nas palavras de Sting: “Jamais considerei seriamente a possibilidade de escrever um livro. Tendo sido compositor grande parte de minha vida, habituei-me a condensar as idéias e emoções em versos curtos e que rimados que se integrassem à música”.
Não tive o menor interesse em escrever a tradicional lengalenga autobiográfica de tudo que já aconteceu em minha vida. Em vez disso, escolhi momentos específicos, certas pessoas, relações e acontecimentos (...).

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O sonho acabou

Two, one two three four.

Ev'rybody's talking aboutBagism, Shagism, Dragism, Madism, Ragism, Tagism.
This-ism, that-ism, is-m, is-m, is-m.
All we are saying is give peace a chance
All we are saying is give peace a chance
C'monEv'rybody's talking about Ministers,Sinisters, Banisters and canisters
Bishops and Fishops and Rabbis and Pop eyes,
And bye bye, bye byes.
All we are saying is give peace a chance
All we are saying is give peace a chance
Let me tell you now

Ev'rybody's talking aboutRevolution, evolution, masturbation,
flagellation, regulation, integrations,
meditations, United Nations,
Congratulations.
All we are saying is give peace a chance
All we are saying is give peace a chance
******************

E hoje completa 28 anos da morte de John Winston Lennon. Para muitos uma das maiores personalidades dos anos 60/70, e para outros apenas mais um rock star que tinha boas idéias.
Fanatismos e bobeiras à parte, que transformaram o artista em mártir de uma geração, Lennon marcou a historia da musica com suas letras que amadureceram, e muito, com a passar dos anos, suas atitudes e por ter feito parte dos Fab Fours.
Morto estupidamente com cinco tiros, por um "fã", chamado Mark Chapman, que horas antes havia pedido seu autógrafo, no dia 8 de dezembro de 1980, em Nova York, Lennon deixou para trás um buraco jamais fechado.

Passados tantos anos de sua morte, sua presença continua viva. Não há como afirmar que a postura de paz e salvação proposta por Lennon seja de todo verdade, porém é essa a imagem mais marcante do artista, que gravou e deixou mensagens tão belas quanto eternas. Em tempos tão conturbados como os de hoje, com guerras, fome, miséria e tanta falta de empatia, escutar suas musicas funcionam como um anestésico.
Alem dos grandes clássicos lançados com o quarteto de Liverpool, John ainda colecionou grandes momentos em sua carreira solo. Álbuns como Imagine, Mind Games e o maravilhoso Rock’ n’ Roll são perolas da musica contemporânea.




I DON'T WANT TO BE A SOLDIER

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A volta da diva



E amanhã a boa cantora americana Madeleine Peyroux estará, pela terceira vez, se apresentado em solo brasileiro. Com quatro discos na bagagem e uma voz muito semelhante à Billie Holliday, Peyroux, na maturidade de seus 35 anos, ira mostrar todo o seu potencial em musicas como “Careless Love”, “ J'ai Deux Amours” e “La vie em rose”.

Em seu ultimo disco, Half the Perfect World, de 2006, incluiu musicas de Tom Waits, Leonard Cohen e Joni Mitchell,entre outros, todas com uma roupagem já característica da cantora, que sempre primou pelo bom gosto nos repertórios e ótimos arranjos.

Peyroux estreou em 96, com o disco "Dreamland”, seguidos de “Got You on my Mind” e “Careless Love” ambos de 2004. Alem de músicas próprias, já gravou composições de Bob Dylan, Fats Waller, Ella Fitzgerald e outros artistas de renome.
O show será no Via Funchal e os ingressos custam entre R$ 100 e R$ 400.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

30 anos em uma noite

O público foi chegando aos poucos; belas garotas, pessoas tristes e outras felizes. Enquanto o tempo não passava, o jeito era tomar algumas cervejas e rodar pelo local. Uma lata de cerveja por R$ 6,00 é um absurdo, só amenizado pelas lindas garotas que estavam atendendo.

Nas caixas, o som era variado;Barry White, Bee Gees, The Cult, e até o clássico das pistas "The Rithm of the Night".

Depois da algumas latas e muitas idas ao banheiro, o ponteiro bateu 22:00Hs, e estava na hora do show...
O palco, mistura de Gotham City com guetos à Will Eisner, triste, soturno e imponente, tomou vida logo nos primeiros acordes de "The Valley", faixa que abre o mais recente disco da banda. Sem tempo para tomar fôlego já emendaram com a clássica "Planeth Earth" e "Hungry Like the Wolf".

A performance da banda estava excelente, com destaque para o vocalista Simon LeBon, que estava com a voz impecável e não escorregou um minuto sequer. O show foi recheado de clássicos, com canções de todas as fases da banda, como "Is There Something I Should Know", "Notorious", 'Wild Boys" e "Girls on Film" e "I Don´t Want Your Love".

As mais recentes, dos discos Astronaut e Red Carpet Massacre, também tiveram a sua vez, sendo que o público não interagiu muito nessas canções. Como era de se esperar, a maioria foi ao delírio com a dobradinha "Come Undone/Ordinary World", músicas que embalaram alguns casais na pista. Os músicos de apoio estavam numa noite inspirada, com destaque para os backing e o toque sutil do saxofone.

Assim como LeBon (novamente), que deu um show particular em "The Chauffer", com um super clima no palco. Já em "White Line", do disco de covers Thank You- onde tocaram um pedaço de "Pappa was a Rolling Stone", dos Temptations, foi a vez da banda se apresentar, com direito a pequenos solos dos músicos.
Falando nisso, o guitarrista Dom Brown, único que não é da formação clássica, se mostrou muito competente e profissional, sem esbanjar muito. Tocou o que a música pedia.

Já estava próximo das duas horas de show quando Roger Taylor iniciou a boa introdução de "Rio", clássico que, há um bom tempo, encerra as apresentações do grupo. Com autógrafo, bandeira brasileira no palco, 21 músicas e muitas palmas, o Duran Duran se despediu do público paulista, deixando muitas pessoas alegres, algumas indiferentes e outras com saudade.
Os "old romantics" fizeram um show incrível, na fria noite de sábado...



quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Zumbi se orgulha de seus filhos



Comemorando o "Dia da Consciência Negra" deixo uma breve saudação sobre a contribuição do povo negro para a música. Desde os "bluseiros" explorados no delta do Mississípi, passando pelos ícones do rock´n´roll em início, os lamentos do soul, os hinos religiosos (digo sobre a emoção passada através da voz), e tantas outras fases que a música teve nesses anos todos.

Chico Preto

(João Nogueira e Paulo César Pinheiro)

Nasceu moleque preto, é mane
Na zona do pecado, é negão
Cresceu dentro dos gueto, é mais um
Vivendo de armação, cafetão
Crioulo analfabeto, é ninguém
Foi marginalizado, é ladrão
Mas tem curso completo, é FEBEM
Pela contravenção, bandidão

Chico Preto, camarada
Os home tão querendo te mandar pro céu
Andaram te entregando, armaram uma cilada
Com as dica dos pé-sjuo, os cara de aluguel
Subiram o Cantagalo, entraram na Cruzada
Cercaram a Caixa-D'Água, invadiram o Borel
Passaram na Rocinha, fecharam a bocada
Já estão na Catacumba que é o teu quartel

É cheio de processo, ele é o tal
Tem retrato falado, ele é o bão
Pra todo lado impresso em jornal
Mas não pegou prisão, ele é o cão
Malandro de cadeira, é dotô
Jamais foi grampeado na mão
Na eterna brincadeira que entrou
De polícia e ladrão, tresoitão

Chico Preto, amizade
A tua vida é mesmo de tirar o chapéu
Pulando que nem sapo pra fugir das grade
Andando pelo mato que nem cascavel
Morando que nem rato só por liberdade
Vivendo que nem bicho num mundo cruel
Ganga Zumba do morro, Zumbi da cidade
A tua história um dia vai virar cordel


Nesse contexto floresceram gênios como, Ottis Reding, Ray Charles, Aretha Franklyn, Milton Nascimento, Wilson Simonal, Aretha Franklin, Menphis Slim, Roberto Ribeiro, Carlos Da Fé, Jorge Ben, George Benson, Michael Jackson, Stevie Wonder, Dionne Warwick, Emílio Santiago, e outras centenas de artistas. Pessoas que sempre lutaram pelo reconhecimento de seu trabalho, acima de cor, credo, raça ou qualquer item de exclusão. Líderes que sempre fizeram da voz sua a maior arma e forma de expressão, cantando músicas que deram vida e esperança, pararam movimentos, acompanharam outros. São pra essas pessoas que o dia de hoje é válido, não negando a origem, não calando diante dos tapas, não ficando encima do muro, apenas "sendo".

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

As últimas batidas


13 de novembro de 2008. Essa data marcou o fim de um epsodio na musica; Mitch Mitchell, 61 anos, foi encontrado morto em seu quarto de Hotel. O músico estava em turne pelos Estados Unidos divulgando a Experience Hendrix Tour, que tinha o objetivo de reunir músicos que conheciam Hendrix, como o próprio Mitchell, e também artistas mais novos, como o guitarrista Jonny Lang, influenciado por Hendrix. O músico fundiu rock e jazz num dos grupos mais espetaculares da década de 60.
Com a morte de Mitchell, um dos últimos pilares da bateria rock ruiu, aqueles caras que arrebentavam tudo e ainda sim contavam com grande técnica e habilidade. Suas baquetas foram se juntar as de Cozy Powell, John Bonham e Keith Moon.

Por aqui ainda sobram algumas lendas, caras como Don Brewer, Bill Ward e Bill Bruford, mas por quanto tempo?
Só resta colocar obras como "Fire", "Foxy Lady" e "Crostown Traffic" para ouvir, e imaginar que o papel das lendas realmente é esse: marcar uma época e depois seguir em frente...

Mitch Mitchel
9/7/1947 - 12/11/2008.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A batalha do bolso


Neste fim de ano uma avalanche de shows esta caindo sobre o Brasil. A principal pergunta no meio de tudo isso é: como pagar tanto por tantos espatáculos?
Visto que o país é um dos campeões em preços altos, em se tratando de shows- os do R.E.M, realizados nesta semana, foram os mais caros de toda turnê americana-, o bolso do consumidor está em constantes apuros.

Porém 2009 já vem com o mega star Elton John e a sua turnê Rocket Man, que teve início em 2007, e já teve mais de 60 shows pela Europa, Ásia, Austrália, África e América do Norte. Mas isso aparentemente não vai abalar as carteiras de ninguém. Segundo o portal do UOl, os ingressos mais caros, no valor de R$ 550, já estão esgotados!!!

Certamente as pessoas que esgotaram tais ingressos podem ser divididas em duas partes: cambistas, sim aqueles seres nefastos que varrem as bilheterias como pragas do Egito, e os espectadores que vivem em outra realidade, aquela do Brasil burguês e reacionario, que compra cultura como compra laranjas, sem discernir entre as podres e as boas para consumo, não que o astro seja uma dessas laranjas.

Ponto para Elton John, que no alto de seus 40 anos de carreira ainda consegue arrecadar centenas de milhares de dólares tocando para plateias de FM, abrilhantando ainda mais a sua estrada de tijolos amarelos.

Fonte: http://noticias.bol.uol.com.br/entretenimento/2008/11/13/ult89u9860.jhtm

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Nogueira e Roberto batucam no céu...

Um nasceu em 1940. Carioca, ex jogador de futebol, um dos grandes nomes da G.R.E.S Império Serrano. Exímio cantor, esta entre entre os gigantes do samba em meados dos anos 70 e início dos anos 80.
Iniciou a carreira lançando um compacto duplo pela Odeon, com a cantora Elza Soares. Seu primeiro disco solo foi de 1975, Molejo.
Com sua voz potente imortalizou clássicos de nossa música, ente elas: "Todo menino é um rei", "Acreditar", "Amar como eu te amei" entre tantos outras.

O outro nasceu em 1941. Igualmente carioca, eternamente Portela. Ainda no início de carreira, teve um música gravada, "Corrente de Aço", por ninguem menos que Elizeth Cardoso.
Cantor com um timbre fantástico, também um gigante do samba e fundador do bloco "Clube do Samba", para revitalizar e manter sempre vivo o Carnaval de rua. Marcou presença com gravações como: "Espelho", "Eu hein, Rosa", "Clube do Samba" e outras pérolas do samba. Sempre reverenciando a velha guarda, gravou o disco Wilson, Geraldo e Noel em 1980, onde intrepréta músicas de Wilson Batista, Geraldo Pereira e Noel Rosa. Foi um dos inúmeros parceiros do poeta Paulo César Pinheiro e morreu as vésperas de gravar um disco ao vivo.

O fato é que a história do samba teve suas páginas marcadas para sempre após o surgimento desses dois ícones. Roberto e Nogueira carregaram a bandeira dos grandes cantores do estilo, remodelaram o samba como forma de expressão e deram voz ao povo brasileiro, cantando sobre as dores do amor, o cotidiano a vida das favelas e tantos outros temas tão comuns ao povo brasileiro.
Com o falecimento trágico de Roberto Ribeiro, vítima de atropelamento, em 1996, e de João Nogueira, de enfarte, em 2000, o samba perdeu um pouco de sua graça e, por alguns instantes, se calou solenemente.
Um dia de tristeza me faltou o velho

e falta lhe confesso que ainda hoje faz

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Uma voz para poucos ouvintes

Sempre achei que existem muitos cantores sem o devido crédito aqui no Brasil. Um, em especial, é Emílio Santiago. Artista que nos remete aos grandes mestres do rádio. Aqueles "cantores" que realmente sabiam usar o instrumento sem sair do tom, gritar ou algo assim. Vozes de veludo.

Santiago lançou o primeiro disco em 1975. A seleção de músicos é uma constelação. Dentre eles, Hélio Delmiro, João Donato, Vitor Assis Brasil, Wilson das Neves, Laercio de Freitas, a banda Azimuth, Marcio Montarroyos, Paulo Braga, Novelli e outros. O suingue maravilhoso em "Bananeira", de João Donato; o soul/reggae de "Brother", de Jorge Ben; "Negra Dina", do mestre Zé Keti e a divina interpretação de "Doa a quem Doer" de Ivan Lins, apesar de belos momentos, não foram o suficiente para marcar época. O disco não obteve grande sucesso.
Até 88, Santiago já havia lançado 11 discos, todos com "pouca repercussão".

O sucesso só veio com a série de 7 discos intitulada "Aquarela Brasileira". Nos discos foram interpretadas diversas canções famosas da MPB. Entre 90 e 93 emplacou os sucessos radiofônicos "Saigon" (89), "Verdade Chinesa" (90) e o dueto com Verônica Sabino "Tudo que se quer" (93). Em 95 deixou as "Aquarelas" para traz e lançou o disco "Perdido de amor", um tributo a Dick Farney.

Ainda lançou um tributo a João Donato e um disco só de bossa nova. Talvez por falta de divulgação, material monótono (em algumas ocasiões), ou puro descaso do público, Emílio Santiago nunca teve o real valor que sua carreira impõe. Imperativo dizer que em todos os trabalhos a voz de Santiago sempre manteve o mesmo padrão, cantando boleros, soul, samba e tudo o que lhe cair nas mãos, ou melhor, na voz. O último trabalho do cantor foi o álbum "De um Jeito Diferente", lançado em 2007.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Q+PR

Com um novo disco na bagagem e uma turnê mundial iniciada, inclusive com datas no Brasil, o Queen, agora Queen+PaulRodgers-, vai novamente trilhando o caminho do sucesso. Apesar de não contar com o falecido e inigualável Freddie Mercury e o excepcional John Deacon no baixo, a banda ainda mantém uma fórmula de sucesso. Essa ultima encarnação do grupo conta com os remanescentes originais Roger Taylor comandando as baquetas, o ímpar e carismático Brian May com a sua eterna guitarra vermelha e o "novo"/excelente e veterano Paul "Bad Company/Free/The Firm" Rodgers no vocal. Essa formação lançou o disco "Return of the Champions" em setembro de 2005 durante turnê pela Inglaterra. O álbum traz classicos imortais como Fat Bottomed Girl, I Want It All, Crazy Little Thing Called Love, além do cover de Imagine e músicas ja consolidadas na voz de Paul Rodgers. O último lançamento- The Cosmos Rock-, é o primeiro de inéditas em 13 anos.

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